Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo, assim diz o adágio. Não há forma de Sócrates conseguir negar verdadeiramente o que tem saído nos órgãos de comunicação social. Se repararmos bem, ele não carreia factos para demonstrar que assim não foi ou que, sendo-o, foi de maneira diferente. Como bem dizia Clara Ferreira Alves no dia da entrevista de Sócrates a Miguel S. Tavares, o primeiro ministro quer que nós todos acreditemos nele porque sim. Uma profissão de fé. Ele não fez nada daquilo e pronto. Os seus assessores, boys, amigos políticos e o que mais se lhes queira chamar também não fizeram. É tudo inventado, assim como foram inventados os casos da licenciatura, dos projectos da Covilhã e do Freeport.
O que é trágico, verdadeiramente trágico, é que um primeiro ministro (de resto, assim como um presidente do Supremo Tribunal de Justiça e um Procurador Geral da República) tenham que procurar o palco da televisão para tentar passar os seus argumentos. É confrangedor ouvir Sócrates dizer qualquer coisa como isto: "para além deste caso, os únicos em que fui, injustamente, envolvido foram os da licenciatura e o do Freeport". Quando o nível em que estamos é este, não podemos esperar muito mais.