2.8.12

Rumo ao Sul - Apontamentos 5

Queríamos entrar numa discoteca. À porta havia um balcão onde estava escrito que os muçulmanos não podiam beber álcool, just in case se esquecessem. À nossa frente um local foi relembrado desse facto, ao que se apressou a dizer que sim com ar convicto. Chegada a nossa vez percebi que me tinha esquecido do passaporte e de que não tinha qualquer documento de identificação comigo. Pas de problème monsieur, mas não vai poder beber álcool. Como quem diz: não podes garantir que não és muçulmano, por isso estás proibido de beber álcool. Não tive por isso direito a uma pulseira que colocavam nas pessoas com direito a esse alterador de consciência e, talvez pela primeira vez na vida, senti-me algo discriminado. Ainda assim, não imagino como seja com coisas verdadeiramente importantes. Esta sociedade não tem pejo em diferenciar publicamente e aos olhos de todos em nome da religião. Mas nós somos portugueses e, para além disso, eu não sou de facto muçulmano. Como tal, não há pulseirinha para mim?, pas de problème, on fait un petit détour aux règles. Não vou pedir qualquer bebida ao bar e vai haver quem peça por mim. E assim foi. Bebi o que teria bebido se tivesse pulseirinha. Acabou pois por ser um negócio win-win: eles ficaram contentes porque mantiveram as regras e eu fiquei contente porque estraguei um pouco mais o fígado.
Claro que isto levanta uma questão bem mais profunda e que tem que ver com a validade real das regras, mas isso é coisa que fica para outra vez.