31.3.13

Deamblogações nocturnas

Acho que está criado um marasmo na vida política portuguesa, sob o manto de algum nervosismo e de ser perpassado que está imensa coisa a acontecer. Não está. Para além do Sócrates vir passear a sua vaidade e arrogância na tv, pouco tem acontecido. Mas, aos olhos dos incautos, muito parece estar a acontecer. Veja-se: fala-se em remodelação governamental necessária e inadiável; o PS vai apresentar uma moção de censura ao Governo; PS e PSD estão irremediavelmente afastados (mesmo? não acredito); PSD e CDS mostram divergências cada vez mais profundas; diz-se que o CDS quer impôr alguém na pasta da Economia para fazer um contraponto à política de austeridade recessiva defendida por Gaspar; pode vir o chumbo do OE/13 pelo TC; e mais uma ou outra coisa do género.
Mas paremos para pensar um pouco. Em que é que isto verdadeiramente mexe com o que nos vai acontecer como país? Infelizmente, penso que não mexe ou mexe muito pouco, incomensuravelmente menos do que aquilo que seria desejável. De tudo o que se disse, o chumbo do TC é o mais grave, e é-o não por motivos internos, mas apenas porque isso influenciará a opinião da troika e, assim, de quem nós dependemos para sobreviver. Como José Manuel Fernandes escrevia no Público de sexta feira, Portugal entrou em bancarrota, só não teve de o assumir porque a troika tomou conta disto. Se o TC chumbar o OE/13, dificultará necessariamente a libertação da próxima tranche programada, o que complicará ainda mais a já difícil sétima avaliação que está a levar a cabo (que, ao contrário do que se diz, ainda não está concluída).
O que se passa aqui no burgo é, infelizmente, hoje em dia pouco ou nada relevante para os nossos destinos. PS e PSD bem podem figir que se degladiam, o PR bem pode apelar ao bom senso e à concórdia e o Governo pode ser remodelado as vezes que forem precisas. O que conta não é isso. O que verdadeiramente conta é a cabeça de algumas iluminárias do norte da Europa a quem, sabe-se lá por que mistérios, foi dado o poder de decidir sobre 10 milhões de almas.
Talvez isto tenha algo que ver com a verdadeira debandada de políticos para os canais de televisão com o propósito de comentar a vida política.
A desenvolver.