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25.3.13

Deamblogações matinais

Sempre desconfiei da capacidade real das pessoas que decidem matérias importantes após longuíssimas horas de discussão ininterrupta, muitas vezes bem dentro já da madrugada. Sempre me perguntei se essas pessoas conseguiriam manter o espírito clarividente que se impõe para tomar decisões fundamentadas.
A propósito disto, numa recente entrevista dada ao DN, o ex-MNE Luís Amado diz o seguinte acerca da


decisão do Eurogrupo, que na semana passada decidiu taxar os depósitos no Chipre como contrapartida do resgate financeiro:
"foi um erro precipitado pela resistência do Governo cipriota em afastar os grandes depositantes (...) conheço bem a forma como, a partir de certa hora da noite, os processos negociais se resolvem. E resolvem-se pelo cansaço, pela abstenção, pela saída de elementos que desistem de acompanhar uma negociação que não está no centro das suas preocupações. Não imagina a quantidade de erros que ao longo dos anos se têm cometido por causa de decisões tomadas num ambiente de cansaço. Às vezes está a fechar-se uma decisão crítica e está-se à espera que a bolsa de Tóquio abra, e às vezes é nessa hora, nesse limite que a decisão tem de ser precipitada. É essa a natureza de funcionamento do Conselho. É muita gente a mexer na panela e de vez em quando sai asneira".
Isto não me espanta propriamente, mas não deixa de ser espantoso que o cansaço e a incapacidade humana (naturais e legítimas) afectem grave e irremediavelmente a vida de milhões e milhões de pessoas.
O que Luís Amado diz não é novo, mas é incrível e irresponsável que os decisores políticos permaneçam neste caminho.

18.3.13

Deamblogações vespertinas

O que se passou na reunião do Eurogrupo este fim de semana é demonstrativo do seguinte:
a) A UE anda completamente à deriva;
b) A UE não é actualmente uma pessoa de bem;
c) A UE não é confiável;
d) A UE não protege os interesses dos cidadãos europeus, destinatários últimos das suas medidas e que justificam a sua existência;
e) Os líderes europeus são de fraquíssima qualidade;
f) Os cidadãos europeus devem deixar de confiar naquilo que é dito e transmitido pela UE porque as verdades de hoje são as mentiras de amanhã.

Não são nunca as grandes coisas que fazem a diferença e que servem para construir ou destruir o que quer que seja. São as pequenas, aquilo que se vai fazendo. Isso sim, constrói ou corrói. O Chipre é 0,2% do PIB europeu, pelo que qualquer decisão que o afecte é quase irrelevante do ponto de vista do resto da Europa. Só que não é. A alteração unilateral e em tom de embuscada das regras dos depósitos bancários veio soar os alarmes no resto dos países, sobretudo nos periféricos e mais vulneráveis, entre os quais se encontra Portugal. Devemos perguntar-nos porque razão não é possível que uma coisa semelhante nos aconteça se é verdade (escondida por enquanto, mas verdade) que jamais as metas irão ser cumpridas e nos livraremos da necessidade de um novo resgate. É só uma questão de tempo. Mas ele vai chegar.