18.8.12

Carta a um Amigo

Meu Querido,

Por ironia da vida, faz agora, respectivamente, 7 e 6 anos que o teu Pai e a minha Mãe partiram para o Céu. Assim acredito, tal como acredito que velam por nós mesmo quando parece que o não fazem.
Esta vida não tem sido demasiado simples nos últimos anos, pelo menos para mim e, pelo que sei, também tu tens andado um bocado à procura a ver onde te encaixas. Aquilo que vamos dando como adquirido não é adquirido e muda constantemente. Diz a que, para mim, é a melhor filosofia (ainda que seja discutível, como são discutíveis todas as filosofias) que temos de aceitar a impermanência das coisas e, por consequência, aceitar a mudança como algo de inevitável, tão inevitável como a própria vida. Porque é da vida que estamos a falar. A única coisa que ainda não compreendi foi em que medida essas mudanças constantes são, ou devem ser, obra nossa ou se, pura e simplesmente, vão acontecendo independentemente da nossa vontade. Isto não é novo: afinal de contas resume-se um pouco à gasta questão de saber se existe destino ou se o curso dos acontecimentos é completamente ou em grande parte decidido por nós. Que o é em parte não me restam muitas dúvidas, mas que parece haver um guião escrito previamente também me parece evidente, ou não estariam explicados tantos sofrimento e angústia entrincheirados no quotidiano. Fica a dúvida e o pensamento.

O que quero dizer-te sem filosofias baratas é que vou estando por aqui para o que precisares, querendo dizer-te que, do meu ponto de vista, deverias precisar mais do que o tens feito ao longo do tempo, talvez assim evitando alguns amargos de boca que tens tido.

Do meu lado critico-me pelo mesmo, pelo que nessa medida estaremos quites.

Um abraço fraterno, esperando que aí longe onde te encontras agora e vais permanecer no futuro próximo tudo se passe de acordo com os teus desejos e com o que mereces.