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7.8.13

De carta de demissão em carta de demissão até à demissão final

O ex-ministro Gaspar inaugurou uma nova moda por quem anda pelos afazeres governativos: a da publicitação de uma carta de demissão, na qual o membro do Governo demissionário transmite ao povo e a quem estiver interessado (muito pouca gente, suspeito eu) os motivos da saída. Ele foi o primeiro, depois veio Portas e agora Pais Jorge. Nos tempos antigos ainda se davam conferências de imprensa (v.g. Relvas) ou, o que era melhor e mais sensato, não se tomava qualquer atitude pública, ficando os motivos entre o demissionário e a sua tutela. Agora, o ritmo de demissões é tão grande que não há tempo (nem pachorra) para conferências de imprensa e, convenhamos, a discrição é uma virtude desconhecida e em vias de extinção. Vai lá de cartinha que é para, sem direito a contraditório nem a incómodos de perguntas jornalísticas que não interessam, ficar para a posteridade aquilo que tem a dizer-se, não sem que antes de metam umas farpas aqui e acolá. Isto em Direito tem o nome pomposo de declarações unilaterais não receptícias: são produzidas por alguém e não necessitam de ser recebidas pelo(s) seu(s) destinatário(s) para produzirem efeitos. A benefício de quem as faz, naturalmente.
Eu acho que isto tudo dava uma comédia de grandeza cósmica, não fosse ter efeitos directos em nós todos. Sinceramente, espanta-me como este conjunto de incompetentes ainda está em funções. Pior do que eles, só a oposição.

13.5.13

Deamblogações matinais

O regresso aos mercados foi bom, "bonito" (!) até nas palavras de Gaspar, mas o que importa saber é se isso de alguma forma se nota no dia-a-dia dos portugueses. E a resposta é, inevitavelmente, que não. Não se nota. Para os portugueses, voltar ou não voltar aos mercados e contrair dívida a 10 anos a 5 e tal por cento é absolutamente irrelevante. Absolutamente irrelevante.

18.3.13

Deamblogações vespertinas II

Previsões do Governo para 2013: 19,8% de taxa de desemprego no final do ano. Mentira. Já é mais do que isso (os números mentem a sério por causa de um número cada vez maior de desempregados que está à margem do sistema e já nem sequer se encontra inscrito nos centros de emprego) e vai ser ainda mais.
Eu não posso duvidar da competência técnica de Vítor Gaspar. É evidente que ele a tem e eu, pelo contrário, não tenho competência técnica nesse domínio para questionar devidamente muitas das decisões que são tomadas (não significa que concorde com elas, apenas que não as posso questionar devidamente). Isso é uma coisa. Mas, bem diferente é assistir ao ministro a dizer que se encontra desapontado (sic) com os números do desemprego, dando a impressão de que os mesmos não eram previsíveis.
Será que ouvi bem?!
Estará acaso o ministro a tentar enganar o comum dos portugueses, querendo perpassar a ideia de que a subida do desemprego é algo com vida própria, independente das condições económicas que o Governo ajudou a criar com as suas políticas? Quererá perpassar a ideia de que era algo impossível de prever?
É lamentável, é irresponsável e demonstra uma de duas: ou uma total falta de respeito para com os portugueses (porque mente descaradamente, querendo dar a impressão de que está surpreendido quando, na verdade, não está) ou uma total incompetência técnica (porque qualquer pessoa medianamente informado anteciparia, como aqui se fez por muitas vezes, que isto iria acontecer mais tarde ou mais cedo). Qualquer das duas é caso para demissão. Já.
Passos fica, uma vez mais, demonstrado como incompetente para chefiar o Governo.

7.12.12

Deamblogações vespertinas


Com esta histeria toda em redor do benefício para Portugal das condições gregas, o que é verdadeiramente incompreensível é toda a gente saber (e nessa gente, inclui-se, desde logo, o PM e o MF, os demais membros do Governo, mas também os restantes líderes partidários com especial destaque para Seguro) que Portugal não conseguirá fugir dessa circunstância, embora ninguém tenha coragem de afirmá-lo e, muito pior e mais grave do que isso, o Governo não agir em consequência. Ou seja: age-se agora conforme uma pretensa realidade que todos sabem não existir (porque a situação vai continuar a degradar-se, o PIB a diminuir e a dívida a crescer), com isso agravando ainda mais as condições do país, para se "chegar à conclusão" (como se à mesma não se tivesse chegado já) daqui por uns meses que, afinal (!), há que fazer um "haircut", prorrogar prazos, etc., etc.
Isto é incompreensível, como digo antes, mas mais do que isso parece-me criminoso, porque entretanto o rasto de tragédia é imenso e insuportável.

27.11.12

Deamblogações matinais

Eu confesso que não consigo compreender a obsessão do Governo em manter as medidas de austeridade e em fazer aprovar um orçamento que todos - repito, todos, incluindo os próprios membros do Governo - sabem não poder ser cumprido porque se baseia em pressupostos macroeconómicos errados. Parece que há aqui uma teimosia que impede que o bom senso impere. Na vida, tenho aprendido, muitas vezes à minha própria custa, que, mais do que conhecimento científico ou técnico, o bom senso deve comandar todas as nossas acções. De há muito tempo para cá, falta ao Governo, designadamente ao primeiro ministro e ao ministro das finanças, bom senso. Não apenas no diagnóstico da situação e no prognóstico do devir, mas também na opção pelas medidas de política que vão sendo adoptadas. Exigia-se mais e melhor. Senão no plano técnico, pelo menos no da sensatez.

11.9.12

Deamblogações vespertinas

A declaração do Governo de que a recessão será de 1% em 2013 e o desemprego se ficará pelos 16% (neste último caso, com Gaspar a dizer em tom absolutamente concêntrico e inextrincável que não será maior porque "os efeitos da deterioração da actividade económica serão contidos pelos efeitos positivos da desvalorização fiscal prevista"), é a coisa mais mentirosa que ouvi nos últimos tempos, não contando com a existência do Tio Patinhas e respectivos sobrinhos que o meu filho de 4 anos jura que vê todos os dias a sair da escola.