A esperança existe. É verdade. Existe. Move e faz mover. É a indutora da vida, num certo sentido. Mas a ressaca destas eleições vai começar a bater. Em primeiro lugar, porque há muita gente que votou no PSD por protesto contra o PS e para pôr o Eng.º na rua. Toda essa gente, porque não acredita verdadeiramente em quem irá agora ocupar a cadeira do poder, tenderá a ressacar muito e a não voltar a ter a esperança há muito perdida. São, dizem as sondagens, algumas centenas de milhares. Em segundo lugar, porque mesmo para a gente que votou no PSD por convicção, a vida não irá melhorar em breve. Pelo contrário, mas contrário mesmo. Vai piorar e muito. Menos dinheiro no final do mês, mais impostos, mais carestia de vida, mais stress, mais ansiedade, menos certezas. E muitas, muitas alterações ao actual stato quo (novas leis, perda de regalias e de direitos, alterações de regras velhas de anos, etc.). Isso vai criar contestação e revolta e Passos e o PSD estarão no centro do furacão porque serão o alvo de todo o descontentamento. Reste a esperança de tomarem medidas certas, apesar de incompreendidas (que foi o que o PS não fez, embora também tenha sofrido devido à conjuntura).
O segredo está em falar sempre verdade por muito que custe, tomar medidas que, para além da pura eficácia, sejam emblemáticas para que os mais desprotegidos vejam que verdadeiramente todos são afectados pela crise e ter um caminho traçado e que seja do conhecimento de todos. Para que saibamos para onde vamos e quais são os objectivos. Em suma, um caderno de encargos do qual o Governo vá dando contas regularmente.
Haja esperança. Tem que haver.