"Os portugueses não perceberiam que, por meras preferências quanto a nomes para pastas do Governo, se colocasse em risco tudo o que foi feito ao longo dos últimos dois anos e, sobretudo, que se pusesse em risco a possibilidade de fechar o Programa de Assistência Económica e Financeira".
Aqui está um bom exemplo do que Pacheco Pereira tem chamado a novilíngua ou double-talk orwelliano de Passos Coelho. No caso, o primeiro ministro faz afirmações que são falsas, como se de verdade se tratasse: não é verdade que a questão tenha assentado em meros nomes para pastas do Governo. É muito mais do que isso. Os nomes traduzem opções políticas, escolhas, preferências, ideologias. O que Portas queria era um nome que defendesse opções diferentes de Gaspar e o que sucede é que Maria Luís Albuquerque defende o mesmo que o seu antecessor.
Por outro lado, Passos dramatiza faltando à verdade: está por provar que as preferências que ele diz existirem pusesse em risco todos os dois últimos anos. Não se sabe se sim, nem se não. Aliás, não se sabe que preferências eram essas, nem o que viriam defender.
Finalmente, de igual modo quanto à conclusão do programa de assistência: está também por provar que essas preferências pusessem em causa a sua conclusão.
Na verdade, ao querer manter a todo o custo um governo absolutamente moribundo, é o primeiro-ministro que pode estar a comprometer exactamente o que acusa de estar em causa se o caminho seguido não for o dele.