A propósito do último filme de Sofia Coppola, Somewhere, fiquei a saber (através de um jornalista pretensamente especializado na matéria) que Sofia Coppola se pronuncia em "português" (como se os nomes e sobretudo os apelidos tivessem tradução) "cópula". Portanto é Sofia Cópula. Assim sendo, numa tradução livre, poderemos então chamá-la Sofia Coito ou Sofia Acto Sexual. É conforme se quiser.
Ouve-se muita palermice hoje em dia...
27.2.11
Deamblogações matinais
O voto de confiança da SAD em Paulo Sérgio logo a seguir ao jogo com os Rangers, a substituição de Paulo Sérgio por José Couceiro, a conferência de imprensa que o Sporting deu e o facto de Couceiro não assumir já hoje o comando técnico na Madeira, tudo isso, é mau de mais para ser verdade. É patético, é decadente e mostra que o Sporting, já não é não ter qualquer rumo ou estar a passar por um período extraordinariamente complicado, é não ter ninguém que tenha bom senso e que tome decisões. Não seria, neste momento, preciso que esse alguém percebesse de futebol ou dos negócios da bola. O nível a que estamos a falar é bastante mais básico. É o nível das decisões da pura sobrevivência. O que se faz, como se faz, quem faz. É só isso. Mas é muito, talvez.
25.2.11
24.2.11
23.2.11
22.2.11
21.2.11
17.2.11
Deamblogações matinais
A good solution applied with vigor now is better than a perfect solution applied ten minutes later.
George Patton
George Patton
14.2.11
11.2.11
Deamblogações matinais
"(...) o Estado resolveu intervir minuciosamente na vida de cada um: no que as pessoas comem, no que as pessoas bebem, no que as pessoas fumam, nos parceiros que escolhem para ir para a cama e nas medidas de protecção que devem tomar. (...) o Estado regula hoje a esfera pública como nunca antes regulou e nos força, como crianças, a seguir as suas instruções. (...)
O mundo dos Mad Men era mais perigoso. Mas mais responsável e humano. Não se seguiam regras (que, aliás, na sua maioria, se detestavam), aceitavam-se riscos."
Vasco Pulido Valente, Público
O mundo dos Mad Men era mais perigoso. Mas mais responsável e humano. Não se seguiam regras (que, aliás, na sua maioria, se detestavam), aceitavam-se riscos."
Vasco Pulido Valente, Público
6.2.11
3.2.11
Absoluta indignação
Quero aqui referir o seguinte:
a) Há uns anos atrás, Domingos Névoa, um dos sócios da Bragaparques, contactou o advogado Ricardo Sá Fernandes, oferencendo-lhe dinheiro para que o mesmo intercedesse junto do seu irmão José, vereador da CML, no caso da permuta de terrenos da antiga feira popular;
b) Ricardo Sá Fernandes terá gravado a conversa, tendo de seguida transmitido o seu teor ao MP e obtido autorização do MP para se encontrar com Domingos Névoa e gravar a conversa. Assim foi;
c) O processo judicial correu termos e Domingos Névoa foi condenado em 1.ª instância ao pagamento de 5 mil euros (desconheço o fundamento e por que crime foi acusado - eventualmente tentativa de corrupção);
d) Em sede de recurso, a Relação decidiu anular a decisão de 1.ª instância, basicamente considerando que o destinatário do acto de Domingos Névoa - porque não se tratava do destinatário final do seu desiderato, mas sim de um intermediário - não permitia que a sua conduta fosse considerada crime;
e) Entretanto, Domingos Névoa intentou diversas acções contra o advogado Ricardo Sá Fernandes, entre as quais uma por, segundo julgo, difamação;
f) O MP considerou provado tal crime e condenou Ricardo Sá Fernandes ao pagamento de 10 mil euros a Domingos Névoa;
g) Não contente, o MP anda atrás de Ricardo Sá Fernandes por causa da primeira gravação que o mesmo fez à primeira conversa que teve com Domingos Névoa e que, diga-se, nunca utilizou, a não ser junto do próprio MP para demonstrar o seu receio face à situação e fundamentar o pedido de gravação de uma segunda conversa, que acabou por ter lugar.
Moral da história: um cidadão é alvo de uma abordagem no mínimo estranha, não apenas por vir de quem vem (vide inúmeras suspeitas ao longo dos anos, sobretudo na cidade de Braga), mas igualmente por causa do seu teor (oferecimento de dinheiro tendo por objecto um terreno que levantou muitas questões no âmbito da CML). Esse cidadão acontece ser irmão de um vereador da própria CML, com acesso, por isso, ao centro de decisão do processo relativo ao processo em causa. O cidadão, considerando ilicita a abordagem de que foi alvo, decide dar da mesma conhecimento ao MP, solicitando o seu apoio. Numa primeira fase, tem-no. Porém, a máquina judicial (no caso, através de um tribunal superior) trata de fazer a tão famigerada justiça, ilibando Domingos Névoa, anulando uma primeira decisão que, já de si, era um tanto ou quanto inexplicável (pagamento de 5 mil euros, a que título? Porquê essa quantia se os interesses envolvidos eram incomensuravelmente superiores?). Vai daí, o pretenso ofensor vira ofendido e ataca o ofendido inicial (que virou entretanto ofensor!) e consegue, uma vez mais através da máquina judicial, sacar-lhe (porque é de saque que se trata) 10 mil euros (gostava também de saber a título de quê). Não contente com a situação, o MP persegue, inefável, aquele que denunciou publicamente esta história toda porque, pasme-se!, gravou uma conversa mais do que suspeita, com alguém mais do que suspeito, sobre um tema mais do que suspeito, sem nunca a ter utilizado e, portanto, sem nunca ter violado quaisquer normas vigentes.
É isto o nosso Estado de Direito? É esta a nossa justiça? Não há apenas regras processuais. Há uma mensagem que se passa sempre (boa ou má e neste caso muito má) para a opinião pública. Aqui, na situação em que estamos de absoluta descrença nas instituições e nas pessoas que estão à frente delas, não podia haver pior. Tudo isto é demasiado mau para ser verdade. Envergonho-me como português. Tenho, pura e simplesmente, muita vergonha.
2.2.11
Deamblogações matinais
O que mais custa, dizia, é a passagem dos dias, sempre iguais, a deambular para aí... Falava num tom calmo e suave. A roupa era puída e o rosto algo acossado, como se envergonhado pelas traições da vida.
Imaginei que pudesse ser mais uma vítima do desemprego, dessas vítimas que grassam por aí cada vez mais como fantasmas sem destino. Pergunto-me o que é que um homem de cinquenta e tal anos desempregado vai fazer nesta altura do campeonato senão assombrar as ruas e as carruagens de metro...
Adeus um beijinho, despediu-se ele no mesmo tom calmo, e pôs o telemóvel dentro do casaco, o mesmo que em outros tempos talvez tenha sido bom e até caro, numa altura em que talvez houvesse dinheiro para casacos caros, gasolina para o carro em vez do metro, almoços e jantares em restaurantes bons. Não sei. Não consegui perceber se assim era. O que vi era um rosto acossado, como se envergonhado de noutros tempos poder ter visto uma vida que agora já não tinha. Restavam-lhe as roupas e o ar composto, num vento de dignidade que, como vento que é, se perde no fio dos dias, se estes não trouxerem em breve nada de bom.
Imaginei que pudesse ser mais uma vítima do desemprego, dessas vítimas que grassam por aí cada vez mais como fantasmas sem destino. Pergunto-me o que é que um homem de cinquenta e tal anos desempregado vai fazer nesta altura do campeonato senão assombrar as ruas e as carruagens de metro...
Adeus um beijinho, despediu-se ele no mesmo tom calmo, e pôs o telemóvel dentro do casaco, o mesmo que em outros tempos talvez tenha sido bom e até caro, numa altura em que talvez houvesse dinheiro para casacos caros, gasolina para o carro em vez do metro, almoços e jantares em restaurantes bons. Não sei. Não consegui perceber se assim era. O que vi era um rosto acossado, como se envergonhado de noutros tempos poder ter visto uma vida que agora já não tinha. Restavam-lhe as roupas e o ar composto, num vento de dignidade que, como vento que é, se perde no fio dos dias, se estes não trouxerem em breve nada de bom.
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