26.2.10

Questão filosófica

A questão é esta: com o Sporting afastado do título, o SLB em primeiro lugar e o Porto ainda no encalço, é melhor ganhar ou perder com o Porto no próximo Domingo?

25.2.10

Deamblogações matinais

Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo, assim diz o adágio. Não há forma de Sócrates conseguir negar verdadeiramente o que tem saído nos órgãos de comunicação social. Se repararmos bem, ele não carreia factos para demonstrar que assim não foi ou que, sendo-o, foi de maneira diferente. Como bem dizia Clara Ferreira Alves no dia da entrevista de Sócrates a Miguel S. Tavares, o primeiro ministro quer que nós todos acreditemos nele porque sim. Uma profissão de fé. Ele não fez nada daquilo e pronto. Os seus assessores, boys, amigos políticos e o que mais se lhes queira chamar também não fizeram. É tudo inventado, assim como foram inventados os casos da licenciatura, dos projectos da Covilhã e do Freeport.
O que é trágico, verdadeiramente trágico, é que um primeiro ministro (de resto, assim como um presidente do Supremo Tribunal de Justiça e um Procurador Geral da República) tenham que procurar o palco da televisão para tentar passar os seus argumentos. É confrangedor ouvir Sócrates dizer qualquer coisa como isto: "para além deste caso, os únicos em que fui, injustamente, envolvido foram os da licenciatura e o do Freeport". Quando o nível em que estamos é este, não podemos esperar muito mais.

22.2.10

Deamblogações matinais

A tragédia da Madeira cai como sopa no mel no caldo em que tem cozido este Governo e sobretudo este primeiro ministro. Sócrates pode - finalmente com uma razão objectiva e indesmentível - aparecer como vítima (também ele vítima das circunstâncias) e canalizar fundos públicos para ajudar a ilha, fundos esses que serão oportunamente referidos como sendo uma das razões para a impossibilidade de cumprimento da meta do decréscimo do défice.

18.2.10

Bons livros

16.2.10

Deamblogações literárias 2

"No tempo dos meus pais (...) costumava ser a pessoa que ficava aquém. Agora é a disciplinar. É muito difícil ler os clássicos; logo a culpa é dos clássicos. Hoje o estudante faz valer a sua incapacidade como um privilégio. Eu não consigo aprender isto, portanto alguma coisa está errada nisto. E há especialmente alguma coisa errada no mau professor que quer ensinar tal matéria. Deixou de haver critérios, Mr. Zuckerman, para só haver opiniões."
A Mancha Humana, Philip Roth

Deamblogações literárias

"Mas o perigo do ódio é que, quando vamos por aí, o resultado é cem vezes pior do que prevíamos. Se começamos, nunca mais conseguimos parar. Não conheço nada mais difícil de controlar do que o ódio."
A Mancha Humana, Philip Roth

11.2.10

Regard lointain

10.2.10

Manhattan, Woody Allen

9.2.10

Sócrates ou a vã glória da fuga

É insuportável este silêncio do PM, apenas quebrado por algumas fugazes e incompletas declarações, desta feita produzidas no final da inauguração em Cantanhede de um parque tecnológico (!).
É insuportável esta contínua tentativa de fuga para a frente, como se não existissem factos concretos e mais do que justificados para travar o (des)andamento da carruagem e obrigar de uma vez por todas o chefe do Governo a encarar e assumir os factos, a ser com eles confrontado, devendo pronunciar-se sobre os mesmos.
É um país do faz-de-conta. Faz-de-conta que não se passa nada de grave, de muito grave, de tão grave que faria cair qualquer Governo em qualquer país civilizado do mundo. Faz-de-conta que a malta não se apercebe da gravidade dos factos. Faz-de-conta que é tudo invenção dos jornalistas, das "forças ocultas" e da "campanha negra" que têm como fim último derrubar o PM, esse arauto da liberdade de expressão.
Faz-de-conta que nada disto interessa porque faz-de-conta que tudo isto é normal. Faz-de-conta que os políticos e demais intervenientes nestes casos são gente série que está interessada em ajudar Portugal e os portugueses a superarem o que já de si seria complicado, esta crise que grassa um pouco por todo o lado mas cá com ainda mais força e por muito mais tempo. Vamos todos fechar os olhos e tentar ignorar que vemos o PM a fugir disto tudo. Só que cada vez mais encurralado e sem saídas. Não há nenhuma que se avizinhe, nem mesmo a do OE.

Deamblogações matinais

 

Há dias ainda não eram 7 da manhã e estava eu à frente da Assembleia da República à espera de alguém. Olhava então para aquela escadaria, deserta àquela hora, apenas com os dois habituais guardas que falavam entre eles para disfarçarem o frio. Enquanto observava, dava-me conta de que a localização do Parlamento é pouco mais do que ridícula. Um edifício daquele calibre, sem dúvida alguma imponente e bonito, com uma escadaria enorme e bem apresentada, dá para uma rua pequena, estreita, em que há uma espécie de rotunda sem o ser, não permitindo que as pessoas gozem do espaço e do edifício. De facto, quem se colocar defronte da AR em plena Rua de São Bento, perceberá o que digo. Aliás, isso mesmo é visível sempre que há manifestações, aí se percebendo bem quanta gente (não) cabe ali à frente.
Isto não me fazia qualquer impressão se vivêssemos numa cidade ou num país em que polulassem monumentos, palácios, museus, etc.. Não é, infelizmente, o caso. É, pois, uma pena que os poucos que existam estejam encolhidos entre ruelas que não têm sequer dignidade para o ser.
Ora, hélas!, acho que isto é uma espécie de sinal visível do que é a nossa democracia: feita de costas voltadas para as pessoas, escondida, envergonhada e sem orgulho nela própria. O Parlamento está ali implantado por acaso; um enxerto no meio de ruas estreitas cuja localização não obedeceu, parece, a qualquer planeamento. Antes a frontaria desse para a Calçada da Estrela e esta não fosse transitável, podendo-se assim ganhar distância e, nessa medida, (alguma) imponência própria de um edifício desta natureza.
Pensava nisto ainda não eram 7 da manhã, ali parado. Pensava em como a AR é um pormenor no meio da cidade em vez de ter a altivez inerente à função. Como boa parte dos seus inquilinos:  pequeninos, poucochinhos, ali por mero acaso, pelo acaso das trocas de favores que vão acontecendo e que lhes vão governando as vidas.

7.2.10

Deamblogações nocturnas


«E é mais uma ironia que "Nas Nuvens" vai inserindo subrepticiamente, ao transformar-se lentamente de alta comédia sofisticada clássica, à medida do poder de sedução de Clooney-vedeta, numa espécie de meditação amarga, quase desesperada, sobre o que significa ser "um profissional", ter "uma carreira" ou "uma ambição", revelando as insuspeitas reservas de talento de Clooney-actor. É uma fita sobre a ilusão das aparências, sobre a sedução de viver nas nuvens - e do choque que pode ser quando o avião aterra. É, já se percebeu, um grandíssimo filme, prova que ainda é possível a Hollywood fazer cinema de primeira classe na melhor linhagem clássica.» Jorge Mourinha, Público
Excelente filme.

5.2.10

Deamblogações matinais

Sempre me irritaram aquelas pessoas que sabem citar de cor expressões de autores ou - então aí é que fico doido - passagens inteiras como se as tivessem à sua frente. Corrijo: essas pessoas não me irritam, o que me irrita é eu não conseguir fazer o mesmo. Talvez por fraca capacidade de memória, não sei. Vem isto a propósito de ontem ter lido uma das passagens que mais me marcaram recentemente. Vem num dos livros que estou a ler e que se chama A Mancha Humana, do Philip Roth. Postá-la-ei em breve.

3.2.10

Deamblogações matinais 2

calhandrice
(calhandro + -ice)
s. f.
Atitude de quem gosta de intrigas ou de boatos. = bisbilhotice, coscuvilhice, mexeriquice

Deamblogações matinais

O que é extraordinário é que o ministro da Defesa, Augusto Santos Silva (quem mais?...), também ele se pronuncie sobre o "caso Mário Crespo". Numa pequena conferência de imprensa improvisada, aparentemente no âmbito de uma visita de Estado - portanto, enquanto ministro e não na qualidade de dirigente do PS - o governante pronuncia-se aberta e despudoradamente sobre o assunto, com um ou dois bombeiros ou coisa que o valha atrás dele como se nada fosse.
Das duas uma: ou a vontade de "malhar" é mais forte do que ele ou o Governo quer à viva força descredibilizar o episódio, para o que junta tudo e todos. Notável.

1.2.10

Deamblogações vespertinas

O que se está a passar agora, neste preciso momento em que escrevo, e que envolve o jornalista Mário Crespo e o JN vai muito para lá do aceitável, reproduz um país doente, manipulador, em que se vive de medos, de compadrios, de favores, em que não se dá valor à liberdade e ao pluralismo, bref, em que se atenta despudoradamente contra a democracia. A gente que faz com que assim seja deve ser afastada nem que seja à vassourada. Isto não é um couto de uns poucos. Até ver, isto é um país democrático, com imprensa livre e pluralista em que cada um expressa a sua opinião. Não é meia dúzia de espertos, por muito espertos que sejam - e são - que vai acabar com isto. Começa a farta tamanha desfaçatez. Como ouvia há dias alguém dizer, está-se a acabar a última das virtudes humanas que é a vergonha. Sem vergonha tudo é possível e tudo é aceitável. Já chega.
O JN publica o texto abaixo como comunicado público. Não tem o nível mínimo para um jornal supostamente de referência para servir como texto público. É uma vergonha. Uma vergonha.

"O jornalista Mário Crespo foi até ontem colaborador de opinião do Jornal de Notícias. Essa colaboração cessou por sua vontade. Acontece que, no domingo à noite, o director do JN o contactou dando-lhe conta das dúvidas que lhe causava o texto que Mário Crespo enviara para publicação no dia seguinte. Basicamente, no entender do director do JN o texto de Mário Crespo não era um simples texto de Opinião mas fazia referências a factos que suscitavam duas ordens de problemas: por um lado necessitavam de confirmação, de que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas ali citadas; por outro lado, a informação chegara a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa; isto é: o texto era construído a partir de informações que lhe tinham sido fornecidas por alguém que escutara uma conversa num restaurante.

Da conversa entre o director e o colaborador do jornal resultou que este decidiu retirar o texto de publicação e informou que cessava de imediato a sua colaboração com o jornal, o que a Direcção do JN respeita."

Deamblogações matinais

Parece-me, pelas últimas notícias que tenho ouvido, que o Governo começa a recuar no que respeita ao TGV e aos projectos dos grandes investimentos públicos, mas designadamente no caso do TGV. O ministro das Finanças já afirmou publicamente que tais investimentos têm que ter em conta o estado das contas públicas e que ser feitas em harmonia com elas. Ou muito me engano ou é um primeiro passo para dizer mais tarde que os investimentos não serão feitos, sob pena de não se conseguir cumprir a meta (absolutamente demagógica) dos 3% daqui por três anos. De resto, a importância que o Governo tem dado a essa meta - que sabe que não pode pura e simplesmente ser cumprida - corresponde, segundo julgo, a uma estratégia no sentido de ter espaço para eventuais recuos quanto a certas decisões que há algum tempo eram "estruturantes" e "fundamentais" para o país. Ao invocar a meta do défice (sempre o défice...) como o objectivo último da sua política, estão criadas as condições para uma variabilidade de políticas que não seria possível noutras circunstâncias. Mais: o Governo, caso recue nos referidos investimentos, fazendo-o por causa da questão do défice, aparecerá aos olhos de todos como coarctado na sua acção política, condicionado por Bruxelas que, caso assim não fosse, iniciaria contra Portugal o competente processo burocrático. Será, pois, e mais uma vez, a bem de Portugal e com um evidente sentido patriótico.