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5.4.17
Deamblogações nocturnas
As imagens de crianças e adultos a lutarem para respirar no recente ataque químico de Assad são absolutamente intoleráveis.
29.4.16
Escritos
Quando abri o Público de hoje e vi de relance a fotografia da capa - esta fotografia acima copiada - julguei por escassas décimas de segundo tratar-se de um mimo, porventura até de um daqueles artistas de rua que por aí andam. Foi só ao fim desse brevíssimo tempo que percebi do que se tratava. Esta imagem teve um impacto parecido com o que senti quando vi o miúdo sírio morto na praia. Mas esta até talvez seja mais forte e impressionante. Aqui eu vejo caos, morte, guerra, pó, sujidade, desrespeito, fúria, solidão, azar, esperança, sorte, desgraça, terror, entre uma infinitude de sentimentos que neste momento não consigo descrever.
Esta imagem é dura, demasiado dura para ser descrita. É mais do que mostra e não fala apenas por si. Não é por ser uma senhora de idade (?), nem é menos por não se tratar de uma criança ou de um pai ou uma mãe. É por encerrar toda a atrocidade da guerra, de uma vida de infelicidade vivida no lugar errado - que um dia foi com certeza o certo - à hora errada.
Esta imagem torna o primeiro esgar num choro intenso.
17.9.14
Deamblogações vespertinas
Os generais americanos começam, como é óbvio, a admitir em surdina a necessidade de uma intervenção da infantaria no Iraque e na Síria, desdizendo Obama e referindo, para protecção deste, que assim só será se se revelar "indispensável" (sic). Claro que será indispensável e essa indispensabilidade não é através da utilização de 5 ou 10 mil homens. É preciso bem mais para derrotar o EI e os generais americanos já perceberam isso. Foi, aliás, por perceber logo isso mesmo que a Austrália ordenou a ida de um contingente militar.
11.9.14
Deamblogações vespertinas
Não terá sido um acaso Obama ter anunciado que ia esmagar (sic) o EI na véspera do 13.º aniversário do 11 de Setembro. Mas todos nós já vimos anúncios destes sem que os resultados correspondam às (enormes) expectativas que geraram. O Iraque e a intervenção naquela zona do mundo é o exemplo mais recente e paradigmático disto que digo. Demais a mais, Obama anunciou que iria fazê-lo sem ser necessário levar cem mil soldados (sic) para o terreno, o que penso que foi um eufemismo para dizer que não está mesmo a pensar em mandar um só soldado, mas apenas pessoal técnico de apoio.
O EI não é bem o Iraque e também não é bem a Síria. O EI é um estado sem estado que, embora se concentre mais na cidade de Raqqa, se encontra disperso por grande parte da Síria, Iraque e zonas adjacentes. Não basta, pois, chegar lá com meios aéreos e descarregar bombas para aniquilar os mudjahiddins. Isso seria porventura o que Obama gostaria, mas não é infelizmente assim. O EI, para além de estar muito espalhado no terreno e não ter um quartel-general, tem literalmente reféns milhares de pessoas que não hesitaria um mícron em usar como escudo humano. Se Obama não quiser ficar na história como o autor de um plano de mortandade civil em larga escala, não pode pretender resolver a coisa pelo ar.
O que, na verdade, não deixa muitas hipóteses porque também não é com conselheiros técnicos no terreno (que, basicamente, apoiam as chefias militares locais) que se erradica o movimento. Não é, igualmente, o facto de o exército iraquiano contar com 200 mil militares, a que acrescerão os militares sírios, que faz com que a vitória esteja garantida. Aliás, viu-se o que fizeram esses mesmos militares quando se viram apertados pelos rebeldes do EI: fugiram a sete pés, deixando equipamento e víveres à mercê do inimigo.
O movimento tem criado uma influência na zona muitíssimo difícil de estancar: pavor, coacção, tortura, controlo, mortes, exibição de cadáveres, execuções públicas é tudo parte do que EI faz por ali com um efeito muito concreto nas populações a ele submetidas. Há um halo de medo e angústia por aqueles lados que contribui em muito para o controlo pelo EI e é precisamente isso que os seus responsáveis queriam. Para além dos convertidos, mesmo quem está contra passa a estar a favor porque sabe que senão é com a própria vida que paga esse desafio.
É, pois, por isso que estou a ver mal que os EUA anunciem com alguma inocência (mais do que arrogância) que "esmagarão" o EI sem enviarem tropas para o terreno. O EI é muito, muito diferente de tudo o que já se combateu e parece que o presidente americano não percebeu ainda isso.
O EI não é bem o Iraque e também não é bem a Síria. O EI é um estado sem estado que, embora se concentre mais na cidade de Raqqa, se encontra disperso por grande parte da Síria, Iraque e zonas adjacentes. Não basta, pois, chegar lá com meios aéreos e descarregar bombas para aniquilar os mudjahiddins. Isso seria porventura o que Obama gostaria, mas não é infelizmente assim. O EI, para além de estar muito espalhado no terreno e não ter um quartel-general, tem literalmente reféns milhares de pessoas que não hesitaria um mícron em usar como escudo humano. Se Obama não quiser ficar na história como o autor de um plano de mortandade civil em larga escala, não pode pretender resolver a coisa pelo ar.
O que, na verdade, não deixa muitas hipóteses porque também não é com conselheiros técnicos no terreno (que, basicamente, apoiam as chefias militares locais) que se erradica o movimento. Não é, igualmente, o facto de o exército iraquiano contar com 200 mil militares, a que acrescerão os militares sírios, que faz com que a vitória esteja garantida. Aliás, viu-se o que fizeram esses mesmos militares quando se viram apertados pelos rebeldes do EI: fugiram a sete pés, deixando equipamento e víveres à mercê do inimigo.
O movimento tem criado uma influência na zona muitíssimo difícil de estancar: pavor, coacção, tortura, controlo, mortes, exibição de cadáveres, execuções públicas é tudo parte do que EI faz por ali com um efeito muito concreto nas populações a ele submetidas. Há um halo de medo e angústia por aqueles lados que contribui em muito para o controlo pelo EI e é precisamente isso que os seus responsáveis queriam. Para além dos convertidos, mesmo quem está contra passa a estar a favor porque sabe que senão é com a própria vida que paga esse desafio.
É, pois, por isso que estou a ver mal que os EUA anunciem com alguma inocência (mais do que arrogância) que "esmagarão" o EI sem enviarem tropas para o terreno. O EI é muito, muito diferente de tudo o que já se combateu e parece que o presidente americano não percebeu ainda isso.
Etiquetas:
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