Na noite das eleições ouvi vários jornalistas dizerem que a abstenção tinha sido muito elevada, não tendo votado sensivelmente 5 milhões de pessoas, num universo inscrito nos cadernos eleitorais de um pouco mais de 10 milhões.
Logo aí fiquei a pensar que disparate era aquele, quando é sabido que esse universo não corresponde ao do total de eleitores, mas sim ao do total da população portuguesa cá residente. Ora, se se descontar cerca de 2 milhões de pessoas com idade inferior a 18 anos, chega-se facilmente à conclusão que o número contido nos cadernos eleitorais é uma falácia, como falácia é igualmente o número da abstenção (que deverá rondar os 35%).
Não conheço a realidade noutros países da UE e da OCDE no que diz respeito a este assunto, mas dá-me a sensação que, mais uma vez, Portugal prima aqui por uma total falta de rigor e bastante desleixo. Não estou, naturalmente, a pensar que poderão existir objectivos por detrás.
Por outro lado, em inúmeros comentários mais ou menos certeiros, apenas o Prof. Freitas do Amaral ontem na SIC-N se referiu ao facto, tendo desmentido categoricamente o número da abstenção oficial, tal como apresentada pelas entidades competentes.
É caso para perguntar quando é que o Estado liberta de vez os fantasmas dos mortos para que descansem em paz no lugar que ganharam por direito próprio...