Agora, por estes dias, é tempo de refectir sobre o que valem verdadeiramente todas estas correrias, todos estes sem tempos de que nos queixamos. Se é para dar conforto a alguém, para acolher uma alma sozinha, para resgatar algum do tempo que não se tem durante o resto do ano, tudo bem; mas se é para comprar mais "aquele" brinquedo que "faz falta" e que "tem" de ser comprado, para encomendar o 8º bolo-rei ou a 6ª lampreia de ovos, ou para comprar o presente que ficou esquecido (e muitas vezes não ficou nada esquecido, ficou apenas voluntariamente de parte porque se acreditou não fazer diferença alguma e só chegada à última da hora se soçobra perante a pressão), então faz mesmo falta questionar para que serve tudo isto.
Alguém me dizia hoje que o Natal é demasiado cansativo, porque começa com a preocupação dos presentes um mês antes, prossegue com a azáfama da sua compra, passa pelos almoços e jantares que são mais do que as vezes que se almoça ou janta, continua nas inúmeras viagens entre cá e lá e termina pela noite fora, seja ela a 24 a 25 ou a 26. É verdade.
Existe alguma magia nisso? Estou cada vez mais convencido que é mais parecer do que ser. Anda-se atrás de alguma coisa que ninguém percebe muito bem o que é para se chegar a algum lado que nunca está onde é suposto.
Em vez disso, oiçamos o silêncio e a tranquilidade dos nossos corações. É quase impossível mas é recompensador.