Ali não há férias, nem Agosto, nem patuscadas, nem praia, nem sol, nem bom ou mau tempo. Muito menos há amigos, brincadeiras ou descontracção. Ali há a vontade nuns casos, o compromisso noutros, quem sabe também o dever, de ir visitar quem está preso.
O ritual segue-se dia após dia, num arrastar de sacos cheios. Sempre me perguntei cheios de quê. Comida? Mas é permitido levar quilos de comida de cada vez que se visita um familiar preso? Roupa não pode ser e droga e outras coisas não poderiam ser tão visíveis. Enfim, os sacos cheios, os olhares ansiosos ou costumados com a rotina, dependendo de haver ou não experiência no processo. Ali não há crise, nem troika, nem ministro das finanças. Também não há governo, nem crise da economia mundial. Ali fecham-se as portas e passa a existir o que se vê e ouve, nada mais. É como se a existência, de repente, ficasse confinada a um espaço circundado por muros altos de onde não se pode sair. E fica. E fica não apenas para os que estão dentro, na verdadeira acepção do termo, mas também para os que estão fora mas que têm alguém dentro. Também esses têm parte de si mesmos enclausurada nos muros da prisão.
Ali o que há é pouco e o pouco que há é mau.