9.10.13

Deamblogações vespertinas

Segundo o Público on-line:

"O primeiro-ministro afirmou esta quarta-feira que a proposta de Orçamento do Estado para 2014 não poderá ter outro objectivo senão levar mais longe a preocupação de reduzir o défice das contas públicas.

“É o que está combinado com os credores” e é o que “precisamos para recuperar a confiança dos investidores”, disse Pedro Passos Coelho, que falava na abertura de uma convenção empresarial organizada pela AIP com o tema “Sobreviver e Crescer”."

Passo a passo (e não, não é um trocadilho com o nome do pm), Passos vai levando a água ao seu moínho, com desonestidade equivalente à teimosia que lhe é por todos reconhecida. Por estas declarações estrategicamente pensadas, vamos ficando a saber a conta-gotas que o ano orçamental de 2014 vai ser ainda mais duro do que têm sido os últimos três e que o primeiro-ministro, numa tentativa de desresponsabilização perante a opinião pública, invoca a troika ("os credores") para legitimar os esforços absolutamente desmedidos pedidos ao povo português. E depois remata, num perfeito exemplo de double talk, que precisamos desta austeridade toda "para recuperar a confiança dos investidores".

É de uma desonestidade e desfaçatez que utrapassam todos os limites do suportável.  A indignação que sinto ao ler isto (porque recuso-me militantemente a ouvir a voz desta gente) é de um tamanho que não consigo descrever. Sinto-me atentado na inteligência que julgo ter, sinto-me enganado e vilipendiado como português. Eu saberia muito bem descrever como me sinto por palavras que não são nada bonitas. A pergunta que me faço várias vezes por dia é se não há meio de correr com esta corja de malfeitores que, em nome de algo que está por explicar (ideologia não é, interesses materiais próprios não sei...), cavam um buraco que, já toda a gente viu muito bem, é demasiado fundo para de lá sair. Dito por outras palavras, a reestruturação do défice é inevitável e esta gente continua a impor-nos medidas como se não fosse.

Começo a não ter palavras para descrever a revolta que sinto.