Embora oriundo do Goldman Sachs - o que em si não pode ser estigma algum, mas, pelas piores razões, não pode também deixar de ser notado, tendo em conta os acontecimentos dos últimos 5/6 anos - o presidente do BCE tinha parecido até segunda-feira passada uma pessoa com noção da importância da função que desempenha. O que não é de somenos, atenta a absoluta falta de consciência que têm demonstrado quase todos os governantes europeus e internacionais (no mesmo saco, presidente da Comissão Europeia, do FMI, respectivos porta-vozes, diversos comissários, etc.).
Pois, como no melhor pano (?) cai a nódoa, Draghi falou de mais. Talvez tenha sido a sua costela italiana a dar-lhe gás numa matéria em que devia, evidentemente, ter-se mantido reservado. Não manteve e, por causa disso, criou os maiores problemas a Portugal e ao Governo português. Não é que toda a gente não tivesse já percebido que a seguir à troika teríamos (teremos) um programa cautelar. Mas, em todo o caso, uma coisa é o Governo, como se impunha, andar no silêncio dos gabinetes a negociar esse programa (ainda julgo, na minha inocência, que isto é governado por pessoas capazes e com sentido de dever...), outra, bem diferente, é trazer-se para a praça pública as dúvidas, hesitações e inconsistências de todos quantos decidem o nosso futuro.
Obrigado, pois, Mario.