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23.7.13
Deamblogações matinais 2
Digo de cor, mas acho que o Brasil é o maior país católico do mundo. Com mais fiéis em números relativos e absolutos.
Por isso me espantei por segundos quando, a par de milhares de pessoas nas ruas para celebrar a visita do Papa, vi manifestações contra essa mesma visita, algumas delas com necessidade de violência por parte da polícia.
É de todos conhecida a paixão dos brasileiros. Sempre ouvi, vi e assisti in loco a essa paixão, demonstrada essencialmente pelo futebol e pelo Carnaval: é indiferente o estado do país, se há ou não corrupção, se no dia seguinte há dinheiro para pão, mas em jogo do escrete não se toca, assim como não se toca em nenhum dia daquela semana mágica. Depois, quando vier a ressaca, logo se vê.
Foi sempre assim. Foi, mas parece que já não é. O povo brasileiro parece estar a renunciar ao seu ADN e a aproveitar situações históricas que, no passado, serviriam para comemorar bem ao seu estilo, para se fazerem ouvir, muitas vezes com violência e estragos.
Se em cima disso tivermos em conta que as visitas do Papa, seja ele qual for, são na sua esmagadora maioria acompanhadas de euforia e simpatia na recepção - e não de protestos, muito menos violentos - fica-se com a certeza de que alguma coisa grave se passa actualmente na sociedade brasileira.
Dilma devia reflectir nisto e devia parar para pensar. Sem o suporte do povo, ela e o PT (até mais do que um qualquer partido mais à direita) não se aguentam. Mas não se trata sequer de salvar a pele ao Governo, trata-se de reflectir sobre a razão dos protestos, sobre o mal-estar que começa a voltar a ver-se e sentir-se na sociedade brasileira.
Lá como cá - só que em escala muito maior - os erros são os mesmos. Dá-se ao povo o que ele não quer, e retira-se-lhe o que lhe é fundamental para viver. Para sobreviver. Assim não dá e vai rebentar, é só uma questão de tempo.
Por isso me espantei por segundos quando, a par de milhares de pessoas nas ruas para celebrar a visita do Papa, vi manifestações contra essa mesma visita, algumas delas com necessidade de violência por parte da polícia.
É de todos conhecida a paixão dos brasileiros. Sempre ouvi, vi e assisti in loco a essa paixão, demonstrada essencialmente pelo futebol e pelo Carnaval: é indiferente o estado do país, se há ou não corrupção, se no dia seguinte há dinheiro para pão, mas em jogo do escrete não se toca, assim como não se toca em nenhum dia daquela semana mágica. Depois, quando vier a ressaca, logo se vê.
Foi sempre assim. Foi, mas parece que já não é. O povo brasileiro parece estar a renunciar ao seu ADN e a aproveitar situações históricas que, no passado, serviriam para comemorar bem ao seu estilo, para se fazerem ouvir, muitas vezes com violência e estragos.
Se em cima disso tivermos em conta que as visitas do Papa, seja ele qual for, são na sua esmagadora maioria acompanhadas de euforia e simpatia na recepção - e não de protestos, muito menos violentos - fica-se com a certeza de que alguma coisa grave se passa actualmente na sociedade brasileira.
Dilma devia reflectir nisto e devia parar para pensar. Sem o suporte do povo, ela e o PT (até mais do que um qualquer partido mais à direita) não se aguentam. Mas não se trata sequer de salvar a pele ao Governo, trata-se de reflectir sobre a razão dos protestos, sobre o mal-estar que começa a voltar a ver-se e sentir-se na sociedade brasileira.
Lá como cá - só que em escala muito maior - os erros são os mesmos. Dá-se ao povo o que ele não quer, e retira-se-lhe o que lhe é fundamental para viver. Para sobreviver. Assim não dá e vai rebentar, é só uma questão de tempo.
13.3.13
Deamblogações matinais
"O "espectáculo" papal dos
dias de hoje não converte os incréus, porque a sua incredulidade é mais
forte e mais funda, por boas e más razões, mas abre-os a uma certa
perplexidade, nalguns casos mesmo sedução, da e pela fé. Ver alguém que
acredita, como o Papa Bento XVI, agora Papa Emérito, de uma forma tão
gentil, sem aí ser frágil e "sem forças", faz muito para restaurar um
respeito pela espiritualidade, uma atenção ao "mistério" ao sentimento
do outro, mesmo que não restaure a fé, que é um "dom" e não depende
dele.
É por isso que este Papa fez muito mais pela Igreja do que
muitos cristãos pensam que fez, resultado de terem ficado órfãos em
Bento XVI da religiosidade afectiva de João Paulo II, daquela bondade de
pater que beijava a terra e peregrinava pelo mundo todo. Bento
XVI é uma outra espécie diferente de "peregrino", autoclassificação que
deu a si próprio na sua última declaração ainda Papa no seu belo
italiano de adopção: "Voi sapete che io non sono più Pontefice, sono
semplicemente un pellegrino che inizia l"ultima tappa del suo
pellegrinaggio in questa terra."
Para João Paulo II, cuja
acção é muito intimamente complementar da de Bento XVI e vice-versa, a
preocupação foi sempre reforçar a Igreja nas suas mais seguras fontes de
continuidade e influência: o cristianismo popular, mariano, orgânico,
"comunitário", como o era na sua Polónia natal, assegurando-lhe a
liberdade de culto, e a autonomia das suas instituições, em particular
as ligadas ao ensino. O seu olhar dirigia-se aos sítios onde o
cristianismo estava a crescer e a consolidar-se, em África, na América
Latina, na Ásia, a partir do povo comum, da religiosidade popular e
simples. Daí também o seu papel no combate ao comunismo onde participou
como inspirador e conspirador. O "Papa polaco", anticomunista, foi
sempre visto pelo Kremlin como um dos grandes problemas na fase final da
crise do sistema comunista, e um actor decisivo nessa queda."
JPP, in Abrupto
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