"O problema ideológico do PSD é simples de expor: o PPD, depois o PSD, foi fundado de uma forma sui generis, à portuguesa, combinando três tradições políticas: o liberalismo político, o personalismo de origem cristã e a social-democracia. Pretendia ser um partido defensor das liberdades e da democracia, um partido laico que incorporava uma visão do homem como “pessoa”, mais do que como cidadão, e pretendia que o Estado tivesse no seu coração a ideia de que a sua função era, entre outras, a de garantir a solidariedade social a favor dos que mais precisavam, distributivo e actuante em termos da justiça social. Era anticomunista, mas não era anti-socialista, não era conservador, nem economicamente liberal, era a favor do mundo do trabalho e da dignidade do trabalho, na tradição da doutrina social da Igreja, defensor de um sistema fiscal fortemente distributivo e colocava-se entre o centro-direita e o centro-esquerda. Estava mais à esquerda, oscilava para o centro e para a direita, mas nunca, jamais, em tempo algum, se definiu como partido de direita. Até agora."
JPP, aqui
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3.10.17
5.2.16
Deamblogações nocturnas
Não sei bem o que diga, mas realmente a desesperança por uma mudança de cultura política é enorme. Basta ver as reacções do Governo e da oposição ao projecto de OE para se perceber que muda o discurso consoante muda a posição em que se está. Parece um discurso simplista e tornou-se um lugar comum, mas, francamente, qual é a diferença entre o PS estar no governo e o PSD e CDS na oposição? Seria diferente se fosse ao contrário? A resposta é evidente: não! É rigorosamente igual, sempre a mesma lenga-lenga. Quem está no governo defende a sua dama e recusa aceitar que são sempre os mesmos - sempre os mesmos! (a classe média) - que suportam as permanentes derrapagens orçamentais, enquanto que quem está na oposição acusa quem está no governo de castigar sempre os mesmos. Esquizofrénico? Sim, claro. E muito.
Já nem falo dos delirantes-delinquentes PCP e BE que também mantêm o discurso sejam quais forem as circunstâncias.
Quando o cansaço aperta - e neste momento aperta - a desesperança instala-se e corrói. Dou por mim a pensar bilingue de forma obssessiva: TINA. NHA. TINA. NHA. TINA. NHA. TINA. NHA. TINA. NHA. TINA. NHA. TINA. NHA. TINA. NHA. There is no alternative. Não há alternativa. Neste momento, sinto-me derrotado por este sistema que comprime os direitos e premeia os mentirosos,
Desespero por uma mudança política que traga pessoas que falam verdade, que não tentam enganar os eleitores, que respeitam valores democráticos. Francamente, não tentem convencer-me que Costa tentou uma ruptura. Se calhar quis tentar, mas não conseguiu. Soçobrou como todos os outros.
Há muitos anos (já), falou-se no pântano. Pois este pântano é fundo e viscoso. Mal lá entrámos, deixámos de andar, ficámos com os pés presos ao fundo. Tudo fede, tudo custa e não se vê a outra margem.
23.4.15
Deamblogações vespertinas II
Eu que ando há já algum tempo a praticar sentir em vez de pensar, o que sinto é uma espécie de enjoo por aquilo que se vai passando na vida política portuguesa. Entre Sócrates, a sua prisão, as manifestações, os recursos absurdos e as declarações de ódio do próprio, passando pelas acções de propaganda do Governo relativamente aos números do crescimento, do défice, dos impostos e do desemprego, vendo as propostas do PS que parte de números absurdos de crescimento e de outros pressupostos que nunca se irão verificar, até à miséria que revelam os inúmeros processos judiciais pendentes relativamente a diversos (muitos!) actores políticos nacionais.
Isto tudo enjoa-me, deixa-me sem alento, sem esperança num futuro mais risonho para os nossos filhos, porque sei que, não apenas nós mas eles também, andaremos todos a pagar o que uma clique fez e desfez ao longo de anos de pagode. Foi mesmo isso: um pagode para uns quantos, a miséria para muitos e um lento decair para a maioria. E continua a ser assim.
É por isso que me tenho deixado deixar de escrever aqui, à falta de vontade de puxar pela cabeça e ver o que me interessa no meio deste lodo pardacento em que vivemos, se é que há coisas que interessem. Olho, por exemplo, para as eleições e só vejo declarações patéticas do PSD/CDS, do PS e dos outros partidos e movimentos que pululam por aí, sem qualquer expectativa positiva sobre o que aí vem, porque, vindo alguma coisa (há sempre um fungo oportunista que ocupa o espaço livre... nem que seja o que foi deixado por si próprio), ela não há de ser melhor do que o que hoje existe. É mais do mesmo, ainda que sob uma outra forma, outra capa, outro nome. Mas do mesmo, sem dúvida.
E tudo isto me deixa cansado e desinteressado. E assim continuo, vamos ver por quanto tempo.
26.5.14
Deamblogações vespertinas
Não acompanhei a campanha eleitoral, não vi os insultos entre os candidatos, não vi os comentários anteriores e posteriores à eleição. Apenas fui votar e vi hoje os resultados.
E sobre estes, acho que há conclusões várias a tirar:
1. a coligação perde mas sai ganhadora por não perder tanto como se estava à espera;
2. o PS (e Seguro mais do que qualquer outro) ganha mas sai perdedor por não ganhar tanto como se estava à espera;
3. a CDU afirma-se como a terceira força nacional e mantém-se firme como o aço;
4. Marinho e Pinto vai começar em futuras eleições a ser disputado pelos partidos porque já se viu que é absolutamente indiferente ele estar no MPT ou noutro qualquer partido (o Beppe Grillismo chegou finalmente até nós) porque o que ele quer e do que gosta é de poleiro para poder vomitar alarvidades com aquele tom que lhe é característico - aliás, já deu a entender que poderá não cumprir o mandato de deputado europeu para se candidatar à AR, o que não deixa de ser extraordinário e muito elucidativo do que o que o faz correr;
5. a Rui Tavares saiu-lhe o tiro pela culatra porque não apenas conseguiu a magia da pulverização do voto à esquerda do PS, como não ser eleito, o que constitui quanto a mim o maior lamento destas eleições;
6. o BE irá desaparecer se continuar nesta senda (e nada diz que não vá continuar).
A nível internacional, Farage e Le Pen (mas há outros) têm razões para estar felicíssimos: o primeiro conseguiu intrometer-se entre Tories e Labour pela primeira vez em 114 anos de história, ao passo que a segunda ganhou e arrasou pateticamente os partidos moderados, com Hollande à cabeça.
Esta viragem radical não antecipa nada de bom e faz-me temer pelo futuro europeu tal como ele foi construído até há uns anos atrás. Esperava-se, pois, que os principais actores europeus percebessem isto e tudo começassem a fazer para o impedir, mas, pelas declarações de Juncker quanto à sua indicação pelo PE para candidato a presidente da Comissão e a resposta de Schulz, já se percebeu que os interesses andam longe dos dos cidadãos moderados europeus.
Realmente existe aqui um problema: por mais que queiramos achar que o que se decide nas instâncias europeias nada tem que ver connosco, não pode essa reflexão estar mais afastada da realidade. Não apenas tem e muito, como é cada vez mais determinante. E é precisamente essa a questão. É que a vida de cada um de nós é mais afectada pelo Dr. Marinho e Pinto lá longe do que seria (será?) na AR. Apesar de assim ser, apenas 35% das pessoas votaram, numa claríssima demonstração de indiferença misturada com descontentamento. Ambos são, claro, sentimentos legítimos, assim como o é a forma de serem demonstrados (no caso, com a omissão de um comportamento), mas isso vai sair-nos muito caro. E não é porque nos custe mais défice, mas sim porque está hoje francamente em causa o modelo de sociedade civilizada e pacífica que fomos conhecendo desde a grande guerra.
A factura das fracturas políticas e sociais não tarda a chegar. E não vale a pena ir para o Rock in Rio fingir que está tudo bem. Não está. Está quase tudo mal.
E sobre estes, acho que há conclusões várias a tirar:
1. a coligação perde mas sai ganhadora por não perder tanto como se estava à espera;
2. o PS (e Seguro mais do que qualquer outro) ganha mas sai perdedor por não ganhar tanto como se estava à espera;
3. a CDU afirma-se como a terceira força nacional e mantém-se firme como o aço;
4. Marinho e Pinto vai começar em futuras eleições a ser disputado pelos partidos porque já se viu que é absolutamente indiferente ele estar no MPT ou noutro qualquer partido (o Beppe Grillismo chegou finalmente até nós) porque o que ele quer e do que gosta é de poleiro para poder vomitar alarvidades com aquele tom que lhe é característico - aliás, já deu a entender que poderá não cumprir o mandato de deputado europeu para se candidatar à AR, o que não deixa de ser extraordinário e muito elucidativo do que o que o faz correr;
5. a Rui Tavares saiu-lhe o tiro pela culatra porque não apenas conseguiu a magia da pulverização do voto à esquerda do PS, como não ser eleito, o que constitui quanto a mim o maior lamento destas eleições;
6. o BE irá desaparecer se continuar nesta senda (e nada diz que não vá continuar).
A nível internacional, Farage e Le Pen (mas há outros) têm razões para estar felicíssimos: o primeiro conseguiu intrometer-se entre Tories e Labour pela primeira vez em 114 anos de história, ao passo que a segunda ganhou e arrasou pateticamente os partidos moderados, com Hollande à cabeça.
Esta viragem radical não antecipa nada de bom e faz-me temer pelo futuro europeu tal como ele foi construído até há uns anos atrás. Esperava-se, pois, que os principais actores europeus percebessem isto e tudo começassem a fazer para o impedir, mas, pelas declarações de Juncker quanto à sua indicação pelo PE para candidato a presidente da Comissão e a resposta de Schulz, já se percebeu que os interesses andam longe dos dos cidadãos moderados europeus.
Realmente existe aqui um problema: por mais que queiramos achar que o que se decide nas instâncias europeias nada tem que ver connosco, não pode essa reflexão estar mais afastada da realidade. Não apenas tem e muito, como é cada vez mais determinante. E é precisamente essa a questão. É que a vida de cada um de nós é mais afectada pelo Dr. Marinho e Pinto lá longe do que seria (será?) na AR. Apesar de assim ser, apenas 35% das pessoas votaram, numa claríssima demonstração de indiferença misturada com descontentamento. Ambos são, claro, sentimentos legítimos, assim como o é a forma de serem demonstrados (no caso, com a omissão de um comportamento), mas isso vai sair-nos muito caro. E não é porque nos custe mais défice, mas sim porque está hoje francamente em causa o modelo de sociedade civilizada e pacífica que fomos conhecendo desde a grande guerra.
A factura das fracturas políticas e sociais não tarda a chegar. E não vale a pena ir para o Rock in Rio fingir que está tudo bem. Não está. Está quase tudo mal.
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12.2.14
Deamblogações matinais
Alguém me explica como é que um partido reconhecidamente determinante na implementação e concretização da democracia portuguesa se deixa agonizar desta forma no caminho da irrelevância nacional? Alguém me explica como é que um partido reconhecidamente pluralista, que sempre conviveu, umas vezes melhor outras pior, com opiniões, ideias e credos diferentes, tem acabado com as dissonâncias internas na tentativa (tão irrealista quanto espúrea) de criar internamente uma só voz? Alguém me explica como é que um partido que sempre privilegiou a classe média, o povo honesto e trabalhador, a pequena burguesia trabalhadora, lhes virou costas, quiçá irremediável e definitivamente, abandonando uma das suas matrizes mais fundas e identitárias? Alguém me explica porque razão, numa súmula de tudo isto e ainda mais coisas, um partido como o PSD não se inibe de despedir (o termo é mesmo este) António Capucho? Como é que não percebe que isto é muito mais do que simplesmente despedir António Capucho? Que, com António Capucho, vão muitos outros militantes que se fartam, se cansam, entregam os cartões e viram costas pura e simplesmente? E outros não militantes que deixam definitivamente de acreditar, deixam de ter esperança que aquele partido em que um dia confiaram como defensor de muito do que acreditavam já de nada serve, apenas servindo os seus a seu modo?
O que acaba de acontecer é criminoso, não no sentido próprio, mas no sentido em que a purga que se vive dentro deste partido - que cada vez menos é o PSD para ser uma amálgama incolor de gente que tem agendas pessoais bem definidas - o fere de morte mais uma vez.
A mim dá-me tristeza. Vejo os meus filhos que não têm qualquer apego a qualquer dos partidos existentes. Um apego sequer parecido ao que eu tinha na idade deles. Não existem líderes carismáticos que se atravessem e tenham uma ideia bem construída sobre o país e o seu povo, que defendam intransigentemente quem trabalha, não como quem atira milho às galinhas só para as calar, mas porque conhece bem as ansiedades e os desesperos de quem tem contas para pagar.
Mas também me dá tristeza, não pelo partido em si, mas pela falta que o mesmo faz - e fará! - a Portugal e a todos nós.
Não há enxurrada que os leve. A estes que ali estão. A destruir e a semear o nada.
O que acaba de acontecer é criminoso, não no sentido próprio, mas no sentido em que a purga que se vive dentro deste partido - que cada vez menos é o PSD para ser uma amálgama incolor de gente que tem agendas pessoais bem definidas - o fere de morte mais uma vez.
A mim dá-me tristeza. Vejo os meus filhos que não têm qualquer apego a qualquer dos partidos existentes. Um apego sequer parecido ao que eu tinha na idade deles. Não existem líderes carismáticos que se atravessem e tenham uma ideia bem construída sobre o país e o seu povo, que defendam intransigentemente quem trabalha, não como quem atira milho às galinhas só para as calar, mas porque conhece bem as ansiedades e os desesperos de quem tem contas para pagar.
Mas também me dá tristeza, não pelo partido em si, mas pela falta que o mesmo faz - e fará! - a Portugal e a todos nós.
Não há enxurrada que os leve. A estes que ali estão. A destruir e a semear o nada.
4.7.13
Deamblogações matinais
A única saída decente, repito, decente, para esta crise é a convocação de eleições por parte do PR. Seria uma cambalhota absolutamente histórica a que Portas teria de fazer (vamos ver se o faz) para voltar ao governo. A paz, se é que de paz se pode sequer falar, seria mais do que podre e não existiriam condições para levar por diante qualquer das reformas (?) que têm de ser feitas para cumprimento do memorando.
O PR tem como única alternativa para si próprio e para a salvação do cargo (a dele já quase não é possível) a convocação de eleições. Só nesse quadro ele consegue garantir a legitimidade e a força necessárias para levar a que PSD, CDS e PS possam entender-se como há muito que é desejável.
11.4.13
Deamblogações vespertinas
"O PSD sempre colocou em primeiro lugar o primado da pessoa".
Manuela Ferreira Leite
Manuela Ferreira Leite
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