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15.5.17

Deamblogações vespertinas II


FRANCIS BACON
Estudo a partir do retrato
do Papa Inocêncio X, por Velázquez

1953

Deamblogações vespertinas


DIEGO VELÁZQUEZ
Retrato de Inocêncio X
c. 1650

23.7.13

Deamblogações matinais 2

Digo de cor, mas acho que o Brasil é o maior país católico do mundo. Com mais fiéis em números relativos e absolutos.
Por isso me espantei por segundos quando, a par de milhares de pessoas nas ruas para celebrar a visita do Papa, vi manifestações contra essa mesma visita, algumas delas com necessidade de violência por parte da polícia.
É de todos conhecida a paixão dos brasileiros. Sempre ouvi, vi e assisti in loco a essa paixão, demonstrada essencialmente pelo futebol e pelo Carnaval: é indiferente o estado do país, se há ou não corrupção, se no dia seguinte há dinheiro para pão, mas em jogo do escrete não se toca, assim como não se toca em nenhum dia daquela semana mágica. Depois, quando vier a ressaca, logo se vê.
Foi sempre assim. Foi, mas parece que já não é. O povo brasileiro parece estar a renunciar ao seu ADN e a aproveitar situações históricas que, no passado, serviriam para comemorar bem ao seu estilo, para se fazerem ouvir, muitas vezes com violência e estragos.
Se em cima disso tivermos em conta que as visitas do Papa, seja ele qual for, são na sua esmagadora maioria acompanhadas de euforia e simpatia na recepção - e não de protestos, muito menos violentos - fica-se com a certeza de que alguma coisa grave se passa actualmente na sociedade brasileira.
Dilma devia reflectir nisto e devia parar para pensar. Sem o suporte do povo, ela e o PT (até mais do que um qualquer partido mais à direita) não se aguentam. Mas não se trata sequer de salvar a pele ao Governo, trata-se de reflectir sobre a razão dos protestos, sobre o mal-estar que começa a voltar a ver-se e sentir-se na sociedade brasileira.
Lá como cá - só que em escala muito maior - os erros são os mesmos. Dá-se ao povo o que ele não quer, e retira-se-lhe o que lhe é fundamental para viver. Para sobreviver. Assim não dá e vai rebentar, é só uma questão de tempo.

13.3.13

Deamblogações matinais

"O "espectáculo" papal dos dias de hoje não converte os incréus, porque a sua incredulidade é mais forte e mais funda, por boas e más razões, mas abre-os a uma certa perplexidade, nalguns casos mesmo sedução, da e pela fé. Ver alguém que acredita, como o Papa Bento XVI, agora Papa Emérito, de uma forma tão gentil, sem aí ser frágil e "sem forças", faz muito para restaurar um respeito pela espiritualidade, uma atenção ao "mistério" ao sentimento do outro, mesmo que não restaure a fé, que é um "dom" e não depende dele.

É por isso que este Papa fez muito mais pela Igreja do que muitos cristãos pensam que fez, resultado de terem ficado órfãos em Bento XVI da religiosidade afectiva de João Paulo II, daquela bondade de pater que beijava a terra e peregrinava pelo mundo todo. Bento XVI é uma outra espécie diferente de "peregrino", autoclassificação que deu a si próprio na sua última declaração ainda Papa no seu belo italiano de adopção: "Voi sapete che io non sono più Pontefice, sono semplicemente un pellegrino che inizia l"ultima tappa del suo pellegrinaggio in questa terra."
Para João Paulo II, cuja acção é muito intimamente complementar da de Bento XVI e vice-versa, a preocupação foi sempre reforçar a Igreja nas suas mais seguras fontes de continuidade e influência: o cristianismo popular, mariano, orgânico, "comunitário", como o era na sua Polónia natal, assegurando-lhe a liberdade de culto, e a autonomia das suas instituições, em particular as ligadas ao ensino. O seu olhar dirigia-se aos sítios onde o cristianismo estava a crescer e a consolidar-se, em África, na América Latina, na Ásia, a partir do povo comum, da religiosidade popular e simples. Daí também o seu papel no combate ao comunismo onde participou como inspirador e conspirador. O "Papa polaco", anticomunista, foi sempre visto pelo Kremlin como um dos grandes problemas na fase final da crise do sistema comunista, e um actor decisivo nessa queda."
 
JPP, in Abrupto