31.12.10

Deamblogações matinais II

"(...) o fatalismo erra o alvo na medida em que continua a ser válido que os titulares dos poderes políticos (e de outro género) têm, e terão sempre, uma responsabilidade decisiva pela sorte da autoridade das nossas sociedades. Os políticos devem apoiar-se também na autoridade que detêm e que as eleições manifestam. Devem, pois, cuidar de cultivá-la. Devem proteger a sua própria autoridade e a que é inerente ao cargo público que desempenham. Por outras palavras, devem cuidar das instituições do Estado para preservar a sua autoridade pessoal e a do Estado. O clientelismo, a corrupção, o nepotismo, a colonização das instituições do Estado por interesses sociais, a banalização ou a desvalorização dos símbolos da ordem pública minam a autoridade institucional do Estado e a autoridade das organizações sociais envolvidas. E com elas vai-se igualmente a autoridade pessoal de todos os que ascendem a posições de poder no interior do sistema político.
Miguel Morgado, in "Autoridade", Fundação Francisco Manuel dos Santos