"(...) o fatalismo erra o alvo na medida em que continua a ser válido que os titulares dos poderes políticos (e de outro género) têm, e terão sempre, uma responsabilidade decisiva pela sorte da autoridade das nossas sociedades. Os políticos devem apoiar-se também na autoridade que detêm e que as eleições manifestam. Devem, pois, cuidar de cultivá-la. Devem proteger a sua própria autoridade e a que é inerente ao cargo público que desempenham. Por outras palavras, devem cuidar das instituições do Estado para preservar a sua autoridade pessoal e a do Estado. O clientelismo, a corrupção, o nepotismo, a colonização das instituições do Estado por interesses sociais, a banalização ou a desvalorização dos símbolos da ordem pública minam a autoridade institucional do Estado e a autoridade das organizações sociais envolvidas. E com elas vai-se igualmente a autoridade pessoal de todos os que ascendem a posições de poder no interior do sistema político.
Miguel Morgado, in "Autoridade", Fundação Francisco Manuel dos Santos
31.12.10
Deamblogações matinais
"Infelizmente, os devaneios da imaginação acabam sempre por custar caro, agora que Portugal se tornou dependente do estrangeiro e já não ganha a vida a cavar batatas. Por uma estranha perversidade do destino a nossa perpétua "modernização", da "modernização" de 1820 (...) à "modernização" de Sócrates, passando pela de Cavaco, nunca "modernizou" nada. Não enriqueceu o país; criou dívidas, licenciados, desemprego e miséria. Os pobres portugueses de 2011 vão comer restos de restaurantes, decorados com um doutoramento. Como os bacharéis do século XIX. O progresso é óbvio. E a confusão indescritível: o orçamento não se cumpre, os partidos não funcionam, o Presidente não manda nos partidos. Só falta o FMI. Mas por pouco tempo."
Vasco Pulido Valente, Público
Vasco Pulido Valente, Público
30.12.10
Deamblogações matinais
Ao ler este livro, fico com a sensação, senão mesmo com certeza, que o problema que Portugal vive actualmente é crónico e persistente ao longo da sua história. Bancarrota, endividamento galopante, corrupção, chico-espertismo, conluios, interesses protegidos, egoísmo, indiferença ao interesse e bem comuns, desvergonha da classe política, etc., etc. Houve, há e haverá (?) sempre a tendência para se criar uma teia à volta dos "poderosos", alimentada não apenas por estes, mas igualmente por todos os que lhes são próximos e que podem ser beneficiários do sistema. Não existe independência, autonomia, auto-estima ou pudor. Os que não compactuam são o elo mais fraco. Era assim no Portugal do início do século XX, como é assim no início deste século XXI.
A espera ardente por um messias era, como de resto continua a ser, uma realidade e algo que a falta de vontade para verdadeiramente mudar as coisas continua a alimentar como sendo o único caminho capaz de nos tirar do lamaçal em que estamos atolados. Isso no passado deu Sidónio, que, não apenas durou pouco, como se revelou incapaz (evidentemente) de corresponder às expectativas exageradas que sobre ele recaíram. Depois deu Salazar com quarenta e tal anos de ditadura e de mão de ferro. A partir do momento em que fomos deixados "sozinhos" é o que temos visto. O que virá a seguir? Sim, o que poderá vir a seguir, sendo que este caminho está irremediavelmente tapado?
A espera ardente por um messias era, como de resto continua a ser, uma realidade e algo que a falta de vontade para verdadeiramente mudar as coisas continua a alimentar como sendo o único caminho capaz de nos tirar do lamaçal em que estamos atolados. Isso no passado deu Sidónio, que, não apenas durou pouco, como se revelou incapaz (evidentemente) de corresponder às expectativas exageradas que sobre ele recaíram. Depois deu Salazar com quarenta e tal anos de ditadura e de mão de ferro. A partir do momento em que fomos deixados "sozinhos" é o que temos visto. O que virá a seguir? Sim, o que poderá vir a seguir, sendo que este caminho está irremediavelmente tapado?
27.12.10
Deamblogações matinais
Em entrevista dada ao Público, o sociólogo Boaventura Sousa Santos faz a seguinte afirmação: «É natural que algo aconteça a partir do momento em que estas medidas possam entrar não só no bolso, mas na cabeça das pessoas e estas percebam que estão a ser roubadas para que o sistema financeiro e os bancos continuem a ganhar rios de dinheiro e a fazer disparar o consumo ostentatório que tem neste Natal um dos pontos mais altos desde 2008».
Muito se tem falado sobre o carácter pacífico dos portugueses. De facto, não é preciso ter grandes e vastos conhecimentos para se perceber que os gregos e os espanhóis (bem como os italianos) têm muito mais sangue na guelra, o que provoca protestos mais violentos e sangrentos (também os ingleses, como se viu recentemente com a questão das propinas, e os franceses com as greves gerais). Mas, voltando aos portugueses, muito se tem dito que o clima de tensão que subjaz à actual situação pode, a qualquer momento, fazer disparar a violência. É um facto que o futuro mais ou menos imediato se encarregará de demonstrar.
Bem diferente é o que fez Boaventura Sousa Santos que, no uso da sua qualidade de sociólogo, mais do que analisar e interpretar, decidiu dar a sua opinião sobre o fenómeno, não se coibindo de acusar o sistema financeiro de causador da actual situação, chegando mesmo a dizer que as pessoas estão a ser roubadas.
Ora, eu considero isto um excesso lamentável e inadmissível. A pessoa em questão devia, pelos anos de experiência mediática que tem, conter-se e evitar confundir os planos: uma coisa são as suas convicções pessoais, que tem todo o direito de ter, outra bem diferente a análise sociológica que faz, retirando daí e propondo explicações para os fenómenos.
Para além de tudo, tais afirmações são irresponsáveis e incendiárias. Se um intelectual pensa assim, porque não um homem médio passar das palavras aos actos, já que tal está superiormente justificado?
Muito se tem falado sobre o carácter pacífico dos portugueses. De facto, não é preciso ter grandes e vastos conhecimentos para se perceber que os gregos e os espanhóis (bem como os italianos) têm muito mais sangue na guelra, o que provoca protestos mais violentos e sangrentos (também os ingleses, como se viu recentemente com a questão das propinas, e os franceses com as greves gerais). Mas, voltando aos portugueses, muito se tem dito que o clima de tensão que subjaz à actual situação pode, a qualquer momento, fazer disparar a violência. É um facto que o futuro mais ou menos imediato se encarregará de demonstrar.
Bem diferente é o que fez Boaventura Sousa Santos que, no uso da sua qualidade de sociólogo, mais do que analisar e interpretar, decidiu dar a sua opinião sobre o fenómeno, não se coibindo de acusar o sistema financeiro de causador da actual situação, chegando mesmo a dizer que as pessoas estão a ser roubadas.
Ora, eu considero isto um excesso lamentável e inadmissível. A pessoa em questão devia, pelos anos de experiência mediática que tem, conter-se e evitar confundir os planos: uma coisa são as suas convicções pessoais, que tem todo o direito de ter, outra bem diferente a análise sociológica que faz, retirando daí e propondo explicações para os fenómenos.
Para além de tudo, tais afirmações são irresponsáveis e incendiárias. Se um intelectual pensa assim, porque não um homem médio passar das palavras aos actos, já que tal está superiormente justificado?
25.12.10
Deamblogações matinais
Desolada a cidade teima em dormir, já manhã alta, uma manhã escura e fria. Ressaca do 24 e das consoadas prolongadas nas horas que se espraiam pela madrugada. Sentimento misto a 25, sempre assim foi. É o dia em que tudo pára e em que parece que o tempo se congela por 24 horas, como se não houvesse mais amanhã. O mesmo tempo que habitualmente é tão pródigo na devoração das horas. Ilusão de se poder fazer tudo o que não se pode fazer nos outros dias. Pura ilusão, mas ainda assim a consciência de que já nada é como dantes. Os tempos correram muito entre cada 25 de Dezembro. E a cada um deles faz-se um balanço do que já fora, projectando-se um futuro misturado de certezas, anseios e expectativas.
23.12.10
Inquietações matinais
"A luz vai custar mais, os barcos que atravessam o Tejo vão custar mais, a água vai custar mais, as portagens vão custar mais, os comboios e os autocarros vão custar mais, a gasolina e o gasóleo vão custar mais, o gás vai custar mais, a vida mais comum e quotidiana vai custar mais. Haverá um vidro que vai continuar partido numa janela, uma lâmpada fundida num candeeiro que se deixou de utilizar, um telemóvel sem serviço, o condomínio mais um ano por pagar, um farol do carro por arranjar, um jornal que se deixou de comprar, um tapete estragado que continuará estragado, uma camisola gasta que se usa puída, uns sapatos velhos de mais, numa vida cansada de mais. Decisões muito complicadas vão ter que ser tomadas em meados de 2011 por muitas famílias: saber se continua a haver dinheiro para pagar a prestação da casa, as dívidas do cartão de crédito, o transporte para a escola, as propinas do filho ou da filha, os medicamentos mensais, as contas a que se reduziu a correspondência, os impostos. E podia continuar indefinidamente, porque há mil e uma atitudes que estão envolvidas nesta queda, a vida toda está envolvida. Estas enumerações são profundamente aborrecidas? São, poucas coisas são mais aborrecidas do que a pobreza. Nada nela brilha."
JPP, in Abrupto
21.12.10
Deamblogações matinais
Trânsito. Filas. Demora. Buzinas. Poluição. Desespero. Filas. Mais filas. Rios de dinheiro gasto. Endividamento. Cansaço. Muito cansaço. Assim é a época do Natal. É absurdo demorar-se 50 mn a percorrer pouco mais de 2 km, um percurso que demora cerca de 5 mn habitualmente. E já foi tarde, quando a esmagadora maioria das pessoas nos dias "normais" já está de chinelos em casa, jantadas e prontas para o serão. Não tem explicação. Estou-me nas tintas para os presentes, os bolos e o que mais houver. Este frenesi tem cada vez menos sentido porque é cada vez maior. Tão maior que nos afasta completamente da interioridade do Natal.
Há coisas bem mais importantes do que "este" Natal. Há sim. O próprio Natal.
Há coisas bem mais importantes do que "este" Natal. Há sim. O próprio Natal.
16.12.10
Inquietações matinais
Uma das medidas anunciadas ontem pelo Governo é esta:
"1- O Governo decide adoptar as seguintes medidas, com o objectivo de melhorar a competitividade da economia e apoiar as exportações:
a) Criar, até ao final do 1.º trimestre de 2011, uma via rápida para investimentos nos sectores de bens transaccionáveis através i) do alargamento do regime dos projectos de Potencial Interesse Nacional (PIN) aos investimentos das PME para projectos superiores a 10 milhões de euros, e ii) da adopção do regime de interlocutor único e da conferência decisória, para efeitos de licenciamento, para projectos superiores a 25 milhões de euros".
Ou muito me engano, ou houve vivas ontem à noite por parte de muitos grupos económicos que estavam desejosos de uma medida como esta. Está, finalmente, desbloqueado o arrasamento do pouco que resta do território do país que ainda se encontra minimamente preservado, como é o caso da Costa Vicentina. Acabou ontem.
"1- O Governo decide adoptar as seguintes medidas, com o objectivo de melhorar a competitividade da economia e apoiar as exportações:
a) Criar, até ao final do 1.º trimestre de 2011, uma via rápida para investimentos nos sectores de bens transaccionáveis através i) do alargamento do regime dos projectos de Potencial Interesse Nacional (PIN) aos investimentos das PME para projectos superiores a 10 milhões de euros, e ii) da adopção do regime de interlocutor único e da conferência decisória, para efeitos de licenciamento, para projectos superiores a 25 milhões de euros".
Ou muito me engano, ou houve vivas ontem à noite por parte de muitos grupos económicos que estavam desejosos de uma medida como esta. Está, finalmente, desbloqueado o arrasamento do pouco que resta do território do país que ainda se encontra minimamente preservado, como é o caso da Costa Vicentina. Acabou ontem.
14.12.10
Inquietações matinais
Não sei o que achar do Wikileaks. Balanço entre considerar que as revelações são más para o mundo tal como o conhecemos e achar que, de facto, existem muitos gatos escondidos com rabo de fora. Muitos e cada vez mais, ao que parece.
A principal conclusão a que chego ao ler as notícias que saem a toda a hora é que já nada é o que parece (provavelmente nunca foi, mas a (in)consciência fazia a diferença). A situação financeira de Portugal e dos portugueses não é a que pareceu durante anos a fio. A honestidade dos políticos que nos governam não é a que queríamos que fosse nem a que eles nos querem fazer crer que é. A "verdade" que nos é transmitida sobre as mais variadas coisas não é verdade alguma. As soluções apresentadas para a crise não resolvem nada porque não são verdadeiras soluções. A verdade dos "mercados" é tão flutuante como maré em dia de tempestade e não parece traduzir um verdadeiro sentimento dos investidores face às posições que vão sendo tomadas relativamente à dívida soberana. A União Europeia está longe de ser uma união entre Estados, parecendo antes uma coligação de interesses que funcionou enquanto alguns tiveram a paciência de financiar o sistema. Os EUA estão longe de ser os bons da fita mas, verdade seja dita, estão longe de ser os maus da fita como muitos querem fazer crer e é de bom tom dizer. Enfim, falta tempo e alguma paciência para acrescentar mais factos, circunstâncias, negócios, políticas, políticos e casos que parecem verdadeiros e que não são. Cá e por esse mundo fora. Sim, porque a triste conclusão a que chego é que cá as coisas só são mais pequeninas. É tudo um pouco pequenino. É o diploma universitário (que não existe) do primeiro ministro, são os projectos (que não existem) assinados pelo engenheiro (que não existe) Sócrates, são as trocas de cadeiras nas empresas públicas, é o desgraçado valor do salário mínimo nacional, são as desgraçadas contas públicas, essas sim com alguma dimensão (haja alguma coisa!).
Sempre me foi ensinado que há coisas que é preferível não saber. Sempre pensei e pratiquei esta verdade que desde cedo tomei como boa. Francamente, não sei se quero saber o que nos é agora revelado pelo Wikileaks. Não sei se o mundo fica melhor por reabrir o caso Maddie, não sei se Portugal fica pior por se saber que os vôos da CIA passaram pelo nosso espaço aéreo, não sei se as relações entre o nosso país e os EUA ficam diferentes por virem a lume os relatórios habitualmente enviados pelos diplomatas americanos acerca dos políticos portugueses. Pergunto-me, aliás, quem em Washington terá interesse em saber que o engenheiro (que não existe) Sócrates tem carisma (carisma?!...) e é teimoso e que o PR ficou muito sentido de não ter sido recebido na sala oval da Casa Branca. Quem será assim tão dispensável que faça da leitura e análise disto uma profissão?
É. De facto, há coisas que prefiro não saber. Deixem-nos viver no matrix. Não é que sejamos felizes, mas pelo menos temos alguma paz de espírito que vamos inevitavelmente perder (embora por pouco tempo) com as revelações do Wikileaks. Estaremos prontos para a guerra?
A principal conclusão a que chego ao ler as notícias que saem a toda a hora é que já nada é o que parece (provavelmente nunca foi, mas a (in)consciência fazia a diferença). A situação financeira de Portugal e dos portugueses não é a que pareceu durante anos a fio. A honestidade dos políticos que nos governam não é a que queríamos que fosse nem a que eles nos querem fazer crer que é. A "verdade" que nos é transmitida sobre as mais variadas coisas não é verdade alguma. As soluções apresentadas para a crise não resolvem nada porque não são verdadeiras soluções. A verdade dos "mercados" é tão flutuante como maré em dia de tempestade e não parece traduzir um verdadeiro sentimento dos investidores face às posições que vão sendo tomadas relativamente à dívida soberana. A União Europeia está longe de ser uma união entre Estados, parecendo antes uma coligação de interesses que funcionou enquanto alguns tiveram a paciência de financiar o sistema. Os EUA estão longe de ser os bons da fita mas, verdade seja dita, estão longe de ser os maus da fita como muitos querem fazer crer e é de bom tom dizer. Enfim, falta tempo e alguma paciência para acrescentar mais factos, circunstâncias, negócios, políticas, políticos e casos que parecem verdadeiros e que não são. Cá e por esse mundo fora. Sim, porque a triste conclusão a que chego é que cá as coisas só são mais pequeninas. É tudo um pouco pequenino. É o diploma universitário (que não existe) do primeiro ministro, são os projectos (que não existem) assinados pelo engenheiro (que não existe) Sócrates, são as trocas de cadeiras nas empresas públicas, é o desgraçado valor do salário mínimo nacional, são as desgraçadas contas públicas, essas sim com alguma dimensão (haja alguma coisa!).
Sempre me foi ensinado que há coisas que é preferível não saber. Sempre pensei e pratiquei esta verdade que desde cedo tomei como boa. Francamente, não sei se quero saber o que nos é agora revelado pelo Wikileaks. Não sei se o mundo fica melhor por reabrir o caso Maddie, não sei se Portugal fica pior por se saber que os vôos da CIA passaram pelo nosso espaço aéreo, não sei se as relações entre o nosso país e os EUA ficam diferentes por virem a lume os relatórios habitualmente enviados pelos diplomatas americanos acerca dos políticos portugueses. Pergunto-me, aliás, quem em Washington terá interesse em saber que o engenheiro (que não existe) Sócrates tem carisma (carisma?!...) e é teimoso e que o PR ficou muito sentido de não ter sido recebido na sala oval da Casa Branca. Quem será assim tão dispensável que faça da leitura e análise disto uma profissão?
É. De facto, há coisas que prefiro não saber. Deixem-nos viver no matrix. Não é que sejamos felizes, mas pelo menos temos alguma paz de espírito que vamos inevitavelmente perder (embora por pouco tempo) com as revelações do Wikileaks. Estaremos prontos para a guerra?
13.12.10
Deamblogações matinais
Com as revelações feitas pelo Wikileaks que começam agora a ecoar por aí, em que é que ficamos quanto às diversas declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros e do primeiro-ministro sobre os voos da CIA em território nacional e sobre a utilização das Lages para fins relativos a Guantanamo?
8.12.10
Inquietações vespertinas
"Jornais, rádios e televisões estão cheios de reportagem, relatos e notícias sobre a pobreza que parece estar por todo o lado. Parece exagerado que, de repente, haja uma epidemia de efeitos, muitas vezes antes sequer das medidas que os provocam começarem a ser implementadas. É verdade que o desemprego já cá está há mais de dois anos (começou antes do início “oficial” da crise pelo nosso preclaro governo…), mas a gravidade do fenómeno acontecerá só quando se esgotarem as almofadas sociais, familiares e públicas, que ainda lhe minimizam os efeitos. E só durante o ano de 2011 é que a quebra abrupta do nível de vida começará em toda a sua gravidade. Por isso, convinha haver alguma contenção, porque a pobreza não é substituir as férias em Cancún por uma semana no Algarve, nem comer menos um bife por semana. É outra coisa muito mais grave, muito mais perigosa e muito menos visível."
JPP, in Abrupto (sublinhado meu)
JPP, in Abrupto (sublinhado meu)
7.12.10
Deamblogações vespertinas
A questão é saber se faz sentido viver o Natal como sempre se viveu o Natal, ignorando de certo modo os mais desprotegidos, porque, afinal de contas, esses eram um número estatístico mais ou menos irrelevante e quando não irrelevante, pelo menos longínquo. Mas já não é assim. Os desprotegidos estão ali ao virar da esquina e nós não estamos tão longe do fim do quarteirão como julgamos. Por isso mesmo questiono-me se faz sentido repetir outros Natais no modo de pensar e de viver. Creio bem que não, mas ainda não percebi como fazer. Not yet.
6.12.10
4.12.10
3.12.10
Deamblogações matinais
Quando a FIFA anunciou a vitória da Rússia 10 milhões de portugueses respiraram de alívio. Muita gente, desde ontem, me disse que foi esse o sentimento que teve mal soube da notícia. Desses 10 milhões há que descontar os loucos e irresponsáveis políticos e para-políticos que continuavam, até ontem, a cavalgar a onda do Mundial de futebol (com o secretário de Estado à cabeça), como se nós não estivéssemos já vacinados contra este tipo de projectos que são sempre "muito lucrativos" e nunca envolvem "quaisquer custos" para o erário público, apresentando um "retorno muito considerável" do investimento feito.
Se Deus ainda olha por este rectângulo mal amanhado, e eu quero crer que sim, ontem lá se dignou a mexer um dedo por nós e pelos nossos interesses, com isso evitando que mais um mega-investimento ruinoso pusesse um pouco mais em causa a sustentabilidade do país a longo prazo.
Sim, porque a curto e médio prazo já não é possível.
Se Deus ainda olha por este rectângulo mal amanhado, e eu quero crer que sim, ontem lá se dignou a mexer um dedo por nós e pelos nossos interesses, com isso evitando que mais um mega-investimento ruinoso pusesse um pouco mais em causa a sustentabilidade do país a longo prazo.
Sim, porque a curto e médio prazo já não é possível.
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