
Estas duas fotografias são daquele que é considerado o maior cruzeiro do mundo: o Allure of the Seas. Segundo a wikipédia, tem 360m de comprimento, 65m de altura, pesa 220 mil toneladas, tem uma tripulação de 1800 pessoas e transporta 5400 passageiros, num total de 7200 pessoas (!).
Tem sido noticiado que Lisboa tem ganho a rota dos cruzeiros, sendo visível desde há uns tempos a esta parte monstros destes atracados ao longo do porto da cidade. Há umas semanas, fiquei mesmo boquiaberto quando vi um deles parado ao pé do Lux. Aquilo nunca mais acabava, tanto em comprimento como em altura. Impressivo. Lisboa, pela primeira vez, já destronou inclusive a Madeira, naquele que é um curioso campeonato. Só que nem tudo é bonito no que toca a cruzeiros. Deixo de lado o horrível que é (eu sei do que falo pois, ainda que consideravelmente mais pequeno do que estes actuais, fiz um cruzeiro de 15 dias quando tinha 12 anos e jurei para nunca mais) estar-se com mais não sei quanta gente, tipo sardinha em lata mas com espaço, a fazer as mesmas coisas (horas de pequeno almoço, almoço, lanche, jantar, baile, espectáculos, piscina, ginásio, visitas às cidades aonde se pára, etc., etc.). Isso é muito mau, mas há quem goste e como há quem goste, cabe-nos respeitar. Ainda bem que há quem prefira isso a praias desertas e sem apoios...
O lado mau que refiro é o das alterações que estas bestas marinhas vieram trazer ao turismo e, sobretudo, aos locais que visitam. Na verdade, poucos sítios estão preparados para receber, de uma só vez, 5000 pessoas a desembarcar ao mesmo tempo (excluo a tripulação mas ela também deve entrar para os cálculos). Eu sei que o SEF tem neste momento um problema grave com isto porque, pura e simplesmente, não tem capacidade para fiscalizar todas estas entradas. Li há dias que Veneza foi pela primeira vez colocada em risco pela World Monuments Watch exactamente por causa dos cruzeiros e do que as milhares de pessoas vomitadas à vez sempre que um barco destes lá aporta fazem à antiga cidade-estado.
Tenho curiosidade de saber qual a pegada ecológica que estes monstros deixam ao cabo de uma viagem, entre gasóleo, dejectos, CO2 e outro lixo igualmente importante. Imagino que seja enorme, uma vez que ali tudo é enorme: o volume, o número de pessoas, o tamanho das piscinas, das salas de espectáculos, dos restaurantes, de alguns quartos, das chaminés, etc., etc.
Volto ao início: detesto cruzeiros. Não apenas do ponto de vista arquitectónico (ou visual), mas como conceito. Para além de ser do mais limitativo que existe e a noção de claustrofobia ser mesmo real, considero o protótipo da "carneirada" ou, sendo um pouco mais polido, dos entusiásticos daquele jogo chamado "the king says..."
Mas, o que é facto é que está na moda, e, como todos nós sabemos, o que está na moda e ainda por cima é suportado por muito dinheiro, tem muita força. Preparemo-nos, pois, para ver de vez em quando prédios destes junto às docas e olhemos incréus para aqueles viajantes que, para além de gostarem de ser enganados (eu acho mesmo que é ir ao engano estar-se num barco que não se sente como tal), gastam milhares de dólares para serem tratados como borregos quando atravessam a estrada.
Em hora de ponta.
