27.7.11

Deamblogações matinais

A questão é esta: as mudanças na CGD podem ser absolutamente justificadas. Pode ter sentido tirar quem lá está e colocar novas caras, com novas competências e com novas ideias para o banco público. Pode ser tudo verdade. E também pode suceder que o Governo, com o primeiro ministro e o ministro das finanças à cabeça, esteja convencido que estas mudanças são benignas para a instituição e, por sua vez, para o país. Mas o que é incontornável é que já não há saco. Já não há paciência nem compreensão possíveis para alterações sempre nas mesmas instituições, sempre que um novo Governo toma posse. Se calhar injustamente, mas tudo cheira a esturro, a compadrio, a pagamento de favores. Sabemos que estamos em pleno "payback time" e que as referidas mudanças inevitavelmente soam a isso mesmo. Eu tenho consciência que, perante uma eventual necessidade, o Governo não deve temer as aparências de medidas que contêm em si algo de positivo para o país. Mas, francamente, considero que perante o que se tem passado de forma crónica nos últimos vinte anos (se calhar mais), o Governo, com o primeiro ministro e o ministro das finanças na linha de fogo, devia explicar a bondade de tais medidas. Não estão proibidos erros que, de resto, sempre vão acontecer. Somos todos falíveis e penso que isso será por todos compreendido. O que, no entanto, devia estar proibido era voltarmos ao mesmo. Aos "boys". Ao "payback". E, por muito que se diga o contrário, tresanda a isso. No seguimento de muitos anos de trocas de favores, inverteu-se o ónus da prova: agora deveria ser o Governo a provar que as medidas que toma são benéficas para todos. Nós somos credores dessas explicações.