No Domingo passado o Público trazia uma reportagem preocupante, mas muito reveladora do que é a nossa realidade - ainda que não passe de uma certa realidade, mas cada vez com mais protagonismo. A peça chamava-se "Um guia para o star system" e pode ser lida aqui.
De tudo o que ali se diz, e dizem-se algumas coisas importantes do ponto de vista da actual sociedade, o que mais me choca é o facto de actualmente se viver para a fama, como se esta fosse (e pelos vistos é) um fim em si mesmo. Ou seja, ela não é a consequência de, por exemplo, se cantar ou representar bem, mas está assumidamente antes disso. De resto, e como ali se diz, o Big Brother foi o percursor deste "movimento", ao colocar várias pessoas num verdadeiro aquário, sem nada de especial para fazerem a não ser mostrarem-se ao grande público.
Desconheço se sempre houve esta malta (as "celebridades") que vive de festas, fotos, eventos e o que mais houver, embora pense que não e que o fenómeno começou com a democratização do acesso a determinados locais e situações que estavam antes reservados a alguma sociedade. No entanto, pergunto-me quanto tempo mais a sociedade irá aguentar esta tendência que, de uma forma mais ou menos evidente, é absolutamente transversal: é tão verdade que a gente do bairro pobre quer ser famosa, como a do bairro rico, sendo que a única diferença é que esta última tem mais pejo em assumi-lo.
As fotografias pessoais coladas nas redes sociais e de acesso público mais não são do que esta tendência para a fama, assim como, numa outra vertente pretensamente mais cultural, os comentários que se fazem às notícias dos jornais. Tudo isto constitui uma forma fácil e económica de se ser conhecido. Não interessa quais os custos, nem tão pouco o que se diz ou pensa. Afinal, não é mesmo isso que está em causa.