12.1.18

Shithole é ele


4.12.17

In memoriam


O gajo tinha uma granda pinta e lembro-me muito bem de ir ver os Xutos n'Os Belenenses, em 88, e de ficar um concerto inteiro a olhar para ele com um magnetismo próprio de quem atrai sobre si todas as atenções. Se o Tim era a voz, o Gui o sopro, o Kalú a energia e o Cabeleira a tripe, o Zé Pedro era o tipo que agarrava tudo e todos: pela postura, pela pinta, pela simpatia. Daqueles tipos que sabem quando rir e quando fazer cara séria, que estão bem em todo o lado, porque em todo o lado são (compreensivelmente) venerados. Existe, de facto, e sempre existiu uma certa veneração pelo Zé Pedro. Era o gajo que tocava melhor guitarra? Nem por sombras, e até dizem que era meio coxo a fazê-lo. Era o gajo que mais sabia de música? Não, embora soubesse muitíssimo. Era o gajo que melhor se explicava? Bastava ouvi-lo para responder. Era o gajo mais bonito? Se calhar também não, com aquelas marcas na cara vindas de outros tempos e vidas. E, no entanto... Pá, no entanto, era o maior, o tipo que arrastava multidões, conforme a comoção generalizada destes dias comprovou muito bem, o tipo que encantava tudo e todos. O gajo que vai ser lembrado, e muito bem e ainda bem.
A sensação que fica é que foi mesmo uma parte de nós que morreu com o Zé Pedro na semana passada, uma parte de mim sobretudo como adolescente quando ouvia à exaustão ISTO.
Já foi tudo, mesmo tudo, dito, mas eu também quero dizer que foi uma parte de mim que se foi, evaporada pela morte prematura deste gajo que viveu na minha cabeça durante tantos e bons anos.

27.11.17

Deamblogações matinais



Parece-me lapidar a irresponsabilidade total do Governo em (mais) esta matéria. É populismo do mais básico que existe, sem se perder um só segundo a equacionar as aparentemente enormes desvantagens que há com a mudança da instituição para o Porto. Mas, ainda que as vantagens ultrapassassem os inconvenientes, seria alguma vez admissível que a chefe máxima do Infarmed fosse apanhada na curva, conforme aconteceu? Há vícios que nunca mudam, para mal de todos nós.

24.11.17

Deamblogações matinais (tardias)

A mim o que mais me dói não é a morte do Pedro Rolo Duarte em si mesma, embora ela me mereça respeito e a reserva própria a este tipo de assuntos. O que me dói é desaparecerem tão cedo pessoas, cada vez mais pessoas, cada vez mais cedo e depressa. Talvez porque esteja a caminhar para a velhice? Talvez porque, de facto, cada vez mais gente desaparece mais cedo? Ou talvez seja esta coisa da geração dos cinquenta, que é o que diz a Inês?
Eu cá não sei mas sei que perdemos todos colectivamente, sei que tenho medo do desconhecido e sei que me cai sempre a ficha de dar valor ao que tem valor e de relativizar tudo o resto.

22.11.17

Miss



u

21.11.17

Sonic Youth - The Sprawl



To the extent that I wear skirts and cheap nylon slips
I've gone native
I wanted to know the exact dimensions of hell
Does this sound simple? Fuck you!
Are you for sale?
Does "Fuck you" sound simple enough?
This was the only part that turned me on
But he was candy all over

9.11.17

Deamblogações matinais

Sobre o web summit:

"Estes poucos dias de invasão não podem ser uma dose de qualquer pastilha de euforia que abafa os problemas reais que enfrentamos. Nem temos de quase pedir desculpa para continuar a viver a nossa vida e as nossas cidades, enquanto um bando de deslumbrados circula todo o dia com o seu cartão do evento pendurado ao pescoço como se pertencessem a um qualquer círculo de eleitos ou seita de Charles Manson de smartphone em punho."

Rui Calafate, ECO

7.11.17


3.11.17

Deamblogações matinais

Não consigo perceber exactamente se todos estes episódios de assédio são reais ou fruto da esquizofrenia informativa em que estamos metidos de há vários anos para cá. Agora pega-se no assédio e trituram-se umas dezenas de figuras públicas por terem mandado umas bocas e feito umas coisas ordinárias (e evidentemente condenáveis), mas amanhã já se esqueceu tudo isto e perfura-se outro furo qualquer. Repito: não sei se é algo assim que está actualmente a acontecer ou se tudo o que tem vindo a lume é, de facto, verdade.
Em qualquer dos casos, o drama dos actuais dias relativamente à informação (?) é que muita dela já não é passível de ser distinguida como verdadeira ou falsa. Não temos meios para saber se o Kevin Spacey forçou relações sexuais com um homem há algumas décadas e se assediou metade da equipa do HoC. E, portanto, não temos meios para fazer um juízo fundamentado sobre se a série foi ou não bem suspensa. Ora, a questão não é indiferente porque, para lá do voyeurismo que não me interessa de todo, existem efeitos concretos de tudo isto. No caso indicado, não verei mais um actor de excepção numa série muito interessante. Se é uma sanção justa ou não para o mesmo, nunca o saberei.

23.10.17

Escritos

"não me preocupo em morrer sozinha, porque toda a gente morre sozinha"

lido por aí, algures

16.10.17

Escritos


13.10.17

THE WHITE BLIND LIGHT

6.10.17


Time to: ALT+CTRL+DEL

3.10.17

Deamblogações matinais

"O problema ideológico do PSD é simples de expor: o PPD, depois o PSD, foi fundado de uma forma sui generis, à portuguesa, combinando três tradições políticas: o liberalismo político, o personalismo de origem cristã e a social-democracia. Pretendia ser um partido defensor das liberdades e da democracia, um partido laico que incorporava uma visão do homem como “pessoa”, mais do que como cidadão, e pretendia que o Estado tivesse no seu coração a ideia de que a sua função era, entre outras, a de garantir a solidariedade social a favor dos que mais precisavam, distributivo e actuante em termos da justiça social. Era anticomunista, mas não era anti-socialista, não era conservador, nem economicamente liberal, era a favor do mundo do trabalho e da dignidade do trabalho, na tradição da doutrina social da Igreja, defensor de um sistema fiscal fortemente distributivo e colocava-se entre o centro-direita e o centro-esquerda. Estava mais à esquerda, oscilava para o centro e para a direita, mas nunca, jamais, em tempo algum, se definiu como partido de direita. Até agora."

JPP, aqui

2.10.17

Deamblogações matinais

Eu sei que nada ou muito pouca coisa do que se passa hoje em dia é fácil de explicar. Mas, mesmo assim, há coisas que me escapam e explicações que não consigo dar a evidências que saltam à vista e que, como evidências que são, me parecem demasiado óbvias para serem ignoradas.

Eis alguns exemplos:

Como é que Rajoy cai na armadilha de ter dado importância ao referendo na Catalunha, com isso sobrevalorizando os autonomistas e centrando - erradamente - a questão no domínio jurídico (inconstitucionalidade, etc.) em vez de no domínio estritamente político?

Como é que Passos - independentemente de estar "morto" ou "vivo" ou, até, em coma politicamente - não retira DE IMEDIATO consequências do absoluto cataclismo que foram os resultados do PSD e se demite ou anuncia que não vai recandidatar-se, com isso encerrando um ciclo da vida do partido e de Portugal?

Como é que Trump consegue ser tão mau (pessoal e politicamente) e tão mal aconselhado, permitindo que milhões de pessoas sejam afectadas negativamente pela sua própria incompetência, negligência e egoísmo, como sucedeu por estes dias em Puerto Rico?

Como é que ninguém - que eu tenha visto - tem a coragem de dizer de um modo claro e cristalino que o RU JAMAIS vai conseguir separar-se da UE, pelo menos nos termos inicialmente delineados (i.e. através de um clean cut) e que as excepções/ períodos transitórios/ etc. vão ser mais do que muitos, tudo fazendo para que a confusão seja mais do que muita e ninguém queira o que está a acontecer?

Como é que a UE não tem a coragem de dizer ao Governo polaco, húngaro e outros que aí venham com semelhantes ideias que essas mesmas ideias não são, simplesmente, admissíveis no contexto europeu e que, caso as mesmas persistam (com supressão da liberdade de imprensa, instauração do delito de opinião, centralização de poderes anteriormente dispersos, manipulação dos órgãos judiciais, etc.), os respectivos países têm de sair da UE?

Isto e muito mais encanita-me muito.

29.9.17


15.9.17

14.9.17

Pá não me lixem...

Quem é que plagiou quem?



4.9.17

Escritos

AQUI

31.8.17

TOMORROW

In Memoriam


Deamblogações matinais

O que irrita em Cavaco - e há muitas coisas que irritam em Cavaco - é o ar de superioridade moral com que fala, de arrogância intelectual, como se vivesse acima de tudo o resto que, para si, não passa de meras intrigas e minudências sem importância. Ele é que sabe o que é preciso e como fazer. É insuportável ouvi-lo. Escusa, francamente, de sair do gabinete que usa diariamente e onde está a escrever as memórias, com isso fazendo com que não passe de uma má memória, embora tão funda que chega a ser um trauma.

10.8.17

Escritos



A imagem acima é de uma campanha passada da PT, de quando a PT ainda era PT, com todos os defeitos e virtudes que tinha, e eram de facto muitos, esses defeitos e virturdes.
Mas, para lá disso, a imagem também corporiza o que está a acontecer ao nível do desmantelamento sem dó nem piedade que está presentemente a ser feito na PT pela sua dona, a Altice. Digo propositadamente na PT, porque, mesmo sabendo que a PT desapareceu comercial e juridicamente, as baterias dos donos da Altice concentram-se no universo que compunha a PT e que constituía o seu ADN.
Nesse universo e como parte do ADN estão, evidentemente, os trabalhadores, uma vez que são quem constitui a força de trabalho que permite às empresas evoluírem e conquistarem o tamanho do Nemo, por comparação com o tamanho mais pequeno dos tubarões que nadam nas mesmas águas.
Voltando aos trabalhadores, é verdade que, do ponto de vista jurídico, a Altice está a agir na raia da lei, mas, formalmente, dentro da lei. Já do ponto de vista da chica-espertice, a empresa está a destruir dezenas e dezenas de postos de trabalho, recorrendo a mecanismos que são de todos conhecidos (constituição de empresas integrantes do mesmo grupo, para as quais são transferidos os trabalhadores que, num segundo momento, serão despedidos através de um despedimento colectivo ou de diversas extinções paulatinas de postos de trabalho).
A questão não está em saber se a Altice age mal ou bem, assim como não está em saber se o Governo deveria ou não intervir. Efectivamente, a primeira usa as lacunas da lei para prosseguir os seus interesses, o que, em si mesmo, não pode ser considerado ilícito. Já o segundo não deve intervir a juzante, quando se está perante um operador privado que adquiriu legalmente um universo empresarial que considera desadequado.
O problema está em aspectos técnicos da legislação existente, que permitem actuações deste tipo aos olhos de todos sem que ninguém tenha poderes efectivos para as travar. Nesse sentido, estou de acordo com uma ideia avançada, segundo me recordo, pelo BE (não sei se sozinho ou com mais apoios), nos termos da qual, quando perante uma transmissão de empresa ou estabelecimento, os trabalhadores transferidos deveriam gozar de um período durante o qual não podiam ser despedidos, a não ser por justa causa e mediante o competente procedimento disciplinar.
Ou seja, quem está mal é o legislador que não previu este tipo de situações que, todos o sabem, são muito fáceis de criar: basta constituir uma sociedade para a qual são transferidos os trabalhadores que se visa despedir.
Entretanto e porque nenhum destes cenários é neutro para os trabalhadores envolvidos, estes vão acusando a pressão e começaram a aceitar as rescisões que lhes foram sendo propostas. Aliás, até isso é feito às claras: se a intenção da empresa fosse mesmo a de que os trabalhadores fossem desempenhar funções para uma nova entidade, por que motivo estavam simultaneamente a ser abordados para rescindirem os respectivos contratos de trabalho?
Considero deplorável a mentira. Se a Altice tinha a intenção de fazer despedimentos - e só um cego, surdo, mudo consideraria a operação da ex-PT viável com o número absurdo de trabalhadores ali existente - deveria ter anunciado esse cenário como uma inevitabilidade, enfrentando as agruras de tal decisão e assumindo-o como inultrapassável. Não era - como fez - dizer ao Governo que não faria qualquer despedimento, criando, assim, na comunidade laboral a expectativa de manter intactos os respectivos postos de trabalho.
A Altice usa e abusa de expedientes para atingir os seus objectivos, que, é bom que se diga, são absolutamente legítimos. Isso é mau para todos e só mostra o total desrespeito pelas pessoas que, mal ou bem, contribuíram para fazer da empresa o alvo de uma compra, por sinal, com um enorme desconto.

4.8.17

Blur - Under The Westway (Live)

3.8.17

Deamblogações matinais



SATA podia muito bem ser o acrónimo de Se calhar hAvia outro Transporte Aéreo melhor. Podia mas não é. Em vez disso significa Serviço Açoreano de Transportes Aéreos.
Quem já viajou na SATA, sabe que é preciso ter um feitio muito especial. De facto, são raros (se é que existem) os casos em que não há atrasos, adiamentos, overbookings, faltas de pessoal, mau tempo ou os crónicos (e inexplicáveis) motivos operacionais. Tudo serve para prestar um mau serviço ao cliente. Chega-se ao ponto absolutamente anedótico de ver que o check-in online é mais lento do que o check-in normal feito à maneira clássica no aeroporto. Absolutamente patético.
Graças ao Criador - mas muito infelizmente - recorro apenas uma vez por ano aos préstimos desta transportadora e sempre com percalços de última hora: só nas últimas quatro vezes experimentei um atraso de 8h (após check-in), um overbooking em que acabei por conseguir lugar à custa de uns "voluntários" que - descobri eu entretanto - ganham a vida a ceder lugares de aviões -, um atraso de 3h (após check-in) e uma saga de 48h (sim, 48h) que foi o tempo que demorei para ir de Lisboa a São Jorge, depois de ter estado 22h (das 06h às 04h do dia seguinte) no aeroporto de Lisboa com sucessivos atrasos por motivos operacionais, de ter chegado a embarcar no avião para, passado 1h, o comandante ter informado que não havia condições técnicas para levantar voo e termos sido obrigados a sair e a recolher as malas (!!!) para ir para casa ou para um hotel qualquer. Consegui voo passados 2 dias e sem nunca ter obtido qualquer explicação da companhia (como sempre neste nosso país, foi um dos passageiros que era primo da cunhada do vizinho de um amigo do responsável da manutenção da SATA que nos informou que o problema era com um trem de aterragem; se era ou não, nunca saberei).
A operação desta companhia é para lá de caótica. Não há informação, não há formação, não se entendem, não sabem o que transmitir e não sabem o que se passa. Por outro lado, falta pessoal de cabine, o que motiva muitos dos atrasos que, diariamente, se verificam por esses aeroportos. Uma absoluta vergonha.
Depois de, à ida, quase ter ficado em terra, o que me faria perder um voo de ligação, e de, à vinda, ter sido obrigado a comprar dois novos bilhetes para chegar a horas decentes a Lisboa (mesmo assim com um atrasozinho de 3h, pois então), dado que o voo inicialmente por mim reservado atrasou das 16h para as 00h, com chegada a Lisboa às 03h00 em véspera de dia de trabalho, decidi nunca mais voar na SATA do Continente para as ilhas e vice-versa (entre ilhas não tenho qualquer motivo de queixa e mesmo que tivesse estava bem tramado porque não há concorrência). Mesmo que os voos sejam mais caros, optarei por eles. Nunca mais darei uma abébia.
Há dias, num voo qualquer destes últimos que fiz, alguém dizia uma coisa que é capaz de ser verdade: a mudança comercial do nome SATA para Azores Airlines deve ser uma tentativa (embora vã) para fazer esquecer as milhares de experiências traumáticas vividas com a primeira. Como se a mera mudança de nome as apagasse da memória. Pois não apaga e só as aviva.
SATA: Sem Apelo Terminei Aqui.

1.8.17

13.7.17

Deamblogações matinais



O cerco vai apertando cada dia mais, apesar do esforço colossal e muito patético dos spin doctors ligados a Trump.
Agora foi o vídeo que liga o presidente a Rob Goldstone em 2013, em imagens que são mais do que demonstrativas do grau de intimidade e à-vontade entre os dois.
É óbvio que existe collusion entre o presidente e o seu staff e a Rússia e só não vê quem não quer ver, sendo que ainda há muita gente que não quer ver.
Donald Jr. tenta atirar poeira para os olhos da opinião pública, mas não conseguirá nada de mais. O POTUS que é tão lesto a reagir a tudo e mais um par de botas no twitter, anda calado que nem um rato porque, crê ele, quanto menos disser e se mostrar, menos o fogo que arde já selvaticamente o poderá chamuscar.

9.7.17

& now onto something completely different

6.7.17


27.6.17

Ecooltra worldwide



Se cá em Lx já é um vício e revolucionou a forma como me desloco dentro da cidade, tive pela primeira vez a oportunidade de experimentar numa cidade que, apesar de conhecer razoavelmente, não me é tão familiar ao ponto de saber como ir a um ponto ao outro sem me perder. Assim sendo, fiz uso de três tecnologias que mudaram por completo o paradigma de, pelo menos, alguma parte das nossas vidas: a mota eléctrica partilhada, o GPS no telefone e o fim do roaming na UE.
Tudo isso permitiu deslocar-me a muito baixo custo - e sem poluir!! - em Barcelona, orientando-me pela voz da chinesa do telefone que me dizia onde virar e a quantos metros, tudo isto sem custos adicionais de dados, ao contrário do que sucedia até há 1 semana atrás.

Bendita evolução.

22.6.17

Legião Urbana - Tempo Perdido 1986

14.6.17


10.6.17

Deamblogações nocturnas II

Sentia-lhe o coração junto à mão e pensava, via, aliás, claro, como amava aquele coração. Um amor tão grande que me emocionei. Olhava para o mar de fim de dia e sentia esse amor incondicional. E disse-o: «amo-te». E perguntei: «de onde vem o amor? Da cabeça ou do coração?» Não esperava qualquer resposta porque a pergunta não merece qualquer resposta. Foi a ti que amei naquele instante fugaz. Mas essa fugacidade não representa senão a incapacidade de se sentir permanentemente algo tão intenso e feliz. Amo-te, é o que te digo. E, sim, sinto-o no coração. Sem passar pela cabeça.

Deamblogações nocturnas

"Mesmo no meio do meu maior desastre vi o momento em que o esgotamento lhe tirava uma parte do seu horror, em que eu o tornava meu aceitando aceitá-lo."

Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar

2.6.17

Aldia Victoria - Mortimer's Blues

25.5.17


17.5.17



15.5.17

Deamblogações vespertinas II


FRANCIS BACON
Estudo a partir do retrato
do Papa Inocêncio X, por Velázquez

1953

Deamblogações vespertinas


DIEGO VELÁZQUEZ
Retrato de Inocêncio X
c. 1650

9.5.17

Deamblogações matinais


Isto, juntamente com a app da Emel, é a melhor invenção que eu já experimentei. É tão bom que até parece mentira. Uso e, talvez, abuse...

8.5.17

Escritos

Receita de Mulher

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul,
como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar as pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteia em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37º centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.


Vinicius de Moraes

5.5.17

When I look at you


it all comes down to my guts

LCD Soundsystem - call the police



Mais uma surprise release às 00h00 de hoje. Parte do que será o próximo (grande?) album.

3.5.17

Battleme

24.4.17

Escritos

"O consumismo é a porta para o futuro (...). As pessoas acumulam capital emocional, tanto como dinheiro no banco, e precisam de investir essas emoções numa figura de liderança. Não querem um fanático autoritário aos gritos numa varanda. Querem um apresentador de televisão, sentado com um painel de convidados no estúdio, a conversar calmamente sobre o que importa realmente na vida delas. É uma nova forma de democracia, onde votamos no balcão de pagamento em vez de na urna de voto. O consumismo é o instrumento mais fantástico que alguém já inventou para controlar as pessoas. Novas fantasias, novos sonhos e aversões, novas almas para curar. Por uma razão peculiar qualquer chamam a isso "fazer compras". Mas na verdade é a forma mais pura de política. (...)".

J.G. Ballard, Reino do Amanhã, Quando o consumismo é o novo fascismo