22.6.17

Legião Urbana - Tempo Perdido 1986

14.6.17


10.6.17

Deamblogações nocturnas II

Sentia-lhe o coração junto à mão e pensava, via, aliás, claro, como amava aquele coração. Um amor tão grande que me emocionei. Olhava para o mar de fim de dia e sentia esse amor incondicional. E disse-o: «amo-te». E perguntei: «de onde vem o amor? Da cabeça ou do coração?» Não esperava qualquer resposta porque a pergunta não merece qualquer resposta. Foi a ti que amei naquele instante fugaz. Mas essa fugacidade não representa senão a incapacidade de se sentir permanentemente algo tão intenso e feliz. Amo-te, é o que te digo. E, sim, sinto-o no coração. Sem passar pela cabeça.

Deamblogações nocturnas

"Mesmo no meio do meu maior desastre vi o momento em que o esgotamento lhe tirava uma parte do seu horror, em que eu o tornava meu aceitando aceitá-lo."

Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar

2.6.17

Aldia Victoria - Mortimer's Blues

25.5.17


17.5.17



15.5.17

Deamblogações vespertinas II


FRANCIS BACON
Estudo a partir do retrato
do Papa Inocêncio X, por Velázquez

1953

Deamblogações vespertinas


DIEGO VELÁZQUEZ
Retrato de Inocêncio X
c. 1650

9.5.17

Deamblogações matinais


Isto, juntamente com a app da Emel, é a melhor invenção que eu já experimentei. É tão bom que até parece mentira. Uso e, talvez, abuse...

8.5.17

Escritos

Receita de Mulher

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul,
como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar as pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteia em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37º centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.


Vinicius de Moraes

5.5.17

When I look at you


it all comes down to my guts

LCD Soundsystem - call the police



Mais uma surprise release às 00h00 de hoje. Parte do que será o próximo (grande?) album.

3.5.17

Battleme

24.4.17

Escritos

"O consumismo é a porta para o futuro (...). As pessoas acumulam capital emocional, tanto como dinheiro no banco, e precisam de investir essas emoções numa figura de liderança. Não querem um fanático autoritário aos gritos numa varanda. Querem um apresentador de televisão, sentado com um painel de convidados no estúdio, a conversar calmamente sobre o que importa realmente na vida delas. É uma nova forma de democracia, onde votamos no balcão de pagamento em vez de na urna de voto. O consumismo é o instrumento mais fantástico que alguém já inventou para controlar as pessoas. Novas fantasias, novos sonhos e aversões, novas almas para curar. Por uma razão peculiar qualquer chamam a isso "fazer compras". Mas na verdade é a forma mais pura de política. (...)".

J.G. Ballard, Reino do Amanhã, Quando o consumismo é o novo fascismo

19.4.17

Deamblogações vespertinas


Acima está o logo da campanha recentemente lançada no Reino Unido pela dismistificação do sofrimento mental, como seja a depressão e os distúrbios de ansiedade, mas também de formas mais graves de doenças mentais (que o que, propositadamente, chamei "sofrimento mental" também é). A entrevista feita ao Príncipe Harry é fantástica. Ele fala, sem qualquer pudor e como se fosse um qualquer plebeu - e de certa forma é -, do sofrimento que conteve durante 20 anos e que lhe foi causado pela morte da mãe. Mas há outros exemplos para além deste.

Admiro uma sociedade que se propõe abordar este tema desta forma.





18.4.17

Diálogos

- Quando já pensavas em mim?
- Já pensava em ti desde sempre, desde que me conheço como sou e penso.
- E quando isso acabar, que pensarás mais, se é que mais irás pensar sobre mim?
- E quando isso acabar irei pensar no que pensava quando te tinha sempre no pensamento.
- Mas, diz-me, vai acabar um dia?
- Tudo o que começa tem um fim, porque só assim a vida renasce e se perpetua.

5.4.17

Deamblogações nocturnas

As imagens de crianças e adultos a lutarem para respirar no recente ataque químico de Assad são absolutamente intoleráveis.

28.3.17

Amor combate


24.3.17

Escritos

Lido num contrato:

"(...) as partes devem tonificar-se entre si (...)" em vez de "(...) as partes devem notificar-se entre si (...)"

Que maravilha de t(r)oca...

The Beach Boys - Don't Worry Baby

20.3.17



Pormenor de Nighthawks de Edward Hopper

18.3.17

Deamblogações nocturnas III

E acaba assim...

Well you didn't wake up this morning 'cause you didn't go to bed
You were watching the whites of your eyes turn red
The calendar on your wall was ticking the days off
You've been reading some old letters
You smile and think how much you've changed
All the money in the world couldn't buy back those days

Deamblogações nocturnas II

E pur si muove.

Sempre. Em todos os sentidos e direcções, sem olhar às causas nem aos resultados.

Olha o gajo: Stranglers, Always The Sun.

É o que é. Nada a fazer.

Deamblogações nocturnas

Já não consigo escrever. Tenho pavor do fracasso e da ridicularia do óbvio. Mesmo isto é óbvio e ridículo. Para além de sentido por todos os que acham que até têm alguma coisa para dizer. Grande merda. Sinto que não tenho nada cá dentro que valha a pena e, no entanto, tenho tanto por dizer. Idolatro os que conseguem exprimir-se sem vergonha nem preconceito. O pior é que estou convencido que acho que não sou preconceituoso. Mais vergonha...
Tropecei no A, B, C e X, pessoas perfeitamente antagónicas e com um enorme mundo a separá-las, e sinto-me ridículo e óbvio, esmagado perante elas, todas essas pessoas com quem me cruzo por acaso numa esquina de leitura qualquer. Vêem? Mais uma merda duma expressão gasta e sem qualquer inventividade.
Oiço o Lloyd Cole e, literalmente, bebo de inveja. E digo de mim para comigo: "Não, espera, este gajo é o maior, tens de baixar a fasquia.". Ok, baixo (talvez ligeiramente) a fasquia. Então dou por mim a ouvir The The em The Uncertain Smile e penso, francamente e sem pejo, "olha que foda-se! Isto estará mais ou menos assim ao alcance de qualquer mortal com dois dedos de testa?" Mas então isso significa que eu não tenho testa ou que não sou mortal?... Fuck! Esquece pá, isto é só o que NÃO sabes fazer. Nem música nem letra. Dedica-te ao trabalho e aos filhos. E é bem bom, olha ó catano.
Mais dois copos prá viagem, com o tempo mental a carcomer-me os (poucos?...) miolos, e aposto comigo que vou baixar ainda mais a fasquia. Ok? Ok. Ok... segue-se o Fine Young Cannibals no Johnny Come Home. Aí penso, olha que giro, estes gajos até eram mais ou menos normais e, no entanto, nunca conseguiria fazer isto. Ou conseguiria? É só insegurança?... não me parece.
O sacana do motor do YouTube, aliado que está às estrelas do dia de hoje (que estão comigo nutra mim desde bem cedo de manhã) mete o Joy Division no Love Will Tear Us Apart. O que é que faço? Mato-me? Esgano-me? Talvez opte pelo tinto e continue de olho na febre do mais novo, eu que já não tenho Ben-U-Ron e o cabrãozão não está a reagir ao bendito Brufen. Que é que faço? Pá, confio na providência e no conselho que sempre dou aos amigos mais novos: "não são os primeiros nem serão os últimos a passar por isto". Siga.
O motor do YouTube mete o The Cure no Inbetween Days e é então que vacilo: dancei isto pela primeira vez há 30 anos e hoje tenho menos na mona do que então. Então, então, tinha um universo na cabeça enquanto dançava ao ritmo do Smith. Hoje talvez apenas chore, olha o catano. E me lembre do viço dos 15. Nada mau rapaz.
Nisto aparece o mais novo com os olhos a brilhar da febre. Estes olhos que eu como com amor, este mais novo que é só o mais novo porque não fica atrás de nenhum dos outros em Amor e carinho, que me arrefece com esta febre dele, a febre que não baixa com o Brufen que é a única coisa que tenho em casa. Fuck...
O motor do YouTube continua a fazer das suas. Passou para Cult no She Sells Sanctuary. Traz-me só à memória os 15, 16, 17, 18, 19, 20 anos. Coisa pouca. YouTube cabrão. Queres lixar uma noite que já está lixada há muito? É isso? Não batas mais no ceguinho pá, entre estar com a auto-estima em baixo e um filho doente (e sem remédios), não há muito mais que leve ao atiranço da Ponte Salazar (desculpe?!, importa-se de repetir?...)
Fuck, estou sem imaginação. Nem vale a pena tentar complicar um pouco. Só dá realismo episódico, quanto ao mais, estamos conversados.
Entretanto, para registo, vou vomitar. O motor do YouTube escolheu o Men @ Work no Down Under. Fonix. Não havia uma Mádonna para aninhar o sono? Caramba.
Já venho.

Entretanto...

Beijo (na face) do Lloyd Cole. Vários, mas pode ser o clássico Jennifer, porque nunca conheci uma Jennifer que valesse o esforço. E o inglês do Concord College.

16.3.17

Trump Tower


ANGEL BOLIGÁN
O Narcisista
"El Universal", México, 2017

10.3.17

Prefab Sprout

6.3.17



CHRIS von WANGENHEIM
Marina Schiano
1976

2.3.17


1.3.17

Escritos

Nem sempre o urgente é o mais importante.

24.2.17

Escritos



AQUI

20.2.17

In memoriam

17.2.17

Magistral


13.2.17

Polivalência funcional


Escritos



7.2.17

6.2.17

Eutanásia

Sim à eutanásia porque:
  • devemos poder dispor das nossas vidas desde que estejamos em condições psíquicas para o decidir;
  • num Estado laico, não é admissível que o mesmo se imiscua em decisões de natureza confessional ou para-confessional, como é o caso da eutanásia em que um dos grandes argumentos contrários é o facto de o ser humano não poder dispor da sua própria vida, uma vez que a mesma deve ser determinada pelo plano divino;
  • a compaixão - de resto também proclamada pela Igreja Católica - não só não é incompatível com uma decisão destas, como é a que obriga em alguns casos que ela seja tomada;
  • a eutanásia NADA tem que ver com o aborto porque é evidentemente diferente falar-se de alguém que sofre em vida ou de alguém que ainda não nasceu e que não tem qualquer tipo de intervenção na decisão que tomam por ele (excluo os casos borderline de deficiências legitimadoras da decisão abortiva);
  • ninguém deve decidir sobre a vida de outrem, desde que estes se encontrem lúcidos (antes ou no momento da decisão) e tenham consciência exacta da decisão que tomam.

27.1.17

Acordo Ortográfico

Conclusões da Academia das Ciências de Lisboa AQUI.

Desire - Under Your Spell

23.1.17

sound + vision: Os "factos alternativos" de Trump

sound + vision: Os "factos alternativos" de Trump: Trump, 2017 + Obama, 2009 FOTO: DN Em tempos de tantas imagens, as mais variadas especulações seriam, talvez, inevitáveis perante a comp...

19.1.17

Escritos


 
   

Hoje sinto-me como naqueles dias em que se perde alguma coisa importante, em que se deixa algo ou alguém para sempre, mesmo que esse para sempre não seja para sempre. Hoje é o último dia dos Obama na Casa Branca, no que tem sido um lento adeus desde as últimas eleições.
Embora sempre tenha acompanhado a vida política no EUA, confesso que nunca senti qualquer empatia especial por qualquer dos presidentes. Sim, é verdade que Reagan (a minha memória sólida mais antiga) era bem mais amistoso do que Bush pai e que Bush filho fazia corar de vergonha quem tinha conhecido Bill Clinton, mas genericamente nunca senti qualquer afecto (o termo é este) por qualquer presidente dos EUA. Até Obama. Não foi só (nem sequer) a questão de ele ser o primeiro negro a ser presidente, nem tão pouco ele ser simpático, nem o facto de ser democrata e - pasme-se! - ter vindo a seguir a Bush filho. Nada disso. Foi a circunstância de parecer uma pessoa normal (não, não é o "normal" do Hollande, que é tudo menos normal). Ele, a mulher, as filhas. E mesmo que tenham seguido todo o guião que se conhece: foram para a Casa Branca, tiveram um cão, apareceram fardados e desfardados, em pose ou descontraídos. É verdade, tudo isso, mas tudo isso faz parte da função e, apesar disso, sempre me pareceu uma gente normal, boa gente, com boas intenções, com valores, com afectos. Sorriram, riram, choraram, zangaram-se, promoveram a concórdia, a amizade, a paz, a vida saudável, o diálogo entre os povos, a tolerância e mais uma série de coisas que qualquer pessoa normal e dotada de um quadro de valores saudável faria no lugar deles.
Já tenho saudades dessa empatia com a qual lidava sempre que via ou lia notícias. De certa forma, gente assim era um garante de alguma estabilidade no mundo porque, caramba, estamos a falar dos EUA! E como é importante ter gente normal por ali... Agora nem me apetece pensar no vindouro, apenas celebrar o quão bom foi ver aquela gente por ali. Gente que abraça e não tem medo dos sentimentos.
Hoje sinto que se acabou um tempo e vem aí outro, bem mais duro e mais perigoso. Se já não havia condições para a descontração, agora não há sequer para fechar os olhos. O que vem aí é pesado a sério.
Tenho, já, saudades dos Obama. Muitas. Tantas.

18.1.17

Rodriguez - Sugar Man

8.1.17

In memoriam


Parece que morreu aquele tio-avô da família que não era muito chegado mas estava sempre presente e, sobretudo, sempre havia feito parte da vida desde que nos conhecemos. É estranho porque é como se a vida fosse dificilmente equacionável sem ele, sem a sua omnipresença. É isso que sinto e nada tem de ideológico.

3.1.17

Une bonne année à tous


22.12.16

Escritos


Há uns dias, MEC queixava-se, na sua crónica diária do Público, das mensagens electrónicas de Natal das lojas, marcas, etc. que recebia por esta altura como se lhe fossem dirigidas - especialmente a ele, MEC - e como se o remetente estivesse francamente preocupado em dar-lhe as Boas Festas.
O engraçado disto é que não é preciso ser-se uma figura pública como MEC para se ser destinatário deste tipo de lixo informático. Porque é o que é: lixo informático. Talvez até mesmo só: lixo. Tenho, nos últimos dias, sido inundado de mensagens que, não sei como, fintam o spam que procuro ter sempre bem activo, e me desejam "Bom Natal e Festas Felizes na nossa companhia", "Festas Felizes e um Ano de 2017 cheio de [produto da marca] na nossa companhia" e outros mimos do género, todos eles bastante irritantes e bastante vazios de sentido.
Finalmente, hoje, das primeiras coisas que me chegaram à caixa do correio foi mais uma dessas mensagens a dizer o seguinte: "Desejamos-lhe as mais sinceras Boas Festas! 🎄 Queremos voltar a contar consigo em 2017!". Temos, pois, aqui vários aspectos, diria, novos. Primeiro a utilização do superlativo: não são só as (sinceras) Boas Festas, são "as mais sinceras Boas Festas". É, evidentemente, toda uma enorme diferença. Por outro lado, também não é só o desejo de Boas Festas, porque isso já era, são "as (mais) sinceras Boas Festas". É que desta vez, eles não estão mesmo a brincar nem a gozar comigo - como, por oposição, deverão estar todas as restantes marcas que enviam mensagens deste tipo -, querem mesmo, mesmo, mesmo desejar-me as Boas Festas, num exemplo perfeito de proximidade, cuidado e - porque não? - amizade. Adiante não falta o pinheiro de Natal, o que, convenhamos, não é propriamente uma novidade e, por fim, o "gancho" comercial: "queremos voltar a contar consigo em 2017". Ora, já cá faltava! Afinal, afinal, não são só os desejos "sinceros", aliás os "mais sinceros", que eles querem dar, mas sim "enganchar" o pacóvio do cliente na continuação de uma relação comercial que lhes é, evidentemente, proveitosa.
Enfim, lixo.
Por tudo isto, e depois de reflectir bem, decidi não enviar mais postais de Natal electrónicos impessoais, apenas com uma mensagem do escritório, tal como fiz nos últimos anos. Das três uma: ou não envio nada (o mais provável, tendo em conta que não terei tempo para personalizar tudo o que queria), ou envio um postal electrónico personalizado, ou, finalmente, envio um postal a sério com alguma coisa escrita pelo meu punho. Lixo electrónico e indiferenciado nunca mais.

20.12.16


16.12.16

Personalidade do ano