30.12.10

Deamblogações matinais

Ao ler este livro, fico com a sensação, senão mesmo com certeza, que o problema que Portugal vive actualmente é crónico e persistente ao longo da sua história. Bancarrota, endividamento galopante, corrupção, chico-espertismo, conluios, interesses protegidos, egoísmo, indiferença ao interesse e bem comuns, desvergonha da classe política, etc., etc. Houve, há e haverá (?) sempre a tendência para se criar uma teia à volta dos "poderosos", alimentada não apenas por estes, mas igualmente por todos os que lhes são próximos e que podem ser beneficiários do sistema. Não existe independência, autonomia, auto-estima ou pudor. Os que não compactuam são o elo mais fraco. Era assim no Portugal do início do século XX, como é assim no início deste século XXI.
A espera ardente por um messias era, como de resto continua a ser, uma realidade e algo que a falta de vontade para verdadeiramente mudar as coisas continua a alimentar como sendo o único caminho capaz de nos tirar do lamaçal em que estamos atolados. Isso no passado deu Sidónio, que, não apenas durou pouco, como se revelou incapaz (evidentemente) de corresponder às expectativas exageradas que sobre ele recaíram. Depois deu Salazar com quarenta e tal anos de ditadura e de mão de ferro. A partir do momento em que fomos deixados "sozinhos" é o que temos visto. O que virá a seguir? Sim, o que poderá vir a seguir, sendo que este caminho está irremediavelmente tapado?