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9.5.17

Deamblogações matinais


Isto, juntamente com a app da Emel, é a melhor invenção que eu já experimentei. É tão bom que até parece mentira. Uso e, talvez, abuse...

28.7.16

Time to let go?




31.5.16


8.1.15

Escritos

Daqui vê-se bem que há qualquer coisa de mágico nesta vista sobre a cidade, que vai de Monsanto quase até ao mar da Palha.
Vendo os telhados dos prédios que antecipam o rio, tudo parece quieto, imune ao correr do tempo. Ao longe a ponte sobre o Tejo, porque ponte sobre o Tejo só há uma, a outra é a ponte Nova, mesmo que de nova já pouco ou nada tenha, ou, quando muito, Vasco da Gama.
Por sobre tudo isto voam gaivotas, andorinhas, pombos e outras espécies que a minha ignorância ornitológica não me permite identificar. Voam ainda outros pássaros, esses de metal, que, em dias especialmente soalheiros, se vêem particularmente bem a dez quilómetros de altura, traçando riscos reguados no céu.
E, no Inverno, sou brindado com pores-do-sol de uma beleza incrível, ali mesmo na foz do Tejo, por trás do Bugio, quase ao alcance de um braço. E quando, como hoje, as nuvens cobrem a Arrábida como se fossem neve, desaparecendo à medida que o maciço se dissolve, derretendo ali para os lados de Almada?
É, esta vista é mesmo mágica. Obrigado Criador. Sejas Tu quem fores.

14.7.14

Deamblogações vespertinas

O que eu vi na sexta-feira passada, ali na primeira fotografia, em pleno largo do Intendente, com um palco montado para os dois músicos de baixo tocarem, foi mesmo muito bom. Não digo que tenha sido sublime ou extraordinário, porque não sei bem o significado de tais adjectivos para um evento destes, mas foi sem dúvida memorável.
O largo estava à cunha - e o largo é grande, cabe lá muita gente -, na frente do palco havia várias filas de cadeiras e depois era gente por todos os lados: atrás das cadeiras e dos lados, inundando tudo.
Às 10h da noite entrou o Dead Combo, com o seu ar circunspecto, Tó Trips de chapéu de cano alto e Pedro Gonçalves de óculos escuros e fato às riscas, comme il faut. Um "boa noite" e vai cá disto que há muito a fazer.
Entre o público havia de tudo: as vizinhas que tinham vindo cedo, com toda a certeza, para arranjarem lugares à frente, a malta mai'nova do bairro do Intendente, os frequentadores do sítio - gente indiscriminada que por ali anda -, vários sem-abrigo que curtiam todos janados o som electrizante das guitarras, velhos de cadeiras de rodas, novos e semi-novos e outros semi-velhos e muita malta de fora que veio propositadamente para ver aquilo (como foi o meu caso). Entre esta última, também se via de tudo um pouco, mas já com o filtro da urbanidade habituada a este tipo de eventos (digo isto absolutamente sem qualquer pretensão).
E foi precisamente esta sã mistura de gentes, de gostos, de educações e de vivências que, juntamente com a música, me apaixonou na noite da passada sexta-feira. Todos comungavam do mesmo (uns mais do que outros, mas não é assim em todo o lado?), tinham o mesmo propósito e foram ficando rendidos à mesma música, que entusiasma quem a ouve e vê com atenção e respeito.
E depois, outra surpresa estava reservada para o final. À meia noite, depois de acabar o gig, pensava eu que nos íamos todos embora, deixando aquelas gentes entregues aos de sempre que por ali vivem. Mas mais uma vez estava enganado - assim como estava enganado quando me propuseram lá ir e eu vomitei que não me apetecia ir ao Intendente ouvir música... (próprio de um pateta arrogante, inculto e preconceituoso, que é o que eu sou) - porque dei por mim a ficar no largo por mais duas horas, com boa companhia a beber umas e outras como se estivesse em qualquer outro lado da cidade. E afinal estava, porque aquele é um lado como qualquer outro, como são os demais lados. Quaisquer.
Pois assim foi. Toma e embrulha ó Esperança.

9.1.14

Deamblogações matinais

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjuG3nEXRrRYwKiSkCxHw7z_n6IBUQ94mlbfbJF73JWGMMYk1XKlCzXIm6nEtBEplKWfoZh0w0PGhiUjR6YtTuKAVwtcx71QjCWXmYXh4gKNK61TICwlIkHgh2Odf1pQ-tJXMOF5w/s640/LONDRES.png



E é desta forma que eu estou completamente estupefacto e triste com a notícia de que o cinema Londres está a ser demolido para dar lugar a uma loja de produtos chineses.
Depois do Quarteto e do King, agora é o Londres que se vai definitivamente embora... Com excepção do Nimas (embora muito diferente), deixou de haver cinema em Lisboa (em Portugal?...). Acabou-se.
Uma investigadora de História de Arte diz só isto: "é extraordinário como conseguimos inventar o cinema, um equipamento que não existia noutros séculos, e depois desenvolvemo-lo, demolimo-lo e não fica nada para o século seguinte. (...) Hoje em dia as pessoas não vão ao cinema, vão a uma sala onde se passam filmes; ir ao cinema não é como ir ao supermercado, é preciso tempo. [isto é] uma regressão de civilização."
Tenhos muitos momentos de felicidade no Londres, assim como tinha no Quarteto e no King. Foi-se tudo. Acabaram-se as cadeiras confortáveis a descair, o café antes ou depois e o jornal ali de permeio.
Resta o consolo (mero consolo...) de assinar a petição contra o que está a ser feito. Aqui.

25.12.12

Deamblogações matinais

Aquilo que eu vi ontem foi isto: ninguém nas ruas de Lisboa entre as 21h e as 24h; muita gente escondida nas ruas de Lisboa em sítios que nem imaginamos existirem; muitos velhos e novos e gente velha mas nova nas ruas, gente que teve posses e se apresenta bem vestida apesar de acossada pela rua e pela vida; menos droga do que há uns anos; a arrogância e altivez de alguns que se escondem nisso para disfarçar a desgraça e dependência; muito álcool, sempre; frio, muito frio, aquele frio húmido que penetra nos ossos e que nos faz perguntar como é que aquela gente aguenta firme noite após noite muita dela sem doenças nem constipações; a indiferença dos que passam para prosseguirem as suas vidas tal como nós fazemos, sempre, no tempo que nos resta em todos os outros momentos, que é quase a vida toda, em que não nos preocupamos com os que mais precisam; a gratidão profunda de quem recebe, mais do que comida, um sorriso e um tratamento digno e decente; muita caridade individual de pessoas que desorganizadamente se preocupam em dar alguma coisa a quem não tem quase nada, sobretudo na noite que é tida por dever de ofício como a mais aconchegada das 365 noites do ano.
O que eu vi ontem foi isto e incomodou-me pensar uma vez mais como conseguimos estar sempre insatisfeitos com tanto quando há quem se satisfaça com nada.
Foi isso que eu vi após muitos anos afastado desta realidade e foi bom e mau ao mesmo tempo.