Depois de termos parado o carro e de termos descido algumas ruas em direcção ao elevador, encheu-se-nos literalmente a alma com um espectáculo deslumbrante, dos mais deslumbrantes que vi nos tempos mais recentes: no rio, em frente, desfilavam navios uns a seguir aos outros, abandonando Lisboa e rumando a Cádiz. Nós, cá em cima, víamos a cidade do lado de lá e o rio ali aos nossos pés num cenário difícil de descrever. Descemos, também num elevador que tem algo de surreal, tamanha é a altura e impressionante a vista. Quando saímos em direcção ao restaurante, continuámos a pensar que tudo aquilo era belo de mais para ser verdade. Mas era verdade.
A tarde decorreu tranquila, sobrepondo-se pacificamente a todos os afazeres antes organizados e pensados como inadiáveis. Não o eram nem o foram. Só na nossa cabeça é que há coisas inadiáveis e urgentes. No fim, a subida ao ritmo do pôr-do-sol vagaroso lá longe no horizonte. Tudo de novo a Oeste.