"(...) Os aparelhos partidários
revelam sempre melhor do que qualquer outra sábia análise sociológica
ou política os impasses sociais e políticos de Portugal. E nessa análise
é cada vez mais importante aquilo a que atribuo o nome provisório de
"área de negócios politizados". Como todos os nomes tem inconvenientes,
mas pretende descrever uma área em grande crescimento para onde estão
a migrar políticos e redes de influência, que são também factores na
sua construção, entre outras coisas em consequência das perturbações no
papel do Estado e da insegurança dos seus cargos. Digo perturbações do
papel do Estado em vez de dizer diminuição do Estado, porque o carácter
caótico dos cortes, a sua ligação conjuntural com as medidas da troika
e a escassez de dinheiro não permitem ainda dizer se daqui sairá um
menor Estado ou um Estado disforme mais pequeno, mas igualmente poderoso e
intrusivo da vida individual e colectiva, das pessoas e da economia. Mas
não tenho dúvidas que se está a reforçar uma tendência da partidocracia
para também passar para o privado, um privado muito especial, porque se
conserva bem dentro da decisão política. Não é nada de novo, mas tem
hoje um papel, métodos e dimensão diferentes do passado."
JPP, aqui