12.7.11
Inquietações matinais
Por muito esforço (que nem se vê bem que exista) que os responsáveis da UE façam para dar um ar de normalidade às decisões que vão sendo tomadas, a verdade é que nunca como hoje se viu tanto um conjunto de instituições (UE) ser pura e simplesmente manietada e condicionada no seu poder decisório pelo poder financeiro. Não digo económico, mas propositadamente financeiro. Uma verdade absoluta hoje, já é relativa daqui a uma semana e passadas duas torna-se mentira. Agora é o incumprimento parcial da Grécia: aqui há umas semanas, cheguei a ler declarações de responsáveis comunitários dizendo que tal seria o fim do Euro e, por consequência, da Europa tal como a conhecemos. Pois bem, ontem os ministros das Finanças da zona euro já vieram dizer que o incumprimento parcial grego é uma possibilidade real. A sensação que temos é que ninguém, realmente ninguém, controla o curso dos acontecimentos. Esta sensação, e mais do que sensação, certeza, de descontrolo e imprevisibilidade torna o futuro completamente incerto para todos nós. Ora, não é a política uma forma de garantir a visibilidade no médio prazo? É com certeza. Mas aqui, isso está a revelar-se impossível. Falta coragem e dimensão políticas aos burocratas que lideram as instituições comunitárias. Não se trata de um lugar-comum agora repetido muitas vezes. É, afinal, uma infeliz realidade. Porque se houvesse pulso político, se fossem tomadas diversas medidas de fundo como foi com o caso da aceitação da dívida portuguesa apesar do corte do rating feito pela Moody's, o curso da água tenderia a retomar o seu lugar. Disso não tenho muitas dúvidas.