Como pessoa, tenho respeito por Carlos Castro e pela sua memória. Como jornalista de frivolidades, considero que o que ele fazia era pouco mais do que lixo.
Independentemente disso, continuo sem perceber - acho que nunca perceberei este tipo de coisas - porque é que se dá um destaque tão evidente a um caso que, embora algo rocambolesco, não merece à partida estas atenções. Um português mata outro português em solo estrangeiro. Sucede que um desses portugueses é conhecido do grande público. Certo. Mas será que Carlos Castro desempenhava um papel assim tão relevante na nossa sociedade que justifique o que se está a fazer? Directos com a irmã do presumível culpado? Com o cunhado? Câmaras à chegada da mãe a Nova Iorque? Faz algum sentido?
Toda a imprensa anseia por qualquer coisa que distraia da conversa do défice, do FMI, das presidenciais (vai haver mesmo eleições daqui a 15 dias?) e afins. Uma desgraça como a que aconteceu, embora sem importância alguma para os destinos pátrios, mas com contornos de crime sexual, ainda por cima entre homossexuais e talvez com qualquer coisa de sadismo, era mesmo o que vinha a calhar.