16.2.12

Deamblogações vespertinas

O homem ali fica ao sol, enquanto o sol dura e é forte, forte na fraqueza dos sóis de Inverno, fortaleza essa que tem a fugacidade de um escasso par de horas. Mas ali fica ao sol, a aquecer os ossos que enregelam nas outras horas do dia. Credor da bondade alheia, tapa-se com coisas que lhe vão dando. Mas é sempre senhor do seu nariz e mesmo quando lhe dão essas coisas, olha com um olhar altivo.
Gosto dele. Especialmente quando está a ler, sentado no chão que é seu, mais do que nosso.

Preocupações vespertinas

Já vamos nos 14%. Tal como referi no último post relativo a esta questão, não me interessa ganhar nada, até porque é evidente que só se perde. Perdem os desempregados em primeiro lugar, mas perde igualmente o país. E muito.
Os números são todos eles maus: é a pior taxa de sempre desde que existem estatísticas (mesmo desde os anos 50 quando o Banco de Portugal já as fazia e utilizava um critério de desemprego mais lato do que o actual), é a pior taxa de desemprego jovem e é a pior taxa do desemprego de longa duração. Não há volta a dar. Estaremos nos 15% não tarda mesmo nada, disso, infelizmente, não poderão restar muitas dúvidas.

15.2.12

Piadas matinais

Eu sei que a senhora já morreu e que normalmente não se goza com os mortos. Mas isso é só e apenas uma forma de pudor muito mal disfarçado porque na verdade nada impede que se goze com quem se gozava, da mesma forma que deve continuar a criticar-se quem em vida merecia críticas e a elogiar quem dos elogios era credor. Assim sendo, aqui vai:
O que é que disseram os pulmões da Whitney Houston mesmo antes de morrer, quando estavam a ser inundados de água?...
- Houston, we have a problem!

(riso alarve)

14.2.12


Deamblogações matinais

Hoje é aquele dia em que qualquer mortal bem intencionado deve evitar ir jantar a um restaurante (a não ser, talvez, os muito caros, tendo em conta o correr dos tempos), porque só se vêem casalinhos irritantes a comemorar. Apesar de não fazer mal a uma mosca, é cá uma praga...

13.2.12

Perplexidades vespertinas


Estou perplexo como há muito não ficava. Não tenho bem palavras para descrever o que sinto com a notícia do despedimento do Domingos do Sporting. Esta Direcção mostrou com esta atitude que não privilegia o Sporting: se a saída foi acordada era isso mesmo que deveria ter vindo a público, assim evitando o ónus à Direcção de assumir o odioso perante os adeptos (que, indiscutivelmente, se virarão contra ela); se de facto despediu o treinador, é evidente que fez mal porque não se constrói um projecto passados 7 meses e 19 jogadores. Qualquer das duas opções demonstra irreflexão e lesão séria dos interesses do clube. Em terceiro, e como se já não bastasse, a vinda do Sá Pinto é de um populismo atroz. Como tem as claques na mão e é tido como grande sportinguista, tenta-se calar os adeptos, comprando-os com a opção. A mim não me compram, até porque se tive algum apreço pelo jogador, não tenho nenhum pela pessoa e pela forma desabrida e irreflectida como actua nas mais diversas situações.
Como se diz em linguagem futebolística, Domingos és grande.
Como eu sei que vou sofrer tanto por te ver sentado no banco dos visitantes a treinar o fcp...

Regra e esquadro



O que está a acontecer na Grécia é, à falta de melhor qualificativo, inacreditável. Ponhamos as coisas simplisticamente como elas são: um país viveu sempre (sublinhe-se o "sempre"), e sempre até por razões históricas, de determinada maneira. E essa maneira era não pagando impostos, com uma economia paralela incomensurável e criando défices atrás de défices. A certa altura, esse país foi admitido na então CEE e mais tarde no Euro. Primeiro motivo para espanto. Tudo continuou como dantes, quartel-general em Abrantes. O país e os seus cidadãos continuaram a gastar o que não tinham, a não pagar os impostos que deviam e a fazer florescer a economia paralela. Segundo motivo para espanto. Tudo isto sem que as autoridades europeias responsáveis pela moeda única alguma vez dissessem que era preciso mudar estruturalmente o estado das coisas. Terceiro motivo para espanto. Vem a crise. Na verdade, as crises. De repente percebe-se como tão facilmente a casa pode vir abaixo, arrastando atrás de si muita, mas mesmo muita coisa e, desse modo, criando um caos de consequências inimagináveis. Só então isto começou a ser visto como plausível. Quarto motivo para espanto. Pois, então, foram uns senhores das instâncias regulatórias financeiras internacionais para o tal país, traçar a regra e esquadro um plano de salvação. Salvação nacional do dito país? Não. Salvação de todos os outros países da UE, salvação da própria moeda europeia. Quinto motivo para espanto. Esse primeiro plano não funcionou e tudo continuou na mesma nesse país, porque esse país jamais aceitou as medidas que quiseram impor-lhe, porque esse país vive endemicamente de uma forma que não é compatível com as regras financeiras estritas da UE. Mais arruaça menos arruaça (e foram muitas as arruaças que entretanto tiveram lugar), chegou-se à conclusão que teria de haver um segundo plano, sob pena da enxurrada levar tudo atrás. Isto, relembre-se, muitos milhares de milhões de euros depois. Sexto motivo para espanto. Chega-se a agora e o agora é um plano de cumprimento absolutamente inimaginável. E inimaginável não por tudo o que se disse antes e porque se trata da Grécia, mas porque seria inimaginável em qualquer país do mundo, num mundo civilizado e democrático em que, no fim de contas, a população tem alguma coisa a dizer sobre o que pretende para si própria e, em última análise, pode decidir sofrer da maneira que bem entender. Ora, o que acontece neste preciso momento com a Grécia é que o que se prepara para a sua população é, talvez, das maiores reviravoltas da História, não apenas em termos da sua vida diária e dos seus costumes, mas da própria cultural e da vivência política, social e económica. Que se escreva e anote que isso não é possível por decreto, não é possível porque uns senhores quiseram impô-lo a regra e esquadro, sem atender às milhões de situações dramáticas que iriam criar, às centenas de milhares de emigrações, à fome, à miséria, à perda de esperança numa vida inteira (e não apenas num futuro mais ou menos breve) de um povo inteiro. Isto não é admissível nem aceitável e é bom dizê-lo.
A UE está a perder todos os dias apoio, o pouco apoio que ia tendo junto dos seus cidadãos. Se existe um espírito e uma identidade europeus, eles têm de ir ao encontro dos gregos. Porque hoje são os gregos, o que só por si seria relevante, mas amanhã no seu lugar estão os portugueses, os espanhóis, os italianos. Chega.

10.2.12



Revejo muita gente aqui...

9.2.12

Deamblogações matinais

Eu sei que é um exemplo estafado, o da Autoeuropa. Mas não resisto: quando está quase tudo a ruir à nossa volta, quando o mercado de trabalho está a lástima que está, e a piorar, quando quem tem emprego recebe cada vez menos, eis a Autoeuropa que vai pagar 938 euros a uma larguíssima franja dos seus trabalhadores, em função dos resultados obtidos. Não foram 100% atingidos, mas segundo a notícia "apenas" 58%. Em todo o caso, não é isso que interessa. O que interessa é que, depois de um ano de trabalho, a lutar contra a maré, contra a crise, e no âmbito de um acordo de empresa bem feito que junta empregador e trabalhadores no mesmo barco, fazendo-os remar para o mesmo lado (sem, contudo, abdicarem de defender mutuamente os seus pontos de vista), eis que recebem um pouco mais do dobro do salário mínimo como prémio.
O que eu pergunto é o seguinte: não haverá porventura quem compreenda que ali mora um bom exemplo do que podia ser exportado para o resto do país? A culpa não é só dos trabalhadores e dos sindicatos. A culpa é de que em governa e não tem a humildade (sim, humildade) e, já agora, a decência, de tornar obrigatório a utilização de mecanismos mais flexíveis que vão ao encontro de um ponto médio dos interesses de empregadores e trabalhadores.
É espantoso.

8.2.12

Pieguices vespertinas

Piegas? Pieguices? Quem é que é piegas? Quem? O primeiro ministro? O líder da oposição? Os membros dos outros partidos? Os credores de Portugal? Os devedores portugueses? Os que viveram muito acima das suas possibilidades durante anos e anos? Os que preferiram e continuam a preferir enganar-se a sí próprios e aos seus e a "jogar ao Carnaval" em vez de fazerem alguma coisa de útil? Os que consideram que, apesar do estado de desespero em que Portugal está (bem sei, não sabem que Portugal está num estado de desespero...), acham normal gastar-se várias centenas de milhares de euros em corsos carnavelescos do mais piroso que há, contratando meninas brasileiras que, não fosse o tempo frio, o nome das terras em que actuam (Ovar, Torres, etc.) e as gordas que as rodeiam e que as tentam, em vão, imitar, poderiam pensar que estavam na sua terra natal?
Passos tem toda a razão. Toda. Somos piegas sim senhor. Fomos, somos e continuaremos a sê-lo. Cada vez menos, é certo, porque aquilo que temos e que podemos perder é cada vez menos e isso faz com que tenhamos cada vez menos pena de perder o pouco, tão pouco, com que ficamos.
Piegas? Essa agora?! Ó Senhor primeiro ministro, francamente...

4.2.12

Evidências nocturnas

"(...) The unemployment figures paint a similar dichotomy - one that should worry European leaders. Lengthening dole queues in southern Europe may presage social discontent. Since unemployment can lead to a process of diskilling, there is a risk that the recession might have long-term consequences for the productive capacities of these economies. One solution would be to encourage the relocation of labour across Europe's single market. The shortage of skilled workers reported by a growing number of German companies provides an opportunity for many Portuguese ans Spanish unemployed. A proposal before the European Union to foster cross-border apprenticeship schemes is therefore welcome. More should also be done at the national level. Many of the struggling countries are afflicted by two-tier labour markets, where ultra-secure, tipically older workers live alongside vulnerable, temporary ones. These arrangements are unfair and inneficient, as they often oblige employers to retain less productive workers at the expense of more productive ones. These structures are crying out for reform. (...)" Financial Times, 4/2/2012

3.2.12

Pedrada no charco

É o que é a decisão de Vasco Graça Moura ter dado instruções dentro do CCB para não se utilizar o Novo Acordo Ortográfico. Fico muito satisfeito com esta notícia e algo curioso para saber se a mesma terá ou não repercussões noutras entidades de natureza pública, as quais estão por decreto obrigadas a aplicar esta patetice.

31.1.12

13,6% and counting...

13,6% é o novo número da taxa de desemprego "oficial" em Portugal.
Eu disse que chegará provavelmente aos 15% e que, em todo o caso, ultrapassaria os 13,4% previstos pelo Governo para este ano, como aliás já sucedeu (relembro que estamos apenas no final do primeiro mês do ano).
A minha intenção não é, naturalmente, a de ter razão quanto a isto. Quem me dera estar enganado e por muito. A minha intenção é apenas a de desvelar o erro (que eu reputo de grosseiro) dos números com que o Governo trabalha e com que faz previsões, desse modo determinando políticas públicas que estão votadas ao mais completo fracasso.