29.12.12

Deamblogações nocturnas

As empresas de telecomunicações devem estar a fazer contas à vida com a redução mais do que evidente do número de sms enviados este Natal. O mesmo irá seguramente passar-se daqui por dois dias, alturas em que, tipicamente e durante muitos anos, era habitual enviar-se e receber-se centenas de mensagens escritas e mms. Menos mensagens, menos compras, menos movimento nas ruas e nos centros comerciais. Menos gente a passear. Nem os Black Fridays da vida salvam o que deve ser o pior Natal comercial dos últimos vinte anos. Sê-lo-á verdadeiramente?
Houve uma coisa que reparei neste período e que é um fosso cada vez maior entre os ricos e todos os outros, já não apenas entre os primeiros e os pobres. Há gente que se vê não é afectada por esta crise, que continua a consumir como o fez em todos os outros anos, que se apresenta bem vestida, bem arranjada, com bons carros e aparentemente indiferente ao estado do país. Se calhar não está indiferente porque até se preocupa, mas comporta-se com uma aparente indiferença. Talvez esteja influenciado por aquilo que se diz de haver um fosso cada vez maior entre classes, mas pareceu-me mesmo isto que escrevo.
Estou curioso para ver os números relativos às vendas dos saldos, o que antecipo seja igualmente revelador da crise profunda em que nos encontramos e que, de resto, se vai agravar. O Governo esse continua profundamente convicto do seu autismo - o que é uma contradição nos seus próprios termos - e não parece querer perceber que esta receita não funciona. Agora virá com a bandeira do défice comercial que, pela primeira vez em muitos muitos anos, é neutro. Não é é por boas razões (porque não se fundamenta em aumento da produtividade e consumo internos e diminuição proporcional das importações, mas sim na diminuição drástica do consumo interno), mas isso parece irrelevante.
Quanto ao desemprego, esse continuará a aumentar criando uma horda absurda de desempregados crónicos que nunca mais voltará de forma consistente (e parte dela nem de forma inconsistente) ao mercado de trabalho. Isso é o principal problema e o que impedirá de forma mais veemente o país de retomar o rumo do crescimento económico.
E assim vai a vida.