28.7.11

Deamblogações matinais

"Spa", lifestyle", "style", "luxo", "beach", "club", "zen", "villas", "sun". Todos eles vocábulos que se tornaram obrigatórios em qualquer unidade hoteleira, por mais rasca que seja. "Vila Ameixoeira Spa & Sun", "Arrentela Beach Club & Spa", etc., etc.. Isso e as esplanadas com cadeiras forradas a pano branco cru, bem como os toldos espalhados, e com uma música sempre muito "chillout" (a propósito, também é um dos termos que podia estar contido acima), para um "relax" (outro) de "luxo", em linha com o "lifestyle" pretendido.
Ora, esta espécie de sonho dourado que nos impingem, está longe, muito longe dos horrores e das dificuldades do dia-a-dia para milhões e milhões de pessoas. Para esses - e seremos todos nós cada vez um pouco mais "esses" - aqueles palavrões são substituídos por "falta de dinheiro", "transportes públicos mais caros", "bens de primeira necessidade mais caros", "pobreza", "desemprego", "miséria", "dificuldades", "campismo e já é um pau", "férias, quais férias?", "stress", "depressão".
Há cada vez mais dois países. Cada vez mais. Os ricos são mais ricos, os pobres mais pobres. Os do meio esmifram-se todos para não descerem, mas é muito difícil. Os "spas" desta vida são cada vez mais "spas" de outras vidas. Já vividas por vezes e dificilmente vivíveis de novo.

27.7.11

Deamblogações matinais

A questão é esta: as mudanças na CGD podem ser absolutamente justificadas. Pode ter sentido tirar quem lá está e colocar novas caras, com novas competências e com novas ideias para o banco público. Pode ser tudo verdade. E também pode suceder que o Governo, com o primeiro ministro e o ministro das finanças à cabeça, esteja convencido que estas mudanças são benignas para a instituição e, por sua vez, para o país. Mas o que é incontornável é que já não há saco. Já não há paciência nem compreensão possíveis para alterações sempre nas mesmas instituições, sempre que um novo Governo toma posse. Se calhar injustamente, mas tudo cheira a esturro, a compadrio, a pagamento de favores. Sabemos que estamos em pleno "payback time" e que as referidas mudanças inevitavelmente soam a isso mesmo. Eu tenho consciência que, perante uma eventual necessidade, o Governo não deve temer as aparências de medidas que contêm em si algo de positivo para o país. Mas, francamente, considero que perante o que se tem passado de forma crónica nos últimos vinte anos (se calhar mais), o Governo, com o primeiro ministro e o ministro das finanças na linha de fogo, devia explicar a bondade de tais medidas. Não estão proibidos erros que, de resto, sempre vão acontecer. Somos todos falíveis e penso que isso será por todos compreendido. O que, no entanto, devia estar proibido era voltarmos ao mesmo. Aos "boys". Ao "payback". E, por muito que se diga o contrário, tresanda a isso. No seguimento de muitos anos de trocas de favores, inverteu-se o ónus da prova: agora deveria ser o Governo a provar que as medidas que toma são benéficas para todos. Nós somos credores dessas explicações.

25.7.11

Deamblogações vespertinas

Frei Bento Domingues dá uma entrevista notável à Pública deste domingo. Entre outras coisas, afirma sobre o acto de comunhão na missa das pessoas divorciadas (cito de cor): dizer que os divorciados não podem comungar é como convidar alguém para jantar e dizer-lhe, quando a comida chega à mesa, que tem que ficar a ver e não pode comer.

21.7.11


kiss me goodbye
pushing out before i sleep
it's lower now and slower now
the strangest twist upon your lips
but i don't see
and i don't feel
but tightly hold up silently my hands
before my fading eyes
and in my eyes your smile
the very last thing before i go

i will kiss you
i will kiss you forever on nights like this

i will kiss you
and we shall be together

Tristezas matinais

inconsolado

adj.

Que não tem consolação.

19.7.11

14.7.11

Tête-à-tête

13.7.11

12.7.11

Inquietações matinais

Por muito esforço (que nem se vê bem que exista) que os responsáveis da UE façam para dar um ar de normalidade às decisões que vão sendo tomadas, a verdade é que nunca como hoje se viu tanto um conjunto de instituições (UE) ser pura e simplesmente manietada e condicionada no seu poder decisório pelo poder financeiro. Não digo económico, mas propositadamente financeiro. Uma verdade absoluta hoje, já é relativa daqui a uma semana e passadas duas torna-se mentira. Agora é o incumprimento parcial da Grécia: aqui há umas semanas, cheguei a ler declarações de responsáveis comunitários dizendo que tal seria o fim do Euro e, por consequência, da Europa tal como a conhecemos. Pois bem, ontem os ministros das Finanças da zona euro já vieram dizer que o incumprimento parcial grego é uma possibilidade real. A sensação que temos é que ninguém, realmente ninguém, controla o curso dos acontecimentos. Esta sensação, e mais do que sensação, certeza, de descontrolo e imprevisibilidade torna o futuro completamente incerto para todos nós. Ora, não é a política uma forma de garantir a visibilidade no médio prazo? É com certeza. Mas aqui, isso está a revelar-se impossível. Falta coragem e dimensão políticas aos burocratas que lideram as instituições comunitárias. Não se trata de um lugar-comum agora repetido muitas vezes. É, afinal, uma infeliz realidade. Porque se houvesse pulso político, se fossem tomadas diversas medidas de fundo como foi com o caso da aceitação da dívida portuguesa apesar do corte do rating feito pela Moody's, o curso da água tenderia a retomar o seu lugar. Disso não tenho muitas dúvidas.

8.7.11

Deamblogações vespertinas

"Em declarações ao PÚBLICO, Marinho e Pinto diz que o período de ano e meio “é mais do que suficiente para a formação de um licenciado em Direito”, que não tenha comprado o curso “a desbarato nos saldos de Bolonha”." Público on-line

O que eu pergunto, independentemente, das opiniões várias sobre a matéria e do estilo de cada um, é se isto são declarações sensatas de alguém que desempenha funções de relevância pública. Só isso.

7.7.11

Inquietações matinais II

"(...) Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal (...). Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor. Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará."

Maria José Nogueira Pinto, hoje no DN. In Memoriam

Inquietações matinais

"Objectively, it is hard to argue that Portugal's credit is investmente-grade." Financial Times dixit.
Para além de uma (legítima) reacção intestina por parte dos nossos comentadores/ políticos, qualquer investidor estrangeiro deve temer investir em Portugal. O passado recente é mau em termos de contas e o futuro próximo não augura nada de bom. Se a isto se juntar o número da execução orçamental de 2011, está tudo dito. Não confundamos esperança e crença com racionalidade.

4.7.11