19.7.12

Deamblogações matinais

Acho fantástico ver as pessoas a passearem os seus cães nas ruas de Lisboa. Para além dos cães propriamente ditos, levam consigo o indispensável saquinho - que varia em tamanho e proveniência (pode ser do Pingo Doce, do Jumbo, da padaria, dos transparentes, de uma retrosaria, etc., etc.) - para recolher os dejectos expelidos pelos animais.
Portugal é um país de contrastes, mas tem coisas de facto engraçadas. Os mesmos selvagens que cospem no chão como se não houvesse amanhã são aqueles que se dão ao trabalho de apanhar o cócó dos seus canídeos para que o alheio não lhe ponha o pé em cima. É que não se pense que isto é apenas uma particularidade das senhoras, donas. Não. Já vi muitas vezes homens, jovens, de meia idade e velhos, a fazerem o mesmo com zelo e dedicação.
Há vários anos que não tenho cães, mas tive vários e durante muitos anos. Lembro-me que era sempre uma guerra saber quem ia apanhar a porcaria que eles faziam. Sempre que me tocava, e tocou muitas e muitas vezes, ia com ar de nojo e não dispensava serradura para tornar a coisa menos difícil (porque difícil é sempre!).
O que acho, pois, extraordinário é que toda a gente que eu vejo nesse elevado afazer não apenas não usa serradura, como agarra o excremento com a mão, nem sequer torcendo a cara toda, usando a técnica do "envolvimento sacal", i.e., agarra-se, envolve-se o dito com o saco, retira-se a mão e já está. Simples.
Não sei se voltarei a ter cães, mas se voltar francamente não sei se ganharei alguma vez coragem para adoptar esta técnica. Ou qualquer outra, confesso. Desde que não seja em pleno passeio, sempre ouvi dizer que os excrementos são um óptimo fertilizante natural, mas, obviamente, agradeço como utente das ruas da cidade a todos - e são muitos - que não pensam assim.