26.1.12

Deamblogações matinais

"(...) Os aparelhos partidários revelam sempre melhor do que qualquer outra sábia análise sociológica ou política os impasses sociais e políticos de Portugal. E nessa análise é cada vez mais importante aquilo a que atribuo o nome provisório de "área de negócios politizados". Como todos os nomes tem inconvenientes, mas pretende descrever uma área em grande crescimento para onde estão a migrar políticos e redes de influência, que são também factores na sua construção, entre outras coisas em consequência das perturbações no papel do Estado e da insegurança dos seus cargos. Digo perturbações do papel do Estado em vez de dizer diminuição do Estado, porque o carácter caótico dos cortes, a sua ligação conjuntural com as medidas da troika e a escassez de dinheiro não permitem ainda dizer se daqui sairá um menor Estado ou um Estado disforme mais pequeno, mas igualmente poderoso e intrusivo da vida individual e colectiva, das pessoas e da economia. Mas não tenho dúvidas que se está a reforçar uma tendência da partidocracia para também passar para o privado, um privado muito especial, porque se conserva bem dentro da decisão política. Não é nada de novo, mas tem hoje um papel, métodos e dimensão diferentes do passado."

JPP, aqui