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13.7.17
Deamblogações matinais
O cerco vai apertando cada dia mais, apesar do esforço colossal e muito patético dos spin doctors ligados a Trump.
Agora foi o vídeo que liga o presidente a Rob Goldstone em 2013, em imagens que são mais do que demonstrativas do grau de intimidade e à-vontade entre os dois.
É óbvio que existe collusion entre o presidente e o seu staff e a Rússia e só não vê quem não quer ver, sendo que ainda há muita gente que não quer ver.
Donald Jr. tenta atirar poeira para os olhos da opinião pública, mas não conseguirá nada de mais. O POTUS que é tão lesto a reagir a tudo e mais um par de botas no twitter, anda calado que nem um rato porque, crê ele, quanto menos disser e se mostrar, menos o fogo que arde já selvaticamente o poderá chamuscar.
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14.4.14
Deamblogações vespertinas
Estamos habituados a que qualquer distúrbio violento publicitado pelos jornais e televisões esteja lá longe, lá onde não nos pode afectar. É o outro lado (o bom) da moeda que é estarmos nos confins da Europa, aqui longe de tudo e de todos e com milhares de quilómetros para atravessar para chegar ao centro.
Vem isto a propósito do que se passa na Ucrânia, que, embora lá longe, muito longe, ao alcance apenas dos mísseis balísticos mais potentes, me preocupa de sobremaneira. E não é porque receie que as tropas russas disfarçadas de agitprop possam atravessar os Pirenéus e invadir a raia alentejana por aí fora até aterrarem no Terreiro do Paço.
O que me mete mesmo medo é a impotência da UE, dos EUA e da NATO perante o que é uma absoluta e miserável farsa de Putin, daquelas que nem uma actuação por boa que fosse dos robertos podia enganar o mais pequeno dos miúdos da assistência.
A actuação do presidente russo é tão miseravelmente evidente que chega a ser bacoca. Dizer que mantém estacionadas as tropas russas para proteger a população russófona (proteger de quê, se os ucranianos nunca demonstraram não querer no país os seus concidadãos de origem russa?), com isso inflacionando os nervos que já estavam à flor da pele, depois aprovar em tempo recorde leis e medidas que visaram encostar os ucranianos da Crimeia às cordas, fazendo-lhes sentir claramente que estavam num país estrangeiro (no dia seguinte à proclamação da independência, passou a existir uma tarifa de roaming para quem na Crimeia mantivesse operadoras não russas (!), depois ameaçar com a escalada do preço do gás, o qual se prevê que aumente 80% para os ucranianos, depois, ainda, dizer que, afinal, está disposto ao diálogo "para que a situação não se descontrole", e, finalmente, dando cobertura mais do que evidente às milícias pró-Rússia que têm invadido tribunais, polícia, sedes da administração pública, etc. um pouco por todo o país.
Muito (demasiado) sinteticamente, tem sido esta a actuação de Putin a que a UE, os EUA e os países da NATO não têm conseguido opor-se. As sanções parecem pouca coisa, assim como pouca coisa parece ser a desvalorização do rublo ou a saída de capitais, pelo menos insuficientes para travar o que é em toda a linha contra as mais elementares regras do direito internacional e constitui um acto de guerra, senão declarado, pelo menos implícito. O que a mim me aflige é, para lá do sofrimento do povo ucraniano e do completo esmagamento do seu direito fundamental à auto-determinação, a repercussão internacional que esta impunidade irá ter. Estamos num mundo, sobretudo na Europa, em que movimentos extremistas florescem como cogumelos, muito alavancados pela incapacidade dos partidos tradicionais e dos políticos tradicionais (a maior parte caído em desgraça nas sondagens e na percepção que os eleitores têm de poder resolver efectivamente os seus problemas) traçarem um azimute bem definido, coerente, corajoso e válido.
Pois é precisamente essa total incapacidade que a crise da Ucrânia tem espelhado. São muitas as movimentações, mais ainda as palavras, mas o que é facto é que Putin tem conseguido levar a água ao seu moínho e a mãe Rússia prepara-se para conseguir anexar mais uns milhares de quilómetros quadrados, assim aumentando o seu já vasto território.
A mim não me atemoriza demasiado se uma localidade, para mim mais do que remota, acabada em "ão" passa ou não a ser russa. A mim aterroriza-me pensar que o sistema que, durante décadas, foi sendo construído não dá qualquer resposta aos problemas do mundo actual. E isso parece ser um facto incontornável.
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