26.12.13

Deamblogações vespertinas

O que é normal pedir a cada fim de ano é que o próximo seja fértil em saúde (sempre a saúde em primeiro lugar) e, também, em algum conforto quer material quer afectivo. Isto não é dito assim, mas é pensado. Ninguém o verbaliza, mas toda a gente o deseja.
Pois bem, para haver conforto têm de existir condições para tal. Condições internas, ligadas à própria pessoa e às suas circunstâncias, e condições externas, relacionadas com o meio ambiente social, cultural e económico. Ora, é precisamente aqui que a questão do conforto tropeça. Como é possível haver conforto quando a crise está instalada e não parece querer ir embora? É que se tornou voz corrente dizer que "a retoma está aí", mas, tirando alguma gente que sente alguma diferença para melhor, as restantes pessoas continuam a sentir a crise tal como ela existia há seis meses atrás. Sem tirar nem pôr e se tiver de ser, é a tirar, porque estão actualmente pior do que há seis meses atrás.
O politicamente correcto tem destas coisas: o que começa a ouvir-se por todo o lado torna-se rapidamente verdadeiro, mesmo que essa verdade não cole com a realidade. Se a "retoma está aí" porque é que a fila da sopa dos pobres continua a engrossar? Porque é que continua a haver menos carros? Porque é que os hábitos adquiridos com a crise como, por exemplo, substituir carne vermelha por frango e perú, se mantêm inalterados?
Não é verdade que, de forma generalizada, "a retoma esteja aí". É verdade para alguns, mas não é verdade para muitos, para a maior parte. E isso significa o que alguns que sabem do que falam andam a dizer há muito tempo: que esta crise, muito "alavancada" (como o primeiro ministro gosta) pelas medidas de austeridade do Governo, veio alargar o fosso existente entre ricos e pobres, engrossando exponencialmente o número destes.
Assim sendo, o que eu peço para 2014 é o regresso da esperança. Porque sem ela nem sequer há condições para haver saúde.
Que voltem, pois, a existir condições para o regresso da esperança. É isso que eu peço.