30.5.12

Deamblogações matinais

Se a questão é sobre a manutenção ou não em funções do Ministro Relvas, a solução é, pelo menos do ponto de vista teórico, muito simples: é óbvio que, no mínimo, ele devia colocar publicamente o lugar à disposição, o que só não devia ser aceite se o primeiro ministro viesse também publicamente explicar porquê. A manutenção de Relvas em funções nas condições actuais é pior do que má. Vai literalmente queimando o Governo em lume brando, retirando-lhe cada vez mais credibilidade e fazendo com que se lhe apliquem os epítetos habituais com que se mimaram governos anteriores (corruptos, aldrabões, é tudo igual, só querem é encher os bolsos, etc., etc.). Para além disso, contribui muito para a descredibilização dos políticos perante a opinião pública, que se revolta contra aqueles e tem cada vez menos paciência para tentar compreendê-los. Ora, a meu ver, isto é perigosíssimo porque dá azo a um sentimento de insegurança do tipo: se nem quem é suposto tomar conta de nós o faz, quem o fará senão nós próprios pelas nossas mãos?
Francamente, não percebo que quem alegadamente visa a prossecução do bem comum (pode parecer ingenuidade minha, mas é o que os políticos deveriam fazer acima de tudo), não entenda isto e não aja em consequência. Para mim isto é tão claro e transparente que a única alternativa ao comportamento seguido é a de considerar que existem muitos e importantes interesses que condicionam as opções tomadas.
Relvas está mal, mas Passos não lhe fica atrás.