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7.2.17
27.1.17
Acordo Ortográfico
Conclusões da Academia das Ciências de Lisboa AQUI.
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24.1.17
Começou o fim do AO... finalmente
https://www.publico.pt/2017/01/23/culturaipsilon/noticia/manifesto-contra-acordo-ortografico-contesta-criterio-de-pronuncia-por-gerar-aberracoes-1759313
https://www.publico.pt/2017/01/23/culturaipsilon/noticia/cidadaos-contra-o-acordo-ortografico-de-1990-1759324
https://www.facebook.com/groups/acordoortograficocidadaoscontraao90/
ASSINAR AQUI: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=acordoortografico90
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12.6.15
Acordo ortográfico?! O quê?!...
Tony Bellotto tem várias caraterísticas que o tornam um tipo famoso: é, antes de mais, marido de Malu Mader, o que para mim significa uma enorme inveja (pueril, entenda-se!) já que foi a minha primeira paixão platónica, depois é vocalista dos Titãs e, finalmente, é escritor. Antes deste último livro, li dois ou três livros dele. Coisa ligeira, para entremear entre outros mais fundos. Há dias vi o que penso ser o último livro dele (aqui) e decidi comprar, precisamente nessa lógica de ler uma coisa ligeira e divertida em pouco tempo. Passados alguns minutos de ter começado a ler, apercebi-me de qualquer coisa anormal: reparei que havia palavras mal escritas à moda do AO, outras bem escritas (esta algaraviada passou, infelizmente, a ser normal nos dias que correm), mas, sem perceber bem porquê, não era isso que me incomodova. Passado mais um bocado, percebi então o que era: fui ao verso da segunda página e vi que o livro estava traduzido (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!). Reli: traduzido!!! (NOTA: apesar do nome, Tony Bellotto é brasileiro, pelo que escreve em... português. Isso mesmo, em português.) Pois estava traduzido, não me lembro por quem. Ora bem, esta tradução foi a primeira tradução que vi de português do Brasil para português de Portugal, numa tentativa ridícula - e absolutamente inglória - de adaptar para cá expressões brasileiras. Encontramos, assim, mimos do tipo: (cena em que duas das personagens são apanhadas por polícias a traficar droga) "Foge cara! Os bófias estavam mesmo a galar-nos! Manda essa maconha pró chão!". Isto é uma pequena amostra, já que o livro está cheio disto.
Se eu bem me lembro - e acho que lembro -, uma das intenções do AO era a de uniformizar a língua portuguesa, com a magna vantagem (diziam os seus defensores) de, entre outras coisas, evitar edições dúplices, nomeadamente em Portugal e no Brasil. Mas, o que eu vi aqui, foi - bem pior do que uma tradução - uma junção (ridícula a todos os títulos) de expressões brasileiras (originais) e portuguesas (traduzidas), no que ficou um texto muitas vezes incompreensível, para além de retirar todo o gozo da leitura.
Eu, na verdade, não sabia que coisas destas existiam, se calhar por muita ingenuidade. Lembro-me, mais pequeno, de ler Jorge Amado e detestar "aquele" português, mas isso era bom porque preservava a língua e o espírito com que o autor havia escrito aquilo. Quem terá estas ideias absolutamente fantásticas de reescrever um livro à laia de uma (péssima) tradução que, de resto, não é de todo necessária?! Não existem revisores? Não existe um conselho editorial?! Não existe bom senso?!
Não. A conclusão é que não.
Se eu bem me lembro - e acho que lembro -, uma das intenções do AO era a de uniformizar a língua portuguesa, com a magna vantagem (diziam os seus defensores) de, entre outras coisas, evitar edições dúplices, nomeadamente em Portugal e no Brasil. Mas, o que eu vi aqui, foi - bem pior do que uma tradução - uma junção (ridícula a todos os títulos) de expressões brasileiras (originais) e portuguesas (traduzidas), no que ficou um texto muitas vezes incompreensível, para além de retirar todo o gozo da leitura.
Eu, na verdade, não sabia que coisas destas existiam, se calhar por muita ingenuidade. Lembro-me, mais pequeno, de ler Jorge Amado e detestar "aquele" português, mas isso era bom porque preservava a língua e o espírito com que o autor havia escrito aquilo. Quem terá estas ideias absolutamente fantásticas de reescrever um livro à laia de uma (péssima) tradução que, de resto, não é de todo necessária?! Não existem revisores? Não existe um conselho editorial?! Não existe bom senso?!
Não. A conclusão é que não.
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Tony Bellotto
13.5.15
Acordo ortográfico
É uma maçada de um texto em juridiquês, mas vale a pena ser lido por quem se interessa. Aqui.
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Português
5.5.15
Deamblogações matinais
Hoje comemora-se o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura nos países da CPLP. Mas hoje, em vez de comemorar, existem razões mais do que suficientes para lamentar e estar de luto por aquilo que têm feito à nossa língua escrita (já não digo falada porque essa é abastardada as mais das vezes, sendo que o AO o que pretende é, precisamente, aproximar o escrito do falado, num movimento que, a meu ver, também, et pour cause, abastardiza e de que maneira a própria língua).
Depois de inúmeras tentativas goradas ao longo dos anos para consensualizar o que não é (e ainda bem) consensualizável - a língua dos países lusófonos -, chegou-se à imposição por via legislativa do acordo de 1990, após se perceber que havia e ainda há países que não o ratificaram (Angola e Moçambique). Se, num primeiro momento que durou muitos anos, a ratificação por todos era um requisito obrigatório, deixou de o ser, a partir do momento que se ficou com a certeza que esse consenso não existia. Nada, portanto, que a lei não resolva, mesmo que isso vá contra o espírito (eventualmente presente) de 1990.
Hoje, em Portugal, depois de o AO ter sido declarado obrigatório em 2011 e a escassos dias de terminar o período transitório durante o qual aquele foi sendo introduzido nas escolas, o Governo, num novo movimento de total insensatez, prepara-se para penalizar estudantes se os mesmos não escreverem de acordo com o acordo. Se os mesmos preferirem "peremptório" em vez de "perentório", "recepção" em vez de "receção", "adoptar" em vez de "adotar", "pára" em vez de "para", "pêlo" em vez de "pelo", "correcto" em vez de "correto" e assim por diante.
Nunca como actualmente se viram tantas incongruências nos documentos oficiais, nas legendas dos filmes, nos genéricos televisivos, nas notas de rodapé dos telejornais. Nunca como hoje se viram tantos e tantos erros nos jornais, por vezes nas mesmas crónicas ou notícias em que palavras aparecem escritas de forma diferente. Nunca como hoje a incongruência foi tanta até chegar ao puro disparate de, há dias, ter ouvido alguém conhecido dizer que escrevia algumas palavras nos termos do acordo e outras "à antiga".
Absurdo total.
Apraz-me ser por vezes surpreendido (ainda... e por quanto tempo?) e pegar em livros novos e acabados de editar, em que o português é correcto com "c" e não há uma nova língua que torna muitas vezes difícil a própria compreensão do que se quer dizer (para além de chocar quem lê), mas isto é cada vez mais raro e, quais personagens estranhos votados a uma espécie de gueto cultural, quem escreve bem tem, hoje em dia, de indicar que "escreve de acordo com a antiga ortografia" (!). Ora, eu não escrevo de acordo com antiga ortografia, coisa nenhuma! Escrevo de acordo com a ortografia correcta com "c", sem incorreções ou coisas do género.
Sempre se dirá que, em 1911, quando se retirou o "ph" e o substituíram por "f" e o mesmo, respectivamente, com o "y" e "i", se avançava no que hoje é a norma e na altura era o diabo. Mas é falso esse argumento. Nunca como com o AO se foi contra a etimologia, fazendo desta tábua rasa, relegando-a para um plano mais do que secundário, terciário ou ainda mesmo menor. Quem escreve "perentório" não percebe, nem pode!, de onde vem a palavra, pelo que tem mais dificuldade em percebê-la, em compreendê-la e, também, em escrevê-la.
Mas todos estes parecem argumentos menores quando o que interessa é aproximarmos a escrita da fonética, desrespeitando em absoluto a verdade mais elementar de todas, que é a de que a fonética anda incomensuravelmente mais depressa do que a escrita e precisa desta para se ancorar, sob pena de as línguas deixarem de o ser e passarem a ser, irremediavelmente, uma imensa manta de retalhos.
É, inexoravelmente, isto que vai acontecer com o português. À boleia de uma suposta e mal vendida ideia de uniformização que tudo iria facilitar, está-se a dar cabo de um património material e de extrema importância, o que empobrecerá em definitivo e sem volta a nossa cultura e a nossa História.
Hoje é, por tudo isto, um dia de luto nacional. Pela nossa língua e por aquilo que estão a fazer com ela.
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Vida
19.2.14
Deamblogações vespertinas
Eu preocupo-me com a escrita. Não apenas o estilo da escrita, mas também com os erros ortográficos e de sintaxe
Nunca na minha vida vi tantas discrepâncias na escrita da nossa língua como actualmente, resultado directo do que fizeram (e impuseram) algumas iluminárias que crêem perceber muito de português e muito acerca de etimologia, ortografia, linguística, vocabulário, semântica e de outras coisas que não estão ao alcance do comum dos mortais como fricativos verbais, oclusivos velares, oxítonos homógrafos, ênclises e tmeses (sim, tmeses, não me enganei). Enfim, claro que estou propositadamente a tomar a nuvem por Juno e claro que, primeiro, nem todas as pessoas que defendem o AO estão mal intencionadas (se é que alguma está...), segundo, os palavrões que utilizei antes não são próprios apenas do AO, e terceiro, muitas dessas pessoas percebem de facto muito de português.
Não é, efectivamente, isso que está em causa. O que está em causa é que, como dizia, nunca vi tantas disparidades com a nossa língua, vindas precisamente de quem quer escrever a mesma coisa mas fá-lo de formas diferentes. Pior: a própria Administração Pública, obrigada que está ao AO, ainda continua a utilizar Ofícios em que utiliza, percebe-se que distraídamente e não por qualquer razão de apego ao antigamente, a velha grafia, misturando-a, linhas abaixo, com a nova grafia, contribuindo para um resultado absolutamente caótico e distónico do parágrafo, linha ou singela ideia que queira perpassar-se.
Para além de que, como hoje vem muito bem descrito num artigo de opinião de Francisco Miguel Valada, no Público, aqui, existem "consequências na leitura (e não só na escrita) da supressão de diacríticos (consoantes e acentos)" que produzem, por exemplo, o seguinte resultado (transcrevo por facilidade parte do artigo referido):
"(...) numa aula de Português, um aluno do ensino secundário leu em voz alta um texto que continha a frase “a conceção [sic] de Nossa Senhora foi imaculada” e pronunciou o "conceção" (sic) exactamente da mesma forma como pronunciaria "concessão". A este propósito, Maria Alzira Seixo acrescentou (e bem) que, apesar do contexto, o aluno não leu "conceição".
São conhecidas as razões que justificam uma ocorrência "conceição" em vez de "concepção". Curiosamente, também a possibilidade de uma ocorrência "conceição" em vez de "conceção" (sic) é contextualmente plausível e não só pela presença de “Nossa Senhora”. Esta idealização de um "i" depois do "e" é corroborada por um fenómeno perturbador que actualmente se começa a identificar em leitura de textos escritos “ao abrigo” do AO90: devido à supressão do "c" de directo, alguns indivíduos lêem "direito" em vez de direto (sic)."
Efectivamente, começa-se a reparar que quem não tem o referencial antigo das palavras tal como aprendemos a escrever, ou seja, os mais novos, estão sujeitos a erros de escrita e de oralidade que podem produzir erros de compreensão (quem por exemplo não sabe que "concepção" do verbo "conceber" se transformou (para alguns...) em "conceção", lendo-se o "e" de forma aberta, tenderá a lê-lo de forma fechada, fazendo por isso confusão com o verbo "condecer" (com "d").
Isto são tudo consequências do que alguma gente pensou como sendo profícuo para a nossa língua. Interessante o facto de os restantes CPLP's manterem, segundo parece, reticências acentuadas na adopção do que para nós se tornou uma imposição governativa.
Mas esta, ao contrário dos impostos, nunca seguirei. E espero que muitos como eu.
Nunca na minha vida vi tantas discrepâncias na escrita da nossa língua como actualmente, resultado directo do que fizeram (e impuseram) algumas iluminárias que crêem perceber muito de português e muito acerca de etimologia, ortografia, linguística, vocabulário, semântica e de outras coisas que não estão ao alcance do comum dos mortais como fricativos verbais, oclusivos velares, oxítonos homógrafos, ênclises e tmeses (sim, tmeses, não me enganei). Enfim, claro que estou propositadamente a tomar a nuvem por Juno e claro que, primeiro, nem todas as pessoas que defendem o AO estão mal intencionadas (se é que alguma está...), segundo, os palavrões que utilizei antes não são próprios apenas do AO, e terceiro, muitas dessas pessoas percebem de facto muito de português.
Não é, efectivamente, isso que está em causa. O que está em causa é que, como dizia, nunca vi tantas disparidades com a nossa língua, vindas precisamente de quem quer escrever a mesma coisa mas fá-lo de formas diferentes. Pior: a própria Administração Pública, obrigada que está ao AO, ainda continua a utilizar Ofícios em que utiliza, percebe-se que distraídamente e não por qualquer razão de apego ao antigamente, a velha grafia, misturando-a, linhas abaixo, com a nova grafia, contribuindo para um resultado absolutamente caótico e distónico do parágrafo, linha ou singela ideia que queira perpassar-se.
Para além de que, como hoje vem muito bem descrito num artigo de opinião de Francisco Miguel Valada, no Público, aqui, existem "consequências na leitura (e não só na escrita) da supressão de diacríticos (consoantes e acentos)" que produzem, por exemplo, o seguinte resultado (transcrevo por facilidade parte do artigo referido):
"(...) numa aula de Português, um aluno do ensino secundário leu em voz alta um texto que continha a frase “a conceção [sic] de Nossa Senhora foi imaculada” e pronunciou o "conceção" (sic) exactamente da mesma forma como pronunciaria "concessão". A este propósito, Maria Alzira Seixo acrescentou (e bem) que, apesar do contexto, o aluno não leu "conceição".
São conhecidas as razões que justificam uma ocorrência "conceição" em vez de "concepção". Curiosamente, também a possibilidade de uma ocorrência "conceição" em vez de "conceção" (sic) é contextualmente plausível e não só pela presença de “Nossa Senhora”. Esta idealização de um "i" depois do "e" é corroborada por um fenómeno perturbador que actualmente se começa a identificar em leitura de textos escritos “ao abrigo” do AO90: devido à supressão do "c" de directo, alguns indivíduos lêem "direito" em vez de direto (sic)."
Efectivamente, começa-se a reparar que quem não tem o referencial antigo das palavras tal como aprendemos a escrever, ou seja, os mais novos, estão sujeitos a erros de escrita e de oralidade que podem produzir erros de compreensão (quem por exemplo não sabe que "concepção" do verbo "conceber" se transformou (para alguns...) em "conceção", lendo-se o "e" de forma aberta, tenderá a lê-lo de forma fechada, fazendo por isso confusão com o verbo "condecer" (com "d").
Isto são tudo consequências do que alguma gente pensou como sendo profícuo para a nossa língua. Interessante o facto de os restantes CPLP's manterem, segundo parece, reticências acentuadas na adopção do que para nós se tornou uma imposição governativa.
Mas esta, ao contrário dos impostos, nunca seguirei. E espero que muitos como eu.
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