30.12.11
Deamblogações matinais
Amy Whinehouse, Cesária Évora, Elizabeth Taylor, Jane Russel, Júlio Resende, Kim Jing-Il, Lucien Freud, Maria José Nogueira Pinto, Muhammar Kadafi, Osama Bin Laden, Peter Falk, Sócrates, Steve Jobs, Václav Havel, Vítor Alves.
Estes, alguns nomes que vêm publicados no Público de hoje como pertencendo a pessoas que morreram durante 2011. Muitos, muitos mais haverá, tão ou mais ilustres, disso não restam dúvidas. A questão não é tanto a dos nomes, mas sim que 2011 foi um ano que sugou. Sugou vidas, sugou esperança, sugou condições de vida, sugou horizontes. Como hoje ouvia já não sei aonde, 2011 foi um ano histérico, em que estivemos sempre com o coração na boca a ver o que podia vir de pior, se é que pior pudesse ainda vir. Mas pôde. E poderá. E muito. 2012 vai ser pior. Não é pessimismo nem derrotismo. É realismo que ajuda a concentrar forças para ultrapassar o que aí vem.
Então que venha, que cá o esperamos. Venha ele, esse 2012, com ar de fantasma que vem assombrar. Vamos a ele com energia, empenho, humildade, criatividade e perseverança. Tudo se ultrapassará, como tudo sempre se ultrapassou. Nada de fechar os olhos. Afinal, a montanha russa só tem piada de olhos bem abertos e a sugar o ar com violência.
Estes, alguns nomes que vêm publicados no Público de hoje como pertencendo a pessoas que morreram durante 2011. Muitos, muitos mais haverá, tão ou mais ilustres, disso não restam dúvidas. A questão não é tanto a dos nomes, mas sim que 2011 foi um ano que sugou. Sugou vidas, sugou esperança, sugou condições de vida, sugou horizontes. Como hoje ouvia já não sei aonde, 2011 foi um ano histérico, em que estivemos sempre com o coração na boca a ver o que podia vir de pior, se é que pior pudesse ainda vir. Mas pôde. E poderá. E muito. 2012 vai ser pior. Não é pessimismo nem derrotismo. É realismo que ajuda a concentrar forças para ultrapassar o que aí vem.
Então que venha, que cá o esperamos. Venha ele, esse 2012, com ar de fantasma que vem assombrar. Vamos a ele com energia, empenho, humildade, criatividade e perseverança. Tudo se ultrapassará, como tudo sempre se ultrapassou. Nada de fechar os olhos. Afinal, a montanha russa só tem piada de olhos bem abertos e a sugar o ar com violência.
29.12.11
26.12.11
20.12.11
Perplexidades matinais
O que pode levar um povo inteiro a fazer isto está muito para lá do imaginável. Francamente, bem sabendo que quem filmou todas estas cenas, bem como as inúmeras que ontem passaram nos telejornais de todo o mundo, foi a cadeia televisiva estatal (única permitida no país), não consigo, ainda assim, compreender como é possível tamanha encenação. Será que toda aquela gente chora como choram os actores no palco, eventualmente, no caso, com receio de represálias por parte do regime no caso de não alinharem pelo mesmo tipo de comportamento? Ou será que choram convictamente por acharem que perderam um líder, uma referência na condução dos destinos do país e que tal os deixará perdidos no caminho das suas vidas? Seja o que for, é profundamente perturbador pensar no que está por detrás de comportamentos colectivos deste tipo.
19.12.11
Deamblogações matinais
Não acredito numa única, repito, numa única, palavra dita por qualquer responsável da UE com relação ao salvamento da moeda única e/ou do próprio projecto europeu. Parecem-me tudo mentiras de quem não sabe o que dizer/ fazer para salvar o que era (?) o grande projecto dos tempos modernos envolvendo diversas e tão distintas nações.
"A Grécia está a fazer um esforço colossal para entrar no bom caminho"? "Portugal e Irlanda estão no bom caminho e provam que as medidas de consolidação orçamental impostas pela troika funcionam"?
Mas quem é que sabe se assim é? Quem? Um conjunto de eurocratas que não vive nestes países? Mas é que o problema nem é esse. O problema é que essas pessoas nem sequer sabem o que dizer e limitam-se a vomitar uma cartilha que, de tão falsa e irreal que é, soa a pura e simples mentira e estupidez. Sim, estupidez.
"A Grécia está a fazer um esforço colossal para entrar no bom caminho"? "Portugal e Irlanda estão no bom caminho e provam que as medidas de consolidação orçamental impostas pela troika funcionam"?
Mas quem é que sabe se assim é? Quem? Um conjunto de eurocratas que não vive nestes países? Mas é que o problema nem é esse. O problema é que essas pessoas nem sequer sabem o que dizer e limitam-se a vomitar uma cartilha que, de tão falsa e irreal que é, soa a pura e simples mentira e estupidez. Sim, estupidez.
14.12.11
Deamblogações matinais
Há dois assuntos que me preocupam, embora um deles não seja novidade e eu, como tantas outras pessoas mais atentas a esta realidade, já o venha a antecipar há muito. O primeiro tem que ver com o aumento da taxa de desemprego. Quer a OCDE, quer o INE, quer agora o IEFP vêm dar nota de um aumento do desemprego, tanto em termos absolutos como homólogos face ao ano passado. Infelizmente, penso que isto não se vai ficar por aqui e continuaremos a ler e a ouvir que a taxa de desemprego no nosso país vai aumentar fortemente. Eu antecipei, e mantenho, que poderá chegar aos 15% em 2012 e vamos ver se não ultrapassa essa fasquia. Oxalá não.
O segundo assunto que me preocupa está relacionado com a folga orçamental que aparentemente existe na execução orçamental de 2011, tendo Passos Coelho dito que a mesma pode chegar aos 3 mil milhões de euros. Tendo em conta que existiram (e de que maneira) receitas extraordinárias, parece bom que haja uma folga considerável, porque tal permite pensar que se está a andar no bom caminho em termos de controlo de contas públicas. Mas por outro lado, pergunto-me se os enormes sacrifícios que o Governo está a pedir aos portugueses não mereciam que os 5,9% para 2011 fossem cumpridos tão à risca quanto possível, para que, desse modo e, tal como parece, verificando-se uma possibilidade de folga, a população fosse despenalizada de algumas medidas mais duras que têm sido e vão continuar a ser concretizadas. Por outro lado, oxalá me engane, mas antecipo que esta folga sirva para tapar vários buracos orçamentais que ou não foram ainda descobertos, ou, já o tendo sido, não foram divulgados. Em suma, se o Estado fosse uma pessoa de bem e soubéssemos que toma boa conta das suas contas, seria uma excelente notícia. Assim, não estou convencido disso e antevejo más notícias a prazo.
O segundo assunto que me preocupa está relacionado com a folga orçamental que aparentemente existe na execução orçamental de 2011, tendo Passos Coelho dito que a mesma pode chegar aos 3 mil milhões de euros. Tendo em conta que existiram (e de que maneira) receitas extraordinárias, parece bom que haja uma folga considerável, porque tal permite pensar que se está a andar no bom caminho em termos de controlo de contas públicas. Mas por outro lado, pergunto-me se os enormes sacrifícios que o Governo está a pedir aos portugueses não mereciam que os 5,9% para 2011 fossem cumpridos tão à risca quanto possível, para que, desse modo e, tal como parece, verificando-se uma possibilidade de folga, a população fosse despenalizada de algumas medidas mais duras que têm sido e vão continuar a ser concretizadas. Por outro lado, oxalá me engane, mas antecipo que esta folga sirva para tapar vários buracos orçamentais que ou não foram ainda descobertos, ou, já o tendo sido, não foram divulgados. Em suma, se o Estado fosse uma pessoa de bem e soubéssemos que toma boa conta das suas contas, seria uma excelente notícia. Assim, não estou convencido disso e antevejo más notícias a prazo.
11.12.11
Deamblogações vespertinas (quase nocturnas)
A consistência é coisa que demora muito tempo a fabricar. Porque é de fabrico que se trata. A consistência não dá visibilidade e não traz amigos nem gente conhecida nem ombros para facilitar o consolo de que se precisa. A consistência é reconhecida, muitas vezes, tarde de mais. Mas vale a pena. Dá muita serenidade e força. É ela própria um alimento.
7.12.11
Deamblogações nocturnas
«(...) É por esta espécie de fatalidade (que inclui o nosso crescimento precipitado, o pó dos dias, descuidos e desamparos, e alguns maus exemplos, tudo a atropelar-se, ao mesmo tempo) que os psicanalistas responsabilizam o inconsciente. Que é uma forma metafórica de falarem de tudo o que varremos para debaixo do tapete e que, ao contrário do que devia ser, nos atrapalha todos os dias. Inconsciente é tudo o que sentimos (sem dar por isso) e tudo o que pensamos (quase sem querer) e que interfere muito mais nos nossos gestos do que nós queríamos. Duma forma simplista devíamos escutá-lo com mais rigor. (As pessoas chamam, grande parte das vezes, ao inconsciente, o coração. Reconhecem, no fundo, que se baralham nos seus silêncios diante de tudo o que sentem e que, em vez de serem complexas mas simples, os nós que emaranham fazem com que se tornem complicadas.) Mas o crescimento é tão apelativo (e nós somos todos tão ambiciosos) que - admito - quando dão por isso, quase todas as pessoas têm uma relação para gerir, um ou dois filhos, muitas contas, duas famílias de origem (por vezes, muito caprichosas e intolerantes), episódios dolorosos e muitas histórias mal esclarecidas da infância. E alguém que morreu cedo de mais. E várias histórias que podiam ser de amor mas que correram mal. E saudades duma mão-cheia de coisas que deixaram por fazer. E um trabalho, nem sempre criativo ou amistoso. E as horas que passam a correr. E as notícias de todos os dias que, rapidamente, se transformam num ruído. Reconheço que quase ninguém gere a sua vida: surfa nela. Ou, se preferir, é arrastado por ela. Na verdade, a maioria das pessoas sente, muito depressa, que fica encurralada em compromissos. Vive como se fosse morrendo, para a vida, todos os dias. E, pior, sente (em inúmeras circunstâncias) que dorme com o «inimigo». A maioria das pessoas sente que passou, cedo demais, das fantasias em torno da sexualidade, da adolescência, para a pré-reforma com a vida. Sem nunca namorar com ela. Como se muito cedo se tivesse tornado, para sempre, tarde de mais.»
Eduardo Sá, Nunca se Perde uma Paixão, Histórias e ensaios sobre o amor
Eduardo Sá, Nunca se Perde uma Paixão, Histórias e ensaios sobre o amor
Piada de caserna
«José Sócrates disse que "para pequenos países como Portugal e Espanha,
pagar a dívida é uma ideia de criança. As dívidas dos Estados são por
definição eternas. As dívidas gerem-se. Foi assim que eu estudei”.», in Público on-line
"Foi assim que eu estudei"? Estudou?! Mas estudou onde? No curso de engenharia que fez na Independente? Mas, afinal, não era engenharia e era economia? Ou era um dois em um e era engenomia? Não. Era mesmo engenharia. Temos é que perceber que o curso era tão bom, tão abrangente e Sócrates tão assíduo e dedicado, que, para além das noções sobre estruturas e betão, davam uma perninha em macroeconomia e política económica internacional. Claro.
Caro "engenheiro", desculpará o equívoco (desfeito a tempo).
"Foi assim que eu estudei"? Estudou?! Mas estudou onde? No curso de engenharia que fez na Independente? Mas, afinal, não era engenharia e era economia? Ou era um dois em um e era engenomia? Não. Era mesmo engenharia. Temos é que perceber que o curso era tão bom, tão abrangente e Sócrates tão assíduo e dedicado, que, para além das noções sobre estruturas e betão, davam uma perninha em macroeconomia e política económica internacional. Claro.
Caro "engenheiro", desculpará o equívoco (desfeito a tempo).
5.12.11
2.12.11
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