29.6.11

28.6.11

Deamblogações matinais

Concordo com aqueles que dizem que a comunicação social anda um pouco acéfala e acrítica quanto ao novo Governo, e que mesmo a oposição, com especial destaque para o PS, não está investida do espírito crítico que é suposto uma oposição ter. De qualquer forma, também acho que quem defende isto corre o risco de cair no exagero contrário, ou seja, tudo criticar, de tudo duvidar e em nada crer. É bem certo que quem o faz sempre vai dizendo que quer sinceramente que tudo corra bem e que faz figas para que o novo Governo não falhe. Mas isso, do meu ponto de vista, não chega. É preciso mais, é preciso que se puxe pelo que está bem (evidenciar as competências dos ministros e SE nomeados, mesmo sabendo que não são perfeitos e que vão falhar em muitas coisas, evidenciar os sinais positivos que vão sendo dados, sem perder de vista a crítica aos negativos), em suma, unirmo-nos em torno de um ideal de salvação nacional. É porque a situação é tão grave que não se compadece com as normais críticas pontuais (por muito que sejam - e são - legítimas). É preciso algo mais. Uma espécie de espírito colectivo que puxe a carroça em conjunto, mesmo sabendo que há muitas coisas que ou não são feitas ou são mal feitas. No dia em que falhar a esperança, o povo morre. Mas essa esperança tem que ir sendo alimentada e uma forma de o fazer é mantermo-nos focados no que há de positivo, sem contudo ir acompanhando criticamente o movimento do barco.

24.6.11

21.6.11

20.6.11

Inquietações matinais

Quem somos nós verdadeiramente: as nossas profissões, as nossas vidas, as nossas escolhas? Tudo isso junto ou um pouco de cada uma dessas coisas, mas nunca tudo porque é impossível ser-se tudo de cada uma delas? Seguramente esta segunda possibilidade, mas, ainda assim, certamente que é mais (ou menos) do que isso.

17.6.11

Deamblogações matinais

Duas pequenas notas acerca da desgraçada e infeliz Sónia Brazão:
1) Alguém que, segundo o que vem na imprensa, sofria de uma espécie de depressão (tudo hoje é depressão) por não ter trabalho e não aparecer nas revistas, etc., e que, por isso mesmo, terá, segundo consta, tentado pôr termo à vida, ironicamente cobre as capas de todas as revistas cor-de-rosa de há semanas para cá. Triste ironia esta;
2) Assistimos, que me lembre pela primeira vez, à morte de alguém em directo. Uma morte lenta, como se de um desaparecimento prolongado e suave se tratasse. Todos os dias aquele tipo de imprensa relata menos um pouco de vida e mais um pouco de morte. Como se a passagem de um estado a outro estivesse a ser feito agora mesmo, nesta hora em que escrevo, e se prolongasse devagar no tempo. Para além de tudo isto dever ser mentira, verdadeira mentira, mesmo que fosse verdade seria sempre demasiado triste e lamentável. Não apenas do ponto de vista de quem escreve e relata, mas também de quem lê.

14.6.11

7.6.11

Deamblogações matinais

A esperança existe. É verdade. Existe. Move e faz mover. É a indutora da vida, num certo sentido. Mas a ressaca destas eleições vai começar a bater. Em primeiro lugar, porque há muita gente que votou no PSD por protesto contra o PS e para pôr o Eng.º na rua. Toda essa gente, porque não acredita verdadeiramente em quem irá agora ocupar a cadeira do poder, tenderá a ressacar muito e a não voltar a ter a esperança há muito perdida. São, dizem as sondagens, algumas centenas de milhares. Em segundo lugar, porque mesmo para a gente que votou no PSD por convicção, a vida não irá melhorar em breve. Pelo contrário, mas contrário mesmo. Vai piorar e muito. Menos dinheiro no final do mês, mais impostos, mais carestia de vida, mais stress, mais ansiedade, menos certezas. E muitas, muitas alterações ao actual stato quo (novas leis, perda de regalias e de direitos, alterações de regras velhas de anos, etc.). Isso vai criar contestação e revolta e Passos e o PSD estarão no centro do furacão porque serão o alvo de todo o descontentamento. Reste a esperança de tomarem medidas certas, apesar de incompreendidas (que foi o que o PS não fez, embora também tenha sofrido devido à conjuntura).
O segredo está em falar sempre verdade por muito que custe, tomar medidas que, para além da pura eficácia, sejam emblemáticas para que os mais desprotegidos vejam que verdadeiramente todos são afectados pela crise e ter um caminho traçado e que seja do conhecimento de todos. Para que saibamos para onde vamos e quais são os objectivos. Em suma, um caderno de encargos do qual o Governo vá dando contas regularmente.
Haja esperança. Tem que haver.

6.6.11

2.6.11

Deamblogações matinais


O que se vê e ouve nos comícios do PSD, nas feiras, nas ruas é um desespero absoluto com o estado a que o país chegou. Não raro se percebe que as pessoas estão absolutamente desorientadas e, mais do que isso, que se sentem ludibriadas anos a fio por diversos governantes que estiveram no poder, com Sócrates à cabeça. Por isso se ouve muitas e muitas vezes que o sinal que o PSD dá, e Passos Coelho em particular, é o de esperança no futuro. Um futuro com rigor, verdade, isenção e serviço público no superior interesse do país. O Portugal do trabalho, da força do trabalho, daqueles que não estão comprometidos com interesses económicos, corporativos ou partidários, tem que arregaçar as mangas e, afastando todos os outros que o estão, voltar a puxar o país para cima.
No dia 5 deve pensar-se muito bem antes de votar e reconhecer que só um partido como o PSD forte e largamente maioritário, de preferência com maioria absoluta, pode inverter o ciclo infernal e demoníaco em que nos encontramos.

1.6.11

Banksy

Deamblogações matinais

Há semanas atrás, no debate entre Passos Coelho e Portas, reparei que este último não olhava nos olhos do primeiro. Reparei nisso durante todo o debate. Enquanto que Passos olhava o seu adversário directamente, com aquele seu ar tranquilo, este último não conseguia fixá-lo, ainda que tenha por ele sido chamado a atenção. Disse isto a diversas pessoas e ninguém pareceu ligar muito ao facto (que a mim me impressionou e que eu nunca tinha reparado). Foi preciso esperar várias semanas para ver alguém referir o facto. Pinto Balsemão disse-o ontem na campanha. Disse que Portas não olha nos olhos. E é verdade. Vale o que vale, é verdade. Não há pretensão de dizer que não se pode desempenhar um cargo de elevada responsabilidade pública por causa deste facto. Mas não deixa de ser impressivo. É como se aquilo tudo não passasse de uma caparaça que não resiste a um registo mais directo e pessoal.