Duas pequenas notas acerca da desgraçada e infeliz Sónia Brazão:
1) Alguém que, segundo o que vem na imprensa, sofria de uma espécie de depressão (tudo hoje é depressão) por não ter trabalho e não aparecer nas revistas, etc., e que, por isso mesmo, terá, segundo consta, tentado pôr termo à vida, ironicamente cobre as capas de todas as revistas cor-de-rosa de há semanas para cá. Triste ironia esta;
2) Assistimos, que me lembre pela primeira vez, à morte de alguém em directo. Uma morte lenta, como se de um desaparecimento prolongado e suave se tratasse. Todos os dias aquele tipo de imprensa relata menos um pouco de vida e mais um pouco de morte. Como se a passagem de um estado a outro estivesse a ser feito agora mesmo, nesta hora em que escrevo, e se prolongasse devagar no tempo. Para além de tudo isto dever ser mentira, verdadeira mentira, mesmo que fosse verdade seria sempre demasiado triste e lamentável. Não apenas do ponto de vista de quem escreve e relata, mas também de quem lê.