Mostrar mensagens com a etiqueta António Costa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Costa. Mostrar todas as mensagens

27.11.17

Deamblogações matinais



Parece-me lapidar a irresponsabilidade total do Governo em (mais) esta matéria. É populismo do mais básico que existe, sem se perder um só segundo a equacionar as aparentemente enormes desvantagens que há com a mudança da instituição para o Porto. Mas, ainda que as vantagens ultrapassassem os inconvenientes, seria alguma vez admissível que a chefe máxima do Infarmed fosse apanhada na curva, conforme aconteceu? Há vícios que nunca mudam, para mal de todos nós.

12.2.16

Escritos


Sinto-me no lodo neste momento delicado (mais um) da nossa vida política. Pergunto-me por que motivo António Costa entrou a pés juntos e desfez a única coisa intangível - e, por sinal, a mais importante de todas - na relação com os mercados: a confiança. Porque é que teve de ser anunciado que iriam ser repostas as 35h quando estão a ser feitos estudos sobre o impacto de tal medida, dando assim a ideia de que a mesma poderá nem avançar? Porque é que se teve de reverter o processo de privatização da TAP se o Governo não terá qualquer intervenção na gestão diária da empresa (e sim, apenas, em decisões estruturais)? Porque é que o salário mínimo teve de ser aumentado à pressa e com a promessa de o fazer subir até aos € 600,00 em 2019? Porque é que foram eliminados os exames das escolas? Eu sei que esta não é uma conversa bem quista, que não é popular, que todas estas medidas, assim como outras tantas, fazem parte de um pacote para repor direitos e regalias a que os portugueses têm, alegadamente, direito e sem os quais se sentem espoliados. Eu sei que até Pacheco Pereira afirma que querer o regresso de tudo isto não é querer demais, mas sim exigir o mínimo básico a que todos temos direito como povo que somos de uma verdadeira sociedade democrática. E também sei que o caminho que António Costa está a trilhar é visto por alguns - penso que por cada vez menos - como a vitória do primado da política sobre a finança, vergando esta a opções políticas que dimanam do voto democrático.
Só que... em primeiro lugar, acho discutível que se defenda que este OE é a tradução prática possível do que estava inscrito no programa do governo, uma vez que, simplesmente, tal programa... não era de governo, mas sim do PS que, relembremos, não ganhou as eleições e teve de transigir numa série de medidas a contento do BE e do PCP. Em segundo lugar, lamento dizer, e defender, que este caminho não é, de facto, legítimo. E não é porque Portugal, por muito que custe, deve - repito, deve - milhões e milhões de euros aos seus credores, sem que exista uma expectativa de os vir a pagar conforme se obrigou, se se mantiver numa trajectória de défice excessivo e com um crescimento simplesmente apático como se tem verificado. Eu também percebo que este é um argumento estafado e que há muita, muita gente que não gosta de ouvi-lo porque entende que o TINA não é bem TINA, mas um TINA à portuguesa, i.e., ok, é TINA mas dá-se um jeito porque ora se paga mais tarde, ora se vai pagando, ora se não paga. Afinal, não foi Sócrates que disse que a dívida não é para pagar, mas para ir gerindo?
Mas, meus senhores, não é bem assim. Do outro lado da mesa, os nossos credores não alinham bem neste nosso desenrasca do "parece TINA mas não é bem TINA". Do outro lado estão Estados soberanos, fundos de investimento, particulares e instituições bancárias para os quais o pagamento deve ocorrer a tempo e horas, porque não se trata aqui de nenhuma brincadeira e não há lugar a perdões ou adiamentos, a não ser, claro, que ganhem com isso. Assim sendo, moratórias e incumprimentos apenas agravarão o fosso e jamais aliviarão o esforço necessário.
Adoraria concordar com Pacheco Pereira e com todos aqueles que defendem que "há sempre alternativa" porque a democracia tem, em si mesma, esta beleza de permitir a escolha pela maioria do caminho que quer percorrer. Mas... e se não houver mesmo alternativa? Se o caminho percorrido até aqui pelo nosso país tiver estreitado de tal maneira as opções que impossibilita qualquer outra via que não a do cumprimento mais ou menos cego dos critérios do défice e do pagamento a tempo e horas das nossas obrigações creditícias?
"É a realidade, estúpido!", como dizia o outro, mas dizia-o bem, desgraçadamente bem, porque desconfio que há vezes em que, por mais que queiramos, não existem alternativas à realidade. Quando temos uma bateria de credores externos, todos alinhados e atentos ao nosso comportamento, e começamos a demonstrar querer arriscar. mesmo que legitimamente (e dou de barato que António Costa não tenha ganho as eleições), temos de aceitar que os mesmos não estejam dispostos a pagar o risco. E tudo se agrava quando o cenário macro-económico é cinzento em tons de negro e não augura nada de bom, porque aí é que os credores se tornam ainda mais intransigentes, sobretudo com os pequenos como nós.
É por tudo isto que me sinto mesmo revoltado, indignado e enganado. Enganado, sim, porque este governo prometeu-nos a todos acabar com a austeridade ("virar a página da austeridade", lembram-se? Como se isso fosse possível...) e, mesmo sabendo que tal era virtualmente impossível e correspondia a uma mentira, sinto-me enganado ao ver o ministro das Finanças afirmar com a maior desfaçatez que este orçamento não sobrecarrega as famílias, nem representa a continuidade de mais medidas austeritárias. É tudo mentira. Assim como é mentira que este orçamento não seja uma manta de retalhos talhado, à vez, pelo PS, pelo BE, pelo PCP e, finalmente, por Bruxelas.
E, sim, sinto-me enganado quando oiço dizer que "viemos repor" isto ou aquilo, "viemos restituir" isto ou aquilo, como se fossem os arautos da legitimidade democrática. Mas vieram repor e restituir o quê? As famigeradas 35 horas? Mas existe algum direito divino a que os funcionários públicos trabalhem 35 horas?!Não foi legítimo tomar a opção de os equiparar a todos os outros trabalhadores deste país? Repor o quê? A indisfarçável falta de motivo para reavivar uma desigualdade? Só se for.
Meus Caros, este lodo em que nos encontramos é bem pior do que o pântano de Guterres. Este lodo vai-nos sujar e aos nossos filhos e comprometer irremediavelmente o nosso futuro como povo independente, autónomo e democrático. Porque, a bem dizer, a democracia é liberdade. E a liberdade é, entre outras coisas, o compromisso. Ora, se este não for honrado, tudo o resto se desfaz. Desgraçadamente. É assim que estamos.

10.10.15

O leão ou o rei (?) da macacada



Eu cá acho que António Costa está a fazer-se caro para passar a mensagem de que é duro e sabe o que quer, quando na verdade, bem lá dentro, está aflito e completamente à toa com o que lhe aconteceu e ao PS.
Conversar com todos os partidos é próprio de uma pose de Estado do tipo querer parecer que se está a trabalhar arduamente numa alternativa credível, séria e duradoura para o país. Mas nada disso está verdadeiramente a acontecer. Costa levou uma sova como nunca imaginou nem nos seus piores pesadelos e sabe que nunca, jamais, a maioria do PS lhe perdoaria se alinhasse à esquerda com PC e BE, ou com BE sozinho. Ou estará ele a pensar que o poderia fazer e contar com o PàF para co-aprovar as matérias relativas à Europa, aos compromissos internacionais do Estado português e outras quanto às quais o bloco PC/BE estão assumidamente contra? Se o faz, é ingénuo à quinta casa. Mas nem sequer acredito nesta tese. Acredito sim que está a tentar demonstrar uma força que não tem nem nunca teve. Enganou foi bem e durante algum tempo, mas rapidamente se mostrou incapaz de assumir a liderança. Entrada de leão, saída de sendeiro...
O pior disto tudo é que acho que o PS, com Costa à cabeça e os militantes de base no fim, está acossado, encostado à parede, demolido por uma derrota que ninguém de bom senso há apenas 3 meses conseguia prever. E quando se está nesse estado, normalmente ressabia-se e é-se incapaz de reflectir lucidamente sobre as questões. Amua-se e vem ao de cima o "perdido por cem, perdido por mil".
Ora, se isto for verdade, e oxalá não seja, fará muito mal ao país. Todos nós precisamos de um Governo minimamente estável, que esteja em condições de tomar decisões e reerguer um pouco, por pouco que seja o pouco, o estado em que isto ficou.
Costa mostra que é um líder a prazo, ridiculamente a prazo. Prometeu muito e conseguir próximo de zero. Creio, aliás, que se há eleições que ficarão para a História, são estas: a coligação não ganhou propriamente falando, perdeu e bem, os tais 700 e tal mil votos de que tanto se fala, mas foi o PS que perdeu mais: perdeu porque não ganhou, perdeu porque não conseguiu capitalizar a enorme confiança de que era depositário há escasso tempo atrás, perdeu porque demonstrou indecisão, desconfiança, desnorte, falta de sentido de Estado, ausência total de profissionalismo na forma como encarou todos e cada um dos assuntos que assumiu como bandeiras eleitorais. Foi Costa e, por consequência, todo o PS que perdeu as eleições. Foi dali que saíram votos para o BE, o PAN, mas também o PCTP-MRPP, o PDR, o Livre e até o PNR. Todos estes partidos, mesmo os não eleitos, ganharam votos não apenas à custa da coligação - fortemente penalizada - mas também do PS, que não conseguiu atrair nem sequer uma parte determinante para lhe servir a maioria, nem que fosse a relativa. E tudo isto é uma derrota estrondosa.
Não, Costa não aguentará muito tempo e espanta-me que se preste a este número de saber (e sentir) que está a prazo e, não obstante, manter-se no lugar, literalmente, como se não houvesse amanhã.
O problema é que há. E devemos todos nós esperar que seja melhor do que o ontem e hoje. Mas não com este PS porque a sua liderança é pouco mais do que miserável.
Isto não é fazer a apologia da coligação - que não tem apologia possível - mas sim ver as coisas como elas são. Não é interpretar, é ver. Com olhos e sentidos alerta.

14.9.15

Resultado do fim de semana

Nos últimos dias, interpelou-me:

  • Jeremy Corbyn ter ganho a liderança dos trabalhistas ingleses. Alguém que tem como programa (i) sair da NATO, (ii) desnuclear o RU, (iii) pôr fim à austeridade, (iv) nacionalizar os caminhos de ferro, a água e a electricidade, (v) abolir as propinas universitárias, (vi) abolir os cortes nas prestações sociais do Estado e (vii) reforçar diversos apoios públicos, não é alguém em quem deva confiar-se demasiado para ter uma atitude sensata aquando do referendo sobre a permanência do RU na UE que irá realizar-se proximamente. Efectivamente, Cameron precisaria de um partido trabalhista comprometido com o projecto europeu para não correr demasiados riscos, o que não parece que vá acontecer. Ora, se o RU sai da EU por qualquer motivo, isso constituirá mais um seríissimo revés no projecto europeu que começa, mais do que moribundo, a ficar cadáver.
  • Ter visto uma exposição de fotografia no antigo hospital psiquiátrico Miguel Bombarda (encerrou em 2011) que retrata o dia-a-dia de alguns dos antigos internados. São fotografias antigas, a preto e branco, sorumbáticas, algumas delas medonhas, que mostram a profunda tristeza (e miséria?) daquelas vidas. Pessoas doentes, mal vestidas, sujas, feias, sozinhas, verdadeiramente alienadas do resto do mundo, era o que ali havia. Fiquei com a impressão de que a fronteira para o abismo pode estar aqui ao lado e nós não damos por isso. Pus-me a pensar no que tinha de acontecer e ser diagnosticado para uma pessoa ser internada numa instituição de alienados, tal como então se chamava ao hospital... Do que vi, embora sejam imagens congeladas no tempo e que podem não retratar fielmente a realidade que se vivia, acho muito difícil que alguém conseguisse recuperar alguma sanidade ali metido.
  • A (re)orientação jornalística relativamente aos resultados eleitorais. Há, parece, um período anterior ao debate (AD) e posterior ao debate (PD). Enquanto estávamos no primeiro, o PS estava em rota descendente e o seu secretário-geral não parecia capaz de aglutinar o partido e os simpatizantes em torno de um projecto ganhador e que gerasse confiança. Já depois do debate, tudo parece diferente e o mesmo António Costa parece outro, as pessoas à sua volta parecem outras e os jornalistas dão vivas de gáudio por isso. A comunicação social portuguesa é escandalosamente alinhada com a esquerda e, da mesma maneira que crema corpos vivos (nunca vi tamanha orquestração contra Santana Lopes quando era PM - e não o digo por gostar dele porque não gosto), exulta banalidades e não-factos como se de virtudes se tratassem. A verdade é que nada mudou depois do debate: nem programa de governo do PS, nem o secretário-geral, nem a equipa, nem as promessas, nem os mal-entendidos, nem o patente desconforto com as actuações loucas de Sócrates, enfim, nada! Mas a narrativa é agora a de uma dinâmica (?) de vitória da máquina socialista. Haja paciência.

29.5.14

Perplexidades socialistas




Eu sinto-me realmente perplexo quanto ao que se está a passar no PS e tenho algumas dúvidas que gostaria de ver esclarecidas (registe-se que esta declaração de vontade não passa disso mesmo, porque não só ninguém me vai esclarecer directamente - nem os meus amigos socialistas - como não irei encontrar qualquer justificação nos media).

Vamos lá:

1. Porque é que António Costa decidiu avançar agora? Saberia com toda a certeza que haveria de erguer-se um muro para o impedir de prosseguir (como, de resto, está a suceder) e, mesmo que ganhe, ficará com tempo algo reduzido para preparar uma oposição credível à actual maioria e não conseguirá aplacar completamente as bases do partido que Seguro controla muito bem. Dito de outra forma, se não esmagar - repito, esmagar - o PSD coligado ou não com o CDS nas próximas legislativas, ficará com o partido ingovernável com parte importante a querer a sua cabeça. Vale a pena isto?

2. Pensará António Costa, pelo contrário, que, em pouco mais de um ano, beneficiará sempre de um capital de esperança dos portugueses que se traduzirá em votos e, por consequência, na sua eleição como primeiro-ministro, esmagando a coligação e, desse modo, ganhando o partido? Talvez.

3. Terá sido uma questão de consciência política e cívica que o impeliram a avançar? I.e., depois do resultado miserável do PS nas europeias, ter-se-á ele sentido obrigado a ir a jogo, sem tacticismos políticos como os acima referidos?

4. Tê-lo-ão encostado à parede e feito chantagem política, do tipo "ou avanças agora, ou... (qualquer coisa que não quero imaginar)"?

5. Ter-se-á sentido livre para disputar a eleição interna pelo facto de Assis estar na prática impedido de o fazer?

6. E Seguro? Porque é que, em vez de aceitar a disputa (porque isto não é uma disputa vinda de um pequeno do partido sem qualquer relevância, é uma disputa vinda de um histórico, de alguém que muita gente quer ver como primeiro-ministro deste país, e que, para mais, já se mostrou em momentos anteriores, pelo que não é possível empurrar para debaixo do tapete e fazer como se nada fosse), prefere escudar-se nos estatutos do partido que ele próprio blindou numa jogada de xadrez que antevia precisamente este facto?


7. Porque é que Seguro não tem problemas com o facto de esta sua atitude ser conotada como uma "homérica cobardia política", como hoje se lhe refere João Miguel Tavares no Público, sendo-lhe indiferente essa conotação pouco adequada a alguém que pretende assumir o cargo de primeiro-ministro?

8. Como é que uma direcção (como a do PS) que assumiu no passado recente querer derrubar o Governo (legitimamente eleito e com uma maioria parlamentar, note-se), se defende agora dizendo que este episódio, e cito O Observador, "é como alguém chegar ao gabinete do primeiro-ministro, bater à porta, e dizer: o sr. tem que sair, porque teve um resultado fraquinho. E depois do primeiro-ministro dizer que tem um mandato para cumprir, essa pessoa responder que ele está preso a formalidades"?


9. Ou será que tudo isto é concertado e visa, seja qual for a reacção de Seguro, deixá-lo a queimar em lume brando, porque, na verdade, ou ele perde agora para Costa, ou perderá no futuro em eleições legislativas?

10. No fim, será que o PS não tem uma única alma que pense nos interesses do país e faça impor a sua influência, sabendo que o melhor que acontecerá a Seguro (caso agora se mantenha) nas legislativas é uma repetição das europeias, sendo que isso seria uma absoluta e verdadeira tragédia para Portugal, que passaria a ter o líder mais fraco da sua história democrática?


18.12.13

Deamblogações matinais 2

António Costa pretende dar mais poderes às juntas de freguesia, tornando-as responsáveis pela gestão do lixo e da limpeza das ruas que se encontram sob a sua área de jurisdição. Para além disso, as juntas receberão igualmente poderes no âmbito das escolas e de algumas das bibliotecas (até aqui) municipais.
Confesso que, não conhecendo o programa de transferência de atribuições, ignoro se mais alguma coisa será transferido.
A questão é que, talvez pela primeira vez, vejo alguém descentralizar com aparente substância, pretendendo retirar do governo central (a Câmara) algumas coisas que a mesma não tinha capacidade para fazer e, por tal motivo, sub-contratatava a terceiros (o famoso outsourcing).
Mais: pela primeira vez, começo a perceber para que servem as juntas de freguesia, essas entidades semi-opacas que a população tem alguma dificuldade em distinguir e identificar (eu, pelo menos, sempre tive). Estas medidas de descentralização, entre outras virtudes, aproximam o poder das populações, responsabilizando directamente quem decide (coisa inédita em Portugal). Por outro lado, tornam as populações muito mais interessadas em participar na vida das suas freguesias, apostando eu que, daqui a alguns anos, sejam raros os exemplos de cidadãos eleitores que ainda votam para juntas de freguesia onde já não residem há anos.

19.9.12

Deamblogações vespertinas

Os problemas na rotunda do Marquês foram aparentemente corrigidos, depois de um primeiro dia absolutamente infernal. Mérito de quem supervisionou o trânsito e tomou as devidas decisões. Agora há que ir monitorizando para ver o que dá (até porque o que aconteceu na segunda feira provocou de certeza uma fuga massiva de automobilistas que voltarão ao local do crime paulatinamente).
A correcção que entretanto teve lugar e que demonstra algum bom senso esbarra, no entanto, com a irracionalidade de ter sido tomada uma decisão daquelas num dia daqueles. Há coisas que não se percebem.

17.9.12

Deamblogações matinais III

Foi isto que afinal aconteceu no Marquês de Pombal. Só me pergunto se não era expectável. É que, por muito que se magicasse, não haveria altura pior: início de muitas aulas e regresso de férias. Em cheio.

Deamblogações matinais

Ler que o presidente da câmara de Lisboa disse que a "nova" rotunda do Marquês ia entrar em funcionamento a um Domingo para que as pessoas pudessem habituar-se e vir trabalhar na segunda feira seguinte "com menos stress" (cito de cor), é um verdadeiro atentado à inteligência das pessoas. Para além de ser uma evidente falta de respeito pela sua paciência.
Para além da questão relativa à bondade da opção tomada (sobre a qual não posso pronunciar-me porque a desconheço em suficiente detalhe), gostaria de saber quem foi a ilumiária que teve a brilhante ideia de começar o teste ao novo sistema no mês de Setembro. Mas porquê Setembro?! Toda a gente sabe que Setembro é talvez o mês precisamente mais stressante do ano (Dr. Costa, não teve filhos em idade escolar? Nunca regressou de férias? Nunca teve de pagar contas anuais, entre as quais IRS, pagamentos por conta, etc., etc.? Nunca teve de organizar o ano familiar em função da escola dos filhos? Pelo que diz, provavelmente não...). Trabalhar sem stress numa segunda feira de Setembro, quando as pessoas sabem que há um novo sistema de circulação que lhes dificulta a vida e não podem fugir dele?! Palavra de honra...
Voltar a ver a Joaquim António de Aguiar engarrafada por causa da rotunda é uma dor de alma. Ver a confusão reinante no próprio círculo, entre autocarros que quase chocam com carros e o diabo a quatro, é pura e simplesmente patético. Oxalá me engane, mas a ver vamos se haverá acidentes com peões por causa da inversão do sentido de marcha das faixas laterais da Av. da Liberdade. Na Av. da República, há muitos anos, também se tentou um esquema desses. Houve tantos atropelamentos que rapidamente se repôs o que existia.
Tem, pois, perfeito lugar a estafada frase do Lampedusa.