1.2.10

Deamblogações vespertinas

O que se está a passar agora, neste preciso momento em que escrevo, e que envolve o jornalista Mário Crespo e o JN vai muito para lá do aceitável, reproduz um país doente, manipulador, em que se vive de medos, de compadrios, de favores, em que não se dá valor à liberdade e ao pluralismo, bref, em que se atenta despudoradamente contra a democracia. A gente que faz com que assim seja deve ser afastada nem que seja à vassourada. Isto não é um couto de uns poucos. Até ver, isto é um país democrático, com imprensa livre e pluralista em que cada um expressa a sua opinião. Não é meia dúzia de espertos, por muito espertos que sejam - e são - que vai acabar com isto. Começa a farta tamanha desfaçatez. Como ouvia há dias alguém dizer, está-se a acabar a última das virtudes humanas que é a vergonha. Sem vergonha tudo é possível e tudo é aceitável. Já chega.
O JN publica o texto abaixo como comunicado público. Não tem o nível mínimo para um jornal supostamente de referência para servir como texto público. É uma vergonha. Uma vergonha.

"O jornalista Mário Crespo foi até ontem colaborador de opinião do Jornal de Notícias. Essa colaboração cessou por sua vontade. Acontece que, no domingo à noite, o director do JN o contactou dando-lhe conta das dúvidas que lhe causava o texto que Mário Crespo enviara para publicação no dia seguinte. Basicamente, no entender do director do JN o texto de Mário Crespo não era um simples texto de Opinião mas fazia referências a factos que suscitavam duas ordens de problemas: por um lado necessitavam de confirmação, de que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas ali citadas; por outro lado, a informação chegara a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa; isto é: o texto era construído a partir de informações que lhe tinham sido fornecidas por alguém que escutara uma conversa num restaurante.

Da conversa entre o director e o colaborador do jornal resultou que este decidiu retirar o texto de publicação e informou que cessava de imediato a sua colaboração com o jornal, o que a Direcção do JN respeita."