31.1.11
28.1.11
Deamblogações matinais
"A eleição de domingo reforçou a percepção de um país adiado à espera de um outro ciclo. Não apenas de novas eleições: de um ciclo novo.
(...)
É como se houvesse qualquer coisa do ambiente corrompido e arruinado de Blade Runner em todos os cenários do debate político. Tudo são escombros à nossa volta, pelo que será árdua a tarefa de reconstrução."
José Manuel Fernandes no Público
(...)
É como se houvesse qualquer coisa do ambiente corrompido e arruinado de Blade Runner em todos os cenários do debate político. Tudo são escombros à nossa volta, pelo que será árdua a tarefa de reconstrução."
José Manuel Fernandes no Público
25.1.11
Inquietações matinais II
No Domingo passado o Público trazia uma reportagem preocupante, mas muito reveladora do que é a nossa realidade - ainda que não passe de uma certa realidade, mas cada vez com mais protagonismo. A peça chamava-se "Um guia para o star system" e pode ser lida aqui.
De tudo o que ali se diz, e dizem-se algumas coisas importantes do ponto de vista da actual sociedade, o que mais me choca é o facto de actualmente se viver para a fama, como se esta fosse (e pelos vistos é) um fim em si mesmo. Ou seja, ela não é a consequência de, por exemplo, se cantar ou representar bem, mas está assumidamente antes disso. De resto, e como ali se diz, o Big Brother foi o percursor deste "movimento", ao colocar várias pessoas num verdadeiro aquário, sem nada de especial para fazerem a não ser mostrarem-se ao grande público.
Desconheço se sempre houve esta malta (as "celebridades") que vive de festas, fotos, eventos e o que mais houver, embora pense que não e que o fenómeno começou com a democratização do acesso a determinados locais e situações que estavam antes reservados a alguma sociedade. No entanto, pergunto-me quanto tempo mais a sociedade irá aguentar esta tendência que, de uma forma mais ou menos evidente, é absolutamente transversal: é tão verdade que a gente do bairro pobre quer ser famosa, como a do bairro rico, sendo que a única diferença é que esta última tem mais pejo em assumi-lo.
As fotografias pessoais coladas nas redes sociais e de acesso público mais não são do que esta tendência para a fama, assim como, numa outra vertente pretensamente mais cultural, os comentários que se fazem às notícias dos jornais. Tudo isto constitui uma forma fácil e económica de se ser conhecido. Não interessa quais os custos, nem tão pouco o que se diz ou pensa. Afinal, não é mesmo isso que está em causa.
De tudo o que ali se diz, e dizem-se algumas coisas importantes do ponto de vista da actual sociedade, o que mais me choca é o facto de actualmente se viver para a fama, como se esta fosse (e pelos vistos é) um fim em si mesmo. Ou seja, ela não é a consequência de, por exemplo, se cantar ou representar bem, mas está assumidamente antes disso. De resto, e como ali se diz, o Big Brother foi o percursor deste "movimento", ao colocar várias pessoas num verdadeiro aquário, sem nada de especial para fazerem a não ser mostrarem-se ao grande público.
Desconheço se sempre houve esta malta (as "celebridades") que vive de festas, fotos, eventos e o que mais houver, embora pense que não e que o fenómeno começou com a democratização do acesso a determinados locais e situações que estavam antes reservados a alguma sociedade. No entanto, pergunto-me quanto tempo mais a sociedade irá aguentar esta tendência que, de uma forma mais ou menos evidente, é absolutamente transversal: é tão verdade que a gente do bairro pobre quer ser famosa, como a do bairro rico, sendo que a única diferença é que esta última tem mais pejo em assumi-lo.
As fotografias pessoais coladas nas redes sociais e de acesso público mais não são do que esta tendência para a fama, assim como, numa outra vertente pretensamente mais cultural, os comentários que se fazem às notícias dos jornais. Tudo isto constitui uma forma fácil e económica de se ser conhecido. Não interessa quais os custos, nem tão pouco o que se diz ou pensa. Afinal, não é mesmo isso que está em causa.
Inquietações matinais
Na noite das eleições ouvi vários jornalistas dizerem que a abstenção tinha sido muito elevada, não tendo votado sensivelmente 5 milhões de pessoas, num universo inscrito nos cadernos eleitorais de um pouco mais de 10 milhões.
Logo aí fiquei a pensar que disparate era aquele, quando é sabido que esse universo não corresponde ao do total de eleitores, mas sim ao do total da população portuguesa cá residente. Ora, se se descontar cerca de 2 milhões de pessoas com idade inferior a 18 anos, chega-se facilmente à conclusão que o número contido nos cadernos eleitorais é uma falácia, como falácia é igualmente o número da abstenção (que deverá rondar os 35%).
Não conheço a realidade noutros países da UE e da OCDE no que diz respeito a este assunto, mas dá-me a sensação que, mais uma vez, Portugal prima aqui por uma total falta de rigor e bastante desleixo. Não estou, naturalmente, a pensar que poderão existir objectivos por detrás.
Por outro lado, em inúmeros comentários mais ou menos certeiros, apenas o Prof. Freitas do Amaral ontem na SIC-N se referiu ao facto, tendo desmentido categoricamente o número da abstenção oficial, tal como apresentada pelas entidades competentes.
É caso para perguntar quando é que o Estado liberta de vez os fantasmas dos mortos para que descansem em paz no lugar que ganharam por direito próprio...
Logo aí fiquei a pensar que disparate era aquele, quando é sabido que esse universo não corresponde ao do total de eleitores, mas sim ao do total da população portuguesa cá residente. Ora, se se descontar cerca de 2 milhões de pessoas com idade inferior a 18 anos, chega-se facilmente à conclusão que o número contido nos cadernos eleitorais é uma falácia, como falácia é igualmente o número da abstenção (que deverá rondar os 35%).
Não conheço a realidade noutros países da UE e da OCDE no que diz respeito a este assunto, mas dá-me a sensação que, mais uma vez, Portugal prima aqui por uma total falta de rigor e bastante desleixo. Não estou, naturalmente, a pensar que poderão existir objectivos por detrás.
Por outro lado, em inúmeros comentários mais ou menos certeiros, apenas o Prof. Freitas do Amaral ontem na SIC-N se referiu ao facto, tendo desmentido categoricamente o número da abstenção oficial, tal como apresentada pelas entidades competentes.
É caso para perguntar quando é que o Estado liberta de vez os fantasmas dos mortos para que descansem em paz no lugar que ganharam por direito próprio...
19.1.11
14.1.11
Deamblogações matinais
«... para todos aqueles que se deram ao trabalho de observar, tem sido evidente de há bastante tempo que o país estava a viver acima dos seus meios. Mais tarde ou mais cedo era inevitável que acabasse na bancarrota, e foi à bancarrota que Portugal agora chegou.»
The Economist, 6 de Fevereiro de 1892, citado por José Manuel Fernandes no Público de hoje
The Economist, 6 de Fevereiro de 1892, citado por José Manuel Fernandes no Público de hoje
12.1.11
Inquietações matinais
"A economia alemã cresceu 3,6 por cento em 2010, a maior taxa desde a reunificação do país, impulsionada pelas exportações e por um reforço do consumo interno, depois de em 2009 ter caído 4,7 por cento."
Público
Esta notícia é absolutamente deprimente e, por mais que se tente contrariar o sentimento, leva a algum desespero.
Público
Esta notícia é absolutamente deprimente e, por mais que se tente contrariar o sentimento, leva a algum desespero.
10.1.11
Deamblogações nocturnas
«Portugueses!
Para os homens de dignidade e honra, a situação do País é inadmissível!
Vergada sob a acção de uma minoria devassa e tirânica, a Nação, envergonhada, sente-se morrer.
Eu por mim revolto-me abertamente.
E os homens de virtude, de coragem e dignidade que venham ter comigo, com as armas na mão, se quiserem comigo vencer ou morrer.
Às armas, Portugal!
Portugal, às armas, pela Liberdade e pela Honra da Nação!
Às armas, Portugal!»
Podia ter sido dito nos dias que correm por um espírito mais afoito, porque é perfeitamente actual e faz todo o sentido. Mas não foi. Foi proferido por Gomes da Costa, então Comandante em Chefe do Exército Nacional, em 1926, e futuro Presidente da República.
Há coisas que parecem eternas.
Para os homens de dignidade e honra, a situação do País é inadmissível!
Vergada sob a acção de uma minoria devassa e tirânica, a Nação, envergonhada, sente-se morrer.
Eu por mim revolto-me abertamente.
E os homens de virtude, de coragem e dignidade que venham ter comigo, com as armas na mão, se quiserem comigo vencer ou morrer.
Às armas, Portugal!
Portugal, às armas, pela Liberdade e pela Honra da Nação!
Às armas, Portugal!»
Podia ter sido dito nos dias que correm por um espírito mais afoito, porque é perfeitamente actual e faz todo o sentido. Mas não foi. Foi proferido por Gomes da Costa, então Comandante em Chefe do Exército Nacional, em 1926, e futuro Presidente da República.
Há coisas que parecem eternas.
Deamblogações matinais
Como pessoa, tenho respeito por Carlos Castro e pela sua memória. Como jornalista de frivolidades, considero que o que ele fazia era pouco mais do que lixo.
Independentemente disso, continuo sem perceber - acho que nunca perceberei este tipo de coisas - porque é que se dá um destaque tão evidente a um caso que, embora algo rocambolesco, não merece à partida estas atenções. Um português mata outro português em solo estrangeiro. Sucede que um desses portugueses é conhecido do grande público. Certo. Mas será que Carlos Castro desempenhava um papel assim tão relevante na nossa sociedade que justifique o que se está a fazer? Directos com a irmã do presumível culpado? Com o cunhado? Câmaras à chegada da mãe a Nova Iorque? Faz algum sentido?
Toda a imprensa anseia por qualquer coisa que distraia da conversa do défice, do FMI, das presidenciais (vai haver mesmo eleições daqui a 15 dias?) e afins. Uma desgraça como a que aconteceu, embora sem importância alguma para os destinos pátrios, mas com contornos de crime sexual, ainda por cima entre homossexuais e talvez com qualquer coisa de sadismo, era mesmo o que vinha a calhar.
Independentemente disso, continuo sem perceber - acho que nunca perceberei este tipo de coisas - porque é que se dá um destaque tão evidente a um caso que, embora algo rocambolesco, não merece à partida estas atenções. Um português mata outro português em solo estrangeiro. Sucede que um desses portugueses é conhecido do grande público. Certo. Mas será que Carlos Castro desempenhava um papel assim tão relevante na nossa sociedade que justifique o que se está a fazer? Directos com a irmã do presumível culpado? Com o cunhado? Câmaras à chegada da mãe a Nova Iorque? Faz algum sentido?
Toda a imprensa anseia por qualquer coisa que distraia da conversa do défice, do FMI, das presidenciais (vai haver mesmo eleições daqui a 15 dias?) e afins. Uma desgraça como a que aconteceu, embora sem importância alguma para os destinos pátrios, mas com contornos de crime sexual, ainda por cima entre homossexuais e talvez com qualquer coisa de sadismo, era mesmo o que vinha a calhar.
6.1.11
5.1.11
Deamblogações vespertinas
As regras de estacionamento em Lisboa vão mudar e ficar muito mais onerosas para quem tem carro e usa o estacionamento público.
Há um leitor do Público on-line (Jorge Pinto) que faz o seguinte comentário à notícia:
"Uma pessoa compra um carro paga IA e depois IVA sobre o IA, paga imposto de circulação, paga a gasolina mais cara do mundo e ainda querem que uma pessoa deixe o carro em casa. Escroques.".
É isto. Está tudo dito.
Há um leitor do Público on-line (Jorge Pinto) que faz o seguinte comentário à notícia:
"Uma pessoa compra um carro paga IA e depois IVA sobre o IA, paga imposto de circulação, paga a gasolina mais cara do mundo e ainda querem que uma pessoa deixe o carro em casa. Escroques.".
É isto. Está tudo dito.
3.1.11
Não consegui perceber porque é que o português Ruben Faria foi penalizado num minuto depois de ter vencido ontem a primeira etapa do Dakar deste ano. As explicações dos jornais falam em excesso de velocidade. Isto levanta-me dois comentários, depois de ter ouvido o piloto (antes da penalização) a dizer que estava ali, não para ganhar, mas para trabalhar para a vitória do francês Cyril Desprès:
1) Não é suposto andar o mais rapidamente possível numa prova destas? Sei que sim, pelo que não compreendo a penalização imposta.
2) Destesto a fantasia destas competições. Já na Fórmula 1 é a mesma coisa, com pilotos de primeira e segunda categoria, havendo uma guerra sempre que um destes últimos ganha àquele que é supostamente superior. Bem sei que o Ruben Faria faz parte da equipa oficial da KTM França e que, por esse motivo, está obrigado a respeitar as regras da equipa. Mas é precisamente isso que me incomoda e não tem nada que ver com ser ou não português. Porque é que, simplesmente, não pode ganhar o melhor? Precisamente... o mais rápido? Porque não, porque de acordo com lógicas que escapam ao desporto e à sã competição, o mais rápido não é necessariamente o melhor. Confuso?! Nem por isso...
1) Não é suposto andar o mais rapidamente possível numa prova destas? Sei que sim, pelo que não compreendo a penalização imposta.
2) Destesto a fantasia destas competições. Já na Fórmula 1 é a mesma coisa, com pilotos de primeira e segunda categoria, havendo uma guerra sempre que um destes últimos ganha àquele que é supostamente superior. Bem sei que o Ruben Faria faz parte da equipa oficial da KTM França e que, por esse motivo, está obrigado a respeitar as regras da equipa. Mas é precisamente isso que me incomoda e não tem nada que ver com ser ou não português. Porque é que, simplesmente, não pode ganhar o melhor? Precisamente... o mais rápido? Porque não, porque de acordo com lógicas que escapam ao desporto e à sã competição, o mais rápido não é necessariamente o melhor. Confuso?! Nem por isso...
2.1.11
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