O TC fez o que toda a gente - incluindo o Governo - antecipou que ia acontecer. Até aqui nada de novo. Mas existem dois personagens que, quais nenúfares a desabrochar, se revelaram de vez, existissem ainda algumas dúvidas sobre as intenções que os motivam na vida política. São eles Cavaco e Seguro. Cavaco porque disse naquele tom que já ninguém aguenta que, independentemente da decisão do TC, o Governo teria sempre as condições necessárias para governar, tendo saído reforçado (?) do chumbo da moção de censura de quinta-feira e que, nessa lógica, uma eventual consideração como inconstitucionais de algumas das normas do OE/13 seria indiferente. O segundo porque, num acto de imprecedente irreponsabilidade, está a esticar a corda como se não houvesse amanhã, como se eleições antecipadas viessem resolver os problemas do país.
As irresponsabilidades de um e de outro devem ser-lhes assacadas num futuro próximo. Infelizmente não haverá mais nenhum acto eleitoral pelo qual se possa penalizar Cavaco, pelo que a única coisa que podemos fazer é ir para a rua e dizer a alta voz que este presidente é um tacticista sem escrúpulos, que não hesita em proteger a sua posição em detrimento dos interesses dos portugueses. Já Seguro pode e deve ser penalizado pela mentira e demagogia com que defende o que defende. Dizer que com o PS Portugal mudaria de rumo é mentir com quantos dentes se tem e isso deve ser dito e produzir efeitos numa futura eleição. Oxalá assim fosse e o rumo de Portugal ainda tivesse algo que ver com as opções políticas tomadas internamente. Mas não é assim e Seguro, como qualquer político minimamente experimentado, sabe que assim é.
Cavaco e Seguro são dois políticos mentirosos, que não estão a servir o país. Nem sequer sei se estão lá para se servir a eles próprios, mas se nem isso fazem deviam era sair de cena. Já.
Esgotou-se o tempo e a pachorra.