13.1.12

Inquietações matinais

Na senda do que tenho vindo a dizer e, mais importante, a sentir relativamente a este Governo, acho que as recentes nomeações são inexplicáveis. É evidente que, por um lado, não pode haver uma capitis deminutio só por alguém pertencer a um partido político e, por outro, não deve julgar-se todas as pessoas por igual.
No primeiro caso, o argumento está estafado: embora não exista essa capitis deminutio, a verdade é que o inverso também é verdade: não deveria poder aceder-se a determinados cargos (apenas) por se ser membro de um partido político. Já quanto ao segundo dos argumentos dados, nem todas as pessoas são incompetentes para os cargos para que são nomeados, mas muitas são. Se a isto juntarmos o facto de haver cada vez menos gente qualificada a desempenhar papéis relevantes na política, está quase tudo dito.
Não tenho, há muito, paciência para ver debates na televisão, especialmente (e cada vez mais) quando os mesmos são entre o PSD e o PS. O que um dizia no passado é exactamente o que o outro diz agora, quando aquele primeiro se encontrava na oposição. E o que o que está no Governo diz agora é o que o outro dizia no passado quando ocupava aquele lugar. Sem tirar nem pôr e sem vergonha nenhuma. O argumentário quanto às recentes nomeações do Governo é, por isso, de uma pobreza franciscana e, mais do que isso, não apresentando qualquer novidade face ao que já foi tantas e tantas vezes dito ora pelo PSD ora pelo PS quando, respectivamente, se encontravam no poder. Mudam os portadores da máscara, mas esta continua com a mesma cara.
Voltando e acabando nas nomeações, as mesmas são, evidentemente, pagamentos de favores políticos, não sendo preciso ser politólogo, estudioso do tema ou, sequer, muito interessado no mesmo para chegar a esta conclusão. Basta ter dois dedos de testa e estar minimamente (por muito pouco que seja) atento ao que se vai passando.
O PSD (actual?) tem muito poucas diferenças para o PS. Ainda existem mas são cada vez mais ténues. A capa de seriedade e altivez (no sentido mais bondoso do termo) relativamente ao Estado e a todos os seus mecanismos, teias de interesses e modos de funcionamento, são apenas isso mesmo: capas. Por dentro, a carne é da mesma qualidade: fraca.