1.2.10
Deamblogações matinais
Parece-me, pelas últimas notícias que tenho ouvido, que o Governo começa a recuar no que respeita ao TGV e aos projectos dos grandes investimentos públicos, mas designadamente no caso do TGV. O ministro das Finanças já afirmou publicamente que tais investimentos têm que ter em conta o estado das contas públicas e que ser feitas em harmonia com elas. Ou muito me engano ou é um primeiro passo para dizer mais tarde que os investimentos não serão feitos, sob pena de não se conseguir cumprir a meta (absolutamente demagógica) dos 3% daqui por três anos. De resto, a importância que o Governo tem dado a essa meta - que sabe que não pode pura e simplesmente ser cumprida - corresponde, segundo julgo, a uma estratégia no sentido de ter espaço para eventuais recuos quanto a certas decisões que há algum tempo eram "estruturantes" e "fundamentais" para o país. Ao invocar a meta do défice (sempre o défice...) como o objectivo último da sua política, estão criadas as condições para uma variabilidade de políticas que não seria possível noutras circunstâncias. Mais: o Governo, caso recue nos referidos investimentos, fazendo-o por causa da questão do défice, aparecerá aos olhos de todos como coarctado na sua acção política, condicionado por Bruxelas que, caso assim não fosse, iniciaria contra Portugal o competente processo burocrático. Será, pois, e mais uma vez, a bem de Portugal e com um evidente sentido patriótico.