O ex-ministro Gaspar inaugurou uma nova moda por quem anda pelos afazeres governativos: a da publicitação de uma carta de demissão, na qual o membro do Governo demissionário transmite ao povo e a quem estiver interessado (muito pouca gente, suspeito eu) os motivos da saída. Ele foi o primeiro, depois veio Portas e agora Pais Jorge. Nos tempos antigos ainda se davam conferências de imprensa (v.g. Relvas) ou, o que era melhor e mais sensato, não se tomava qualquer atitude pública, ficando os motivos entre o demissionário e a sua tutela. Agora, o ritmo de demissões é tão grande que não há tempo (nem pachorra) para conferências de imprensa e, convenhamos, a discrição é uma virtude desconhecida e em vias de extinção. Vai lá de cartinha que é para, sem direito a contraditório nem a incómodos de perguntas jornalísticas que não interessam, ficar para a posteridade aquilo que tem a dizer-se, não sem que antes de metam umas farpas aqui e acolá. Isto em Direito tem o nome pomposo de declarações unilaterais não receptícias: são produzidas por alguém e não necessitam de ser recebidas pelo(s) seu(s) destinatário(s) para produzirem efeitos. A benefício de quem as faz, naturalmente.
Eu acho que isto tudo dava uma comédia de grandeza cósmica, não fosse ter efeitos directos em nós todos. Sinceramente, espanta-me como este conjunto de incompetentes ainda está em funções. Pior do que eles, só a oposição.
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7.8.13
6.8.13
Nas costas dos outros vejo eu as minhas
Isto é absolutamente indecoroso, uma total falta de lealdade institucional, um amadorismo, uma falta de elevação e de respeito.
Não está em causa a postura do secretário de Estado Pais Jorge, a qual é obviamente lamentável. Está sim a forma como se tratam as pessoas neste conjunto de amadores que compõem o Governo (que Governo?...). O secretário de Estado Pedro Lomba queimou pura e simplesmente o seu colega, eliminando quaisquer hipóteses que tinha de se manter em funções. Ainda bem, dir-se-á. Não. Ainda bem quanto ao resultado, mas ainda mal, muito mal, quanto à forma. Quem devia fazê-lo era o primeiro-ministro no recato de um gabinete e nunca um par numa conferência de imprensa diária e sem objecto específico.
Isto é mesmo mau de mais para ser verdade. Mesmo, mesmo.
Não está em causa a postura do secretário de Estado Pais Jorge, a qual é obviamente lamentável. Está sim a forma como se tratam as pessoas neste conjunto de amadores que compõem o Governo (que Governo?...). O secretário de Estado Pedro Lomba queimou pura e simplesmente o seu colega, eliminando quaisquer hipóteses que tinha de se manter em funções. Ainda bem, dir-se-á. Não. Ainda bem quanto ao resultado, mas ainda mal, muito mal, quanto à forma. Quem devia fazê-lo era o primeiro-ministro no recato de um gabinete e nunca um par numa conferência de imprensa diária e sem objecto específico.
Isto é mesmo mau de mais para ser verdade. Mesmo, mesmo.
3.10.12
País? Que país?
Os anúncios feitos pelo ministro das Finanças hoje à tarde mostram bem e à descarada o desequilíbrio existente neste território entre o Estado todo-o-poderoso e o cidadão comum. É sobre este, sempre sobre este, que recaem todos os esforços de reequilíbrio das contas públicas e tudo o que aquele primeiro come em demasia (e essa demasia acontece em absolutamente tudo o que é serviço, instituição e entidade). Este pobre país, se de país ainda se pode falar (ver definição de país nos manuais de Direito Público), anda à mercê disto, mas o seu povo que aguente porque não tem por onde escapar. Somos afinal uma cambada de chicos-espertos-mas-ingénuos-porque-sempre-apanhados-na-curva. Toda a gente faz o que quer e bem lhe apetece connosco.
Já não tenho sequer capacidade para criticar. Acho demasiado escandaloso o que se está a passar.
Hoje, para mim, acabou-se a esperança de uma vida melhor em termos patrimoniais. Acabou-se mesmo. Isso não é por si só mau, é altura de pensar em alternativas concretas. E há-as, há mesmo e eu tenho vindo a descobrir algumas.
Já não tenho sequer capacidade para criticar. Acho demasiado escandaloso o que se está a passar.
Hoje, para mim, acabou-se a esperança de uma vida melhor em termos patrimoniais. Acabou-se mesmo. Isso não é por si só mau, é altura de pensar em alternativas concretas. E há-as, há mesmo e eu tenho vindo a descobrir algumas.
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