20.1.12

Deamblogações matinais

"(...) Por isso o grave no processo de escolha dos dirigentes da EDP não foi o Governo ter-se imiscuído, se é que se imiscuiu. O grave foi os accionistas privados terem julgado conveniente a escolha de figuras que agradassem ao Governo e tivessem acesso ao poder. O grave foi, mais uma vez, ter ficado demonstrado que muitos dos nossos capitalistas não se imaginam a caminhar no mundo dos negócios sem darem o braço ao governo do momento.
Em Portugal, está visto, não basta privatizar uma empresa para que as mãos do governo se afastem do destino dos negócios (...). É por isso que temos de fazer muito mais, se quisermos realmente um Portugal diferente deste Portugal paroquial e nepotista que é, de certa forma, o Portugal de sempre. (...)
O que em Portugal é secular e doentio é a dependência do Estado, do poder central. As nossas "forças vivas" fizeram-se durante séculos à sombra da asa protectora do Terreiro do Paço e ainda hoje somos um país onde demasiadas empresas beneficiam de "rendas" de posição e privilégio à custa da sã concorrência e, claro, dos consumidores. (...)"

José Manuel Fernandes, no Público de hoje