28.11.11

Deamblogações matinais

Vivemos numa época em que todos temos de dar opiniões e existem canais abertos para o fazer. Em bom rigor, este meio é também um canal para emitir uma opinião, a minha. No entanto, acede a ele pouca gente, apenas aquela que sabe e clica propositadamente no endereço do Peremptório. Assim não é, no entanto, com outros meios de comunicação, como nomeadamente a televisão. É evidente que podemos não ligá-la (atitude que eu reputo cada vez mais de inteligente), mas a partir do momento em que o fazemos, se queremos ver um canal de notícias, somos literalmente invadidos por opiniões alheias, dos mais diversos feitios e anunciadas das mais diversas formas. Não há cão nem gato que não opine.
Isto dito, o que me interessa é que na maior parte dos casos não existe nesta nova classe social (os comentadores/ comentaristas/ opinion makers/ etc., etc.) suficiente responsabilidade face às eventuais consequências daquilo que dizem. Parece-me evidente que nada de especial acontece se o comentador A ou B disser isto ou aquilo (excepção a alguns, como sucedeu recentemente com MRS e as acções do Millennium), mas em todo o caso se A e/ou B se multiplicarem por muitos (e são de facto muitos...), aquilo que disserem já terá consequências, sobretudo se for tudo num determinado sentido.
Sabemos que a coisa não está fácil e que Portugal e todos nós enfrentamos dificuldades tremendas que ainda se vão agravar. Incontornável. No entanto, começar a falar com regularidade na hecatombe do Euro, do resgate necessário a Itália e a Espanha, na contaminação do endividamente à Alemanha e aos países seus periféricos e numa crise várias vezes maior do que a de 2008, parece-me, assim dito, uma irresponsabilidade.
Mas é o que se vê, ouve e lê. Por muito que digam o contrário, todos os órgãos de comunicação social gostam disto, não porque sejam antipatriotas ou queiram mal ao país, mas porque se tornou no único assunto digno de destaque. É como um vício: sabe-se que faz mal mas não se consegue largá-lo.
Quem fala publicamente devia ter mais tento na língua e não resvalar para opiniões pessoais tranvestidas de prelecções técnicas, as quais podem, no seu conjunto, ter efeitos muito indesejáveis.