13,6% é o novo número da taxa de desemprego "oficial" em Portugal.
Eu disse que chegará provavelmente aos 15% e que, em todo o caso, ultrapassaria os 13,4% previstos pelo Governo para este ano, como aliás já sucedeu (relembro que estamos apenas no final do primeiro mês do ano).
A minha intenção não é, naturalmente, a de ter razão quanto a isto. Quem me dera estar enganado e por muito. A minha intenção é apenas a de desvelar o erro (que eu reputo de grosseiro) dos números com que o Governo trabalha e com que faz previsões, desse modo determinando políticas públicas que estão votadas ao mais completo fracasso.
31.1.12
26.1.12
Deamblogações matinais
"(...) Os aparelhos partidários
revelam sempre melhor do que qualquer outra sábia análise sociológica
ou política os impasses sociais e políticos de Portugal. E nessa análise
é cada vez mais importante aquilo a que atribuo o nome provisório de
"área de negócios politizados". Como todos os nomes tem inconvenientes,
mas pretende descrever uma área em grande crescimento para onde estão
a migrar políticos e redes de influência, que são também factores na
sua construção, entre outras coisas em consequência das perturbações no
papel do Estado e da insegurança dos seus cargos. Digo perturbações do
papel do Estado em vez de dizer diminuição do Estado, porque o carácter
caótico dos cortes, a sua ligação conjuntural com as medidas da troika
e a escassez de dinheiro não permitem ainda dizer se daqui sairá um
menor Estado ou um Estado disforme mais pequeno, mas igualmente poderoso e
intrusivo da vida individual e colectiva, das pessoas e da economia. Mas
não tenho dúvidas que se está a reforçar uma tendência da partidocracia
para também passar para o privado, um privado muito especial, porque se
conserva bem dentro da decisão política. Não é nada de novo, mas tem
hoje um papel, métodos e dimensão diferentes do passado."
JPP, aqui
JPP, aqui
25.1.12
Deamblogações vespertinas
Eu não sei em que mundo vivemos. Parece que estamos a chegar ao fim de uma época. Uma época em que havia muita, mas mesmo muita porcaria escondida debaixo do tapete. Uma época em que poucos aproveitaram como se não houvesse amanhã aquilo que estava destinado a ser partilhado por muitos, por muito mais do que esses poucos, eventualmente por todos. Uma época em que o que parece não é e em que o que é não parece e parece que é aquilo que não é. Uma época de confusão induzida por aqueles a quem a confusão interessa e aproveita. Uma época cheia de fait divers que em nada interessam à gente que trabalha seriamente, que faz sacrifícios, que paga os seus impostos honradamente e que, por isso, esperava mais de todos aqueles que têm ou tiveram responsabilidades públicas.
Enfim, rezará indubitavelmente a história que estamos a chegar ao fim de uma época. Não tenho dúvidas disso. Mas este estertor queimará uma, senão mais do que uma, gerações inteiras, onde me incluo, a qual não apenas andará por muitos e bons anos a pagar os pecados cometidos no passado e ainda no presente, como não aproveitará em quase (?) nada o que de bom foi feito. Essas gerações andarão a comer em terra queimada, selvaticamente queimada, por todos aqueles que destruíram este país aos poucos nos últimos (muitos) anos.
Isto já de si é mau de mais para um país que se arroga constantemente (arrogam por ele...) a qualidade de civilizado e pertencente ao pelotão do primeiro mundo, o mundo da frente e desenvolvido ao qual queria, na verdade, pertencer. Mas não é o país que pertence ou não. Quem pertence são as suas gentes. E parte importante das gentes que liderou todas as outras gentes deste país é, por muito que grite o contrário, inculta, pacóvia, arrogante, desonesta e interesseira.
Estranho mundo este em que vivemos.
Estranho mundo este em que um anterior primeiro ministro, exactamente o mesmo que, consensualmente, consolidou não as contas públicas, mas a desgraça para onde caminhámos inelutavelmente, vive com fausto em Paris (where else?...), no seizième - bairro maioritariamente habitado por BCBG's, essa classe com berço a que ele tanto gostaria de pertencer -, frequenta brasseries, livrarias de intelectuais, cafés chiques (a valer...), e, pormenor delicioso, onde estuda Ciência Política (as tão famosas Sciences Po que meio mundo gostaria de ter frequentado). Mas não se pense que, verdadeiramente, estuda (no sentido etimológico do termo). Não. Nada disso. Apenas frequenta, porque não se submete a exames. Talvez fosse de mais para ele? Ou estará acima disso? Talvez seja o nome...
Estranho mundo este. Em que mais ninguém estranha que isto que atrás se disse custa muitos e muitos milhares de euros por mês. Em que mais ninguém estranha que um homem cuja carreira esteve sempre ligada ao Estado (sublinho: SEMPRE), possa dar-se a estes luxos. Em que mais ninguém estranha que esse mesmo homem, cujas declarações de rendimentos foram obrigatoriamente sempre públicas, sem que nunca tivesse sido declarado qualquer rendimento substancial ou súbito, possa, finda uma brilhante e intensa carreira como deputado, secretário de Estado, ministro e primeiro ministro, viver actualmente em Paris como se fosse um dandy a torrar a fortuna deixada por uma tia-avó. Estranho mundo este...
Esta complacência contra a qual poucos se revoltam publicamente enoja-me. Enoja-me.
Eu sei que é feio, mas tenho inveja de Sócrates. Gostaria, mais, adoraria fazer a vida que ele actualmente faz. Viver em Paris, estudar Sciences Po, viver no seizième, frequentar brasseries, livrarias de intelectuais e restaurantes e cafés chiques, poder passear junto ao Sena, dar um pulo à Place des Vosges, passar por debaixo de um arco que existe ali ao pé de mão dada com alguém, contemplar, apenas contemplar, Montmartre imperial ao longe sobre o bairro com o mesmo nome e andar na Rive Gauche incógnito sentido-me Cézanne.
Realmente gostaria.
Mas não posso. É que por momentos esqueci-me que faço parte de uma geração azarada, que tem de trabalhar sem emprego, que tem de pagar contas para as quais não tem dinheiro, que tem de sufocar em impostos, que tem de emigrar por não haver emprego, que tem de endireitar o país, que tem de se sacrificar pelo défice, que tem de empobrecer, que tem de aguentar. Que tem de aguentar. Que tem de aguentar.
Que tem de ser confrontada com misérias como as de ter um ex-primeiro ministro a viver em Paris, exilado do que fez, nas condições em que faz. Talvez a ganhar tempo para um dia voltar e acabar a obra.
Que triste miséria.
23.1.12
Irritações matinais
€ 1.300,00 é, de facto, muito pouco. A mim também não dariam para pagar as despesas. Nem parte delas. Disso não há dúvida. Acontece que não sou presidente nem tenho responsabilidades acrescidas face à actual situação do país, pelo que posso dar-me ao luxo de dizer as barbaridades que quiser em público, as quais, e muito bem, seriam completamente ignoradas por todos. Ao contrário de Cavaco.
Com ele é cada cavadela, cada minhoca. Não falha. É como o algodão: enganou (pelo menos a mim) durante muito tempo, mas depois está lá tudo.
Com ele é cada cavadela, cada minhoca. Não falha. É como o algodão: enganou (pelo menos a mim) durante muito tempo, mas depois está lá tudo.
20.1.12
Deamblogações matinais
"(...) Por isso o grave no processo de escolha dos dirigentes da EDP não foi o Governo ter-se imiscuído, se é que se imiscuiu. O grave foi os accionistas privados terem julgado conveniente a escolha de figuras que agradassem ao Governo e tivessem acesso ao poder. O grave foi, mais uma vez, ter ficado demonstrado que muitos dos nossos capitalistas não se imaginam a caminhar no mundo dos negócios sem darem o braço ao governo do momento.
Em Portugal, está visto, não basta privatizar uma empresa para que as mãos do governo se afastem do destino dos negócios (...). É por isso que temos de fazer muito mais, se quisermos realmente um Portugal diferente deste Portugal paroquial e nepotista que é, de certa forma, o Portugal de sempre. (...)
O que em Portugal é secular e doentio é a dependência do Estado, do poder central. As nossas "forças vivas" fizeram-se durante séculos à sombra da asa protectora do Terreiro do Paço e ainda hoje somos um país onde demasiadas empresas beneficiam de "rendas" de posição e privilégio à custa da sã concorrência e, claro, dos consumidores. (...)"
José Manuel Fernandes, no Público de hoje
Em Portugal, está visto, não basta privatizar uma empresa para que as mãos do governo se afastem do destino dos negócios (...). É por isso que temos de fazer muito mais, se quisermos realmente um Portugal diferente deste Portugal paroquial e nepotista que é, de certa forma, o Portugal de sempre. (...)
O que em Portugal é secular e doentio é a dependência do Estado, do poder central. As nossas "forças vivas" fizeram-se durante séculos à sombra da asa protectora do Terreiro do Paço e ainda hoje somos um país onde demasiadas empresas beneficiam de "rendas" de posição e privilégio à custa da sã concorrência e, claro, dos consumidores. (...)"
José Manuel Fernandes, no Público de hoje
16.1.12
Preocupações matinais
"(...) We are now at a point where effective crisis resolution would require a strong central fiscal authority, with the power to tax and allocate resources across the eurozone. Of course, it will not happen.
This is the ultimate implication of last week's ratings downgrades. We have moved beyond the point where a tecnhical fix would work. The tollkit is exhausted."
Wolfgang Münchau, Financial Times
This is the ultimate implication of last week's ratings downgrades. We have moved beyond the point where a tecnhical fix would work. The tollkit is exhausted."
Wolfgang Münchau, Financial Times
13.1.12
Inquietações matinais
Na senda do que tenho vindo a dizer e, mais importante, a sentir relativamente a este Governo, acho que as recentes nomeações são inexplicáveis. É evidente que, por um lado, não pode haver uma capitis deminutio só por alguém pertencer a um partido político e, por outro, não deve julgar-se todas as pessoas por igual.
No primeiro caso, o argumento está estafado: embora não exista essa capitis deminutio, a verdade é que o inverso também é verdade: não deveria poder aceder-se a determinados cargos (apenas) por se ser membro de um partido político. Já quanto ao segundo dos argumentos dados, nem todas as pessoas são incompetentes para os cargos para que são nomeados, mas muitas são. Se a isto juntarmos o facto de haver cada vez menos gente qualificada a desempenhar papéis relevantes na política, está quase tudo dito.
Não tenho, há muito, paciência para ver debates na televisão, especialmente (e cada vez mais) quando os mesmos são entre o PSD e o PS. O que um dizia no passado é exactamente o que o outro diz agora, quando aquele primeiro se encontrava na oposição. E o que o que está no Governo diz agora é o que o outro dizia no passado quando ocupava aquele lugar. Sem tirar nem pôr e sem vergonha nenhuma. O argumentário quanto às recentes nomeações do Governo é, por isso, de uma pobreza franciscana e, mais do que isso, não apresentando qualquer novidade face ao que já foi tantas e tantas vezes dito ora pelo PSD ora pelo PS quando, respectivamente, se encontravam no poder. Mudam os portadores da máscara, mas esta continua com a mesma cara.
Voltando e acabando nas nomeações, as mesmas são, evidentemente, pagamentos de favores políticos, não sendo preciso ser politólogo, estudioso do tema ou, sequer, muito interessado no mesmo para chegar a esta conclusão. Basta ter dois dedos de testa e estar minimamente (por muito pouco que seja) atento ao que se vai passando.
O PSD (actual?) tem muito poucas diferenças para o PS. Ainda existem mas são cada vez mais ténues. A capa de seriedade e altivez (no sentido mais bondoso do termo) relativamente ao Estado e a todos os seus mecanismos, teias de interesses e modos de funcionamento, são apenas isso mesmo: capas. Por dentro, a carne é da mesma qualidade: fraca.
No primeiro caso, o argumento está estafado: embora não exista essa capitis deminutio, a verdade é que o inverso também é verdade: não deveria poder aceder-se a determinados cargos (apenas) por se ser membro de um partido político. Já quanto ao segundo dos argumentos dados, nem todas as pessoas são incompetentes para os cargos para que são nomeados, mas muitas são. Se a isto juntarmos o facto de haver cada vez menos gente qualificada a desempenhar papéis relevantes na política, está quase tudo dito.
Não tenho, há muito, paciência para ver debates na televisão, especialmente (e cada vez mais) quando os mesmos são entre o PSD e o PS. O que um dizia no passado é exactamente o que o outro diz agora, quando aquele primeiro se encontrava na oposição. E o que o que está no Governo diz agora é o que o outro dizia no passado quando ocupava aquele lugar. Sem tirar nem pôr e sem vergonha nenhuma. O argumentário quanto às recentes nomeações do Governo é, por isso, de uma pobreza franciscana e, mais do que isso, não apresentando qualquer novidade face ao que já foi tantas e tantas vezes dito ora pelo PSD ora pelo PS quando, respectivamente, se encontravam no poder. Mudam os portadores da máscara, mas esta continua com a mesma cara.
Voltando e acabando nas nomeações, as mesmas são, evidentemente, pagamentos de favores políticos, não sendo preciso ser politólogo, estudioso do tema ou, sequer, muito interessado no mesmo para chegar a esta conclusão. Basta ter dois dedos de testa e estar minimamente (por muito pouco que seja) atento ao que se vai passando.
O PSD (actual?) tem muito poucas diferenças para o PS. Ainda existem mas são cada vez mais ténues. A capa de seriedade e altivez (no sentido mais bondoso do termo) relativamente ao Estado e a todos os seus mecanismos, teias de interesses e modos de funcionamento, são apenas isso mesmo: capas. Por dentro, a carne é da mesma qualidade: fraca.
11.1.12
38 anos separam estas duas canções. 1968, época do psicadelismo (Tropicália), de que os Mutantes foram um dos expoentes máximos. 2006, no Barbican, com mais 40 anos em cima, com uma Zélia Duncan deslumbrante (em vez de Rita Lee, a meu ver bem), com um "saber envelhecer" como quase só os brasileiros são capazes. Com muita pinta. E com um grande, enorme som.
10.1.12
Perplexidades matinais
Eu prefiro e sempre preferi a verdade à mentira ou à ocultação. Também acho que os políticos devem ser transparentes, tanto quanto possível, bem sabendo que existem áreas em que o próprio interesse pátrio desaconselha demasiada transparência. Sócrates e os seus governos foram o expoente máximo da ocultação e do disfarce, ao não dizerem tudo o que sabiam, ao dizerem diferente do que sabiam e, finalmente, ao mascarar o que sabiam.
Bem ou mal, e muitas vezes mal, o actual Governo tem-se preocupado em dizer a verdade, especialmente no que diz respeito às contas públicas. Valha-nos isso. Eu, de facto, prefiro ter conhecimento do estado terminal em que estou e tentar reagir a isso do que imaginar que estou razoável e cometer algumas asneiras só porque acho que posso. Nada pior do que a ignorância induzida.
No entanto, confesso a minha total perplexidade quando, dez escassos dias depois de termos começado o ano (!), o ministro das Finanças vem anunciar que para cumprir a meta do défice prevista para 2012 serão precisas "medidas de austeridade" adicionais. O mesmo quando oiço que tais medidas se ficarão a dever ao facto de os fundos de pensões da banca (em si mesmas uma receita adicional) terão que tapar o buraco criado pelos famigerados hospitais empresa (E.P.E.).
Eu acho que nós, portugueses, já estamos, senão totalmente, pelo menos meio anestesiados com tudo isto, mas, caramba, a notícia após apenas dez em trezentos e sessenta e seis dias (este ano é bissexto) de que continuarão a ir-nos ao bolso é arrasadora. E pior, mais arrasador ainda é a sensação de que a manta jamais chegará para tapar, do mesmo passo, o pescoço e os pés.
Bem ou mal, e muitas vezes mal, o actual Governo tem-se preocupado em dizer a verdade, especialmente no que diz respeito às contas públicas. Valha-nos isso. Eu, de facto, prefiro ter conhecimento do estado terminal em que estou e tentar reagir a isso do que imaginar que estou razoável e cometer algumas asneiras só porque acho que posso. Nada pior do que a ignorância induzida.
No entanto, confesso a minha total perplexidade quando, dez escassos dias depois de termos começado o ano (!), o ministro das Finanças vem anunciar que para cumprir a meta do défice prevista para 2012 serão precisas "medidas de austeridade" adicionais. O mesmo quando oiço que tais medidas se ficarão a dever ao facto de os fundos de pensões da banca (em si mesmas uma receita adicional) terão que tapar o buraco criado pelos famigerados hospitais empresa (E.P.E.).
Eu acho que nós, portugueses, já estamos, senão totalmente, pelo menos meio anestesiados com tudo isto, mas, caramba, a notícia após apenas dez em trezentos e sessenta e seis dias (este ano é bissexto) de que continuarão a ir-nos ao bolso é arrasadora. E pior, mais arrasador ainda é a sensação de que a manta jamais chegará para tapar, do mesmo passo, o pescoço e os pés.
6.1.12
Preocupações matinais
"De acordo com os dados da Eurostat, hoje divulgados, a taxa de
desemprego da zona euro estabilizou nos 10,3% em Novembro mas, em
Portugal, voltou a subir, atingindo um novo máximo histórico – 13,2%.
Isto equivalerá a cerca de 731 mil pessoas sem trabalho, de acordo com
os últimos dados da população activa disponibilizados pelo Instituto
Nacional de Estatística (INE), relativos a Setembro."
in Público
As previsões do Governo para este ano são de 13,4%, mas eu, como já disse outras vezes, acho absolutamente irrealista este número e penso que vai ser utrapassado e em muito. Oxalá me engane.
in Público
As previsões do Governo para este ano são de 13,4%, mas eu, como já disse outras vezes, acho absolutamente irrealista este número e penso que vai ser utrapassado e em muito. Oxalá me engane.
5.1.12
Deamblogações vespertinas
"Entre
uma infinidade de hipóteses de não teres nascido, saiu-te a sorte de
teres nascido. Se te tivesse saído a "sorte grande", haveria gente que
se admiraria de isso te ter acontecido. Tu mesmo dirias talvez que
parecia um "sonho", que era inacreditável, que ainda não tinhas caído
em ti do assombro. Mas essa sorte foi a de um número entre dezenas de
milhares ou mesmo centenas. Mas teres nascido é ter-te saído a sorte
entre biliões e biliões e biliões de hipóteses negativas. Saiu-te o
número inscrito numa areia do universo. Tens pois o privilégio incrível
de veres o sol, as flores, os animais. De ouvires as aves e o vento. De.
E todavia, como esqueces isso tão facilmente. Breve tudo se apagará em
silêncio. Breve a oportunidade de estares vivo cessou. Provavelmente
ninguém mais saberá que exististe. E mesmo dos que o souberem, não se
saberá um dia. Num momento não muito longínquo morrerá o último homem
sobre a face da Terra. Esse é, aliás, o momento da tua própria morte,
porque tu és o primeiro e o último homem que nasceu. Tudo é rápido e
contingente e miraculoso. Tudo é rápido e sem consequências. A única
consequência és tu e a vida que viveres. Não a desperdices. Não
inutilizes a fabulosa sorte que te calhou. Vê. Ouve. Pára, escuta e
olha, que a morte vai a passar. E terás cumprido ao menos, para com o
universo, um pouco do teu dever de gratidão."
Pensar, Vergílio Ferreira
Pensar, Vergílio Ferreira
Bom Ano
Quantos milhares de vezes se deseja bom ano nestes primeiros dias do ano? Nos locais de trabalho, aos clientes, na rua, no café, no balneário, aos vizinhos, enfim, virtualmente a toda a gente que se conhece, ainda que vagamente. "Bom Ano", "Bom Ano para si e para os seus", "Boas Entradas", "Entrou bem?", "Entrou com o pé direito?", "Entre cheio de força!", "Vamos a eles!", são algumas das expressões que se ouvem por estes dias.
Enfim, bom ano.
Enfim, bom ano.
4.1.12
Deamblogações vespertinas
Pouco a pouco vai caindo aos bocados a réstea de esperança que eu tinha neste Governo e em quem à volta dele gravita. Ontem foi o culminar do que o Ricardo Costa chamou "anedota", mas que eu chamo palhaçada, desrespeito, desafio, gozo e, até talvez, crime. Não consegui ver as declarações televisivas da deputada do PSD, cujo nome não me importo de não me lembrar, ao Mário Crespo, de tão falsas que eram. Nada nisto cheira bem, nada é transparente. É evidente que é importante saber que Luís Montenegro pertence à Loja Mozart, na qual, entre vários outros, está Jorge Silva Carvalho. Mas isto não é evidente para alguém de bom senso?! Vir dizer-se o contrário?! E vir dizer-se que não existiram quaisquer alterações entre a versão preliminar do relatório da Comissão de Inquérito disponibilizada ao PS para consenso e a versão final?! Mas isto é sério?!
Mais: constou-me que Passos Coelho foi introduzido na Maçonaria. Não sei se é verdade e, muito provavelmente, até é um segredo de Polichinelo, mas eu não sabia. Se for verdade, é péssimo. Aliás, é pior que péssimo. Não consigo qualificar.
Mais: constou-me que Passos Coelho foi introduzido na Maçonaria. Não sei se é verdade e, muito provavelmente, até é um segredo de Polichinelo, mas eu não sabia. Se for verdade, é péssimo. Aliás, é pior que péssimo. Não consigo qualificar.
2.1.12
Declaração de princípio
De acordo com o Novo Acordo Ortográfico (cujo acrónimo é, ironicamente, NAO), "peremptório" passa a escrever-se "perentório".
Anuncio aqui que NÃO irei adoptar (que passou a "adotar") esta grafia, pelo menos nos tempos mais próximos, enquanto não a tiver digerido. Nessa medida, ou muito me engano, ou decorrerá muito tempo até que a digestão esteja concluída.
Está visto: o nome deste blogue passou a estar mal escrito. Que se lixe.
Anuncio aqui que NÃO irei adoptar (que passou a "adotar") esta grafia, pelo menos nos tempos mais próximos, enquanto não a tiver digerido. Nessa medida, ou muito me engano, ou decorrerá muito tempo até que a digestão esteja concluída.
Está visto: o nome deste blogue passou a estar mal escrito. Que se lixe.
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